Podcasts by Category
Diogo Vaz Pinto e Fernando Ramalho à conversa, leve ou mais pesarosamente, fundidos na bruma da época, dançando com fantasmas e aparições no nevoeiro sem fim que nos cerca, tentando caçar essas ideias brilhantes que cintilam no escuro, ou descobrir a origem do odor a cadáver adiado, aquela tensão que subtilmente conduz ao silêncio, a censura que persiste neste ambiente que, afinal, continua a sua experiência para instilar em nós o medo puro. Vamos desenterrar, perfumar e puxar para o baile os nossos amigos enterrados no jardim, e deixar as covas abertas para empurrar lá para dentro aqueles que só aí andam a causar pavor e fazer da vida uma austera, apagada e vil tristeza.
- 178 - O baile dos estorninhos. Outra conversa com Manuel Bivar
Manuel Bivar, Savana Gelada, Agustina, Latifúndio, Alentejo, Almeida Faria, Agricultura, Incendiários, Acampada, Crise da Habitação,
Fri, 23 Oct 2026 - 177 - Os traficantes de realidade. Uma conversa com Raquel RibeiroSat, 17 Oct 2026
- 176 - Libertar Ulisses do purgatório. Uma conversa com Miguel Bonneville
Guerra intergeracional, Protestos, Manifestações, Literatura, Auto-ficção, Catarina Barros, Tatiana Faia, Artes, Política, Miguel Bonneville
Sat, 10 Oct 2026 - 175 - Tudo menos ser mulher. Uma conversa com Cláudia Sobral
Cláudia Sobral, Paul B. Preciado, Feminismo, Mulher, Machismo, Violência sexual, Prostituição, Debatível, Violência de género
Fri, 02 Oct 2026 - 174 - Uma devastação inteligente. Conversa com João Camargo
João Camargo, Climáximo, Emergência Climática, Inteligência Artificial, Militância, Activismo, Revolução, Frank Herbert, Dune, Ficção Científica, Jean Baudrillard, Situacionistas
Fri, 25 Sep 2026 - 173 - O regresso dos percevejos, das Karens e das Tinas. Outra conversa entre os outros dois
Clara Ferreira Alves, Ed Sheeran, Jerry Seinfeld, Ricardo Araújo Pereira, Joana Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Pedro Boucherie Mendes, Commedia a La Carte, César Mourão, Pedro Levi Bismarck, David Erlich, Joana Bértholo, O Movimento das Coisas, Mediatismo
Fri, 18 Sep 2026 - 172 - A flotilha, os refugiados, a Odisseia e o marisco. Uma conversa com Miguel C. Duarte
Flotilha Global Sumud, Miguel C. Duarte, Gaza, Israel, Homero, A Odisseia, Christopher Nolan, Cinema, Épica, Mar Mediterrâneo, Refugiados, Migrantes
Fri, 17 Jul 2026 - 171 - Os trânsfugas da ficção lusa. Uma conversa com Filipa Martins
Filipa Martins, Natália Correia, No Meu Fim Está o Meu Começo, Romance, Ficção, Literatura, Bruno Vieira Amaral, Djaimilia Pereira de Almeida, Biografia, Edição, Livros
Sat, 11 Jul 2026 - 170 - O artista contemporâneo, esse activista financeiro. Uma conversa com António Pinto Ribeiro
António Pinto Ribeiro, Museus, Curadores, Arte Contemporânea, Poesia, Publicidade, Yves Michaud, Dinheiro, Artistas, Babell
Sat, 04 Jul 2026 - 169 - Os arquitectos da guerra que virá. Uma conversa com Marta LançaSat, 27 Jun 2026
- 168 - Os Ortopedistas do Poder. Uma conversa com Duarte Rolo
Duarte Rolo, Trabalho, Grupo Krisis, Manifesto Contra o Trabalho, Vivian Abenshushan, Escritos para desocupados, Odair Moniz
Fri, 19 Jun 2026 - 167 - O Apocalipse de Merda. Uma conversa com Michael Marder
Michael Marder, Filosofia no Lixo, Lixeira, Sociedade do Espectáculo, Fascismo, Política, Poder, Israel, Judaísmo, Nazismo
Sat, 13 Jun 2026 - 166 - Um acepipe nas barricadas. Outra conversa com David Teles Pereira
David Teles Pereira, Gastronomia, Fine Dining, René Redzepi, Noma, Anthony Bourdain, feira do Livro, Bárbara Bulhosa, Tinta-da-China, Greve Geral, Polícia, Comité Invisível
Sat, 06 Jun 2026 - 165 - A Balsa da Medusa. Uma conversa com Margarida Davim
Margarida Davim, Visão, Jornalismo, Feminismo, Neoliberalismo, Fascismo, Liberdade de expressão, Jornais, CNN
Fri, 29 May 2026 - 164 - Malcriados, malnascidos, estrangeiros e apátridas. Uma conversa com Diogo Nóbrega
Israel, Deleuze, Deleuze e a Perversão Democrática, Diogo Nóbrega, Filosofia, Cólera, Ódio, Democracia, David Erlich
Sat, 23 May 2026 - 163 - Maus fígados, objectivos comuns. Uma conversa com Ricardo Mangerona
Ricardo Mangerona, O Longe e a Miragem, Romance, Literatura, William Hazlitt, David Graeber, Ódio, Do Prazer de Odiar e Outros Ensaios,
Sat, 16 May 2026 - 162 - Exorcisar o medo, escapar à tragédia. Uma conversa com Lourença Baldaque
Lourença Baldaque, Edição, Livrarias, Livros, Fauve&Rouge, Agustina, Escola, Pedofobia, Regina Guimarães, António Guerreiro, Luís Mourão,
Sat, 09 May 2026 - 161 - Poeta: profissão liberal. Uma conversa com João Vasco Rodrigues e Nuno dos Santos Sousa
A Rosa Devorada pelos Espinhos, Poesia, Crítica, Pedro Levi Bismarck, Hugo Miguel Santos, Livros, Antologias, Literatura, João Vasco Rodrigues, Nuno dos Santos Sousa
Sat, 02 May 2026 - 160 - A inteligência de ficar para último. Outra conversa com Patrícia CâmaraFri, 24 Apr 2026
- 159 - A intensidade dos condenados. Uma conversa com Victor BarrosFri, 17 Apr 2026
- 158 - Tenho saudades da Comuna de Paris. Uma conversa com Joana Craveiro
Joana Craveiro, Teatro do Vestido, 25 de Abril, PREC, Revolução, Eduarda Dionísio, Torrente, Olga Gonçalves, Política, Teatro
Sat, 11 Apr 2026 - 157 - Crónica dos pássaros dissecados em pleno voo. Outra conversa com Margarida David Cardoso
Saúde Mental, Psicose, Aquilo que vi no escuro, Psiquiatria, Margarida David Cardoso, Doença mental, Poesia
Sat, 04 Apr 2026 - 156 - A Manosfera e os Drag Kings. Outra conversa com Maria João Faustino
Maria João Faustino, Manosfera, Louis Theroux, Algoritmos, Sexismo, Machismo, Sexualidade, Violência de género,
Mon, 30 Mar 2026 - 155 - Ler livros de história num bordel em Alexandria. Uma conversa com José Luís Costa
José Luís Costa, K.P. Kaváfis, Tradução, Tatiana Faia, Morte, Obituários, Rita Rato, Francisco Frazão, Cultura de Direita, Yánnis Rítsos, Diário do Exílio
Fri, 20 Mar 2026 - 154 - Os ossos de Che Guevara a flutuar no espaço. Uma conversa com João Vasco LopesFri, 13 Mar 2026
- 153 - Não gosto que salvem o mundo à minha custa. Uma conversa com José Gardeazabal
Jose´Gardezabal, Gonçalo M. Tavares, Mulher no Espaço, António Lobo Antunes, Literatura, Romance, Tecnologia, Sexualidade,
Sat, 07 Mar 2026 - 152 - Agarrados & empreendedores. Uma conversa com Miguel Marques Ribeiro
Miguel Marques Ribeiro, Robert Musil, O Homem sem Qualidades, Jornalismo, Literatura, Drogas, Dependências, Algoritmo, Valério Romão, O Desfufador, Ana Margarida de Carvalho
Tue, 03 Mar 2026 - 151 - O cativeiro sem grades. Outra conversa com Rui Lage
Rui Lage, Adeus Campos Felizes, Antologias, Poesia, Campo, Ruralidade, Bucolismo, Turismo rural, Portugal, Estado Novo, Salazarismo
Thu, 26 Feb 2026 - 150 - Lavar as mãos com os talhantes. Uma conversa com Maria Leonor Figueiredo
Maria Leonor Figueiredo, Bloco de Esquerda, Sexualidade, Trauma, Poesia, Geoffroy de Lagasnerie, Fascismo, Política
Sat, 21 Feb 2026 - 149 - A central de camionagem da literatura. Uma conversa com Inês Viegas Oliveira e Mariano Tomasovic Ribeiro
Limoeiro Real, Literatura, Poesia, Publicidade, George Steiner, Ilustração Artes, Kitsch, Hugo Miguel Santos
Fri, 13 Feb 2026 - 148 - Faz todo o mal que puderes e baza. Uma conversa com Eduardo BritoSat, 07 Feb 2026
- 147 - O devir meloso da arte portuguesa. Outra conversa com Miguel Faria Ferreira
Miguel Faria Ferreira, João César Monteiro, Cinema, Cinema português, Artes, Cultura, Filmes, Vasco Câmara, Crítica de cinema, Cinefilia, Ípsilon,
Sat, 31 Jan 2026 - 146 - As cenas do ódio. Outra conversa com Luís Bernardo
Mark Carney, George Orwell, Política, Europa, Imperialismo, Colonialismo, Eleições, Democracia, Fascismo
Fri, 23 Jan 2026 - 145 - Na cama com um, a sonhar com outro, apaixonada por um terceiro. Uma conversa com Carmo Afonso
Prostituição, Cotrim Figueiredo, Assédio Sexual, Eleições, Presidenciais, António José Seguro, Fascismo, Inês Bichão, Feminismo
Sat, 17 Jan 2026 - 144 - O ponto fraco da realidade. Uma conversa com Rui Cardoso MartinsSat, 10 Jan 2026
- 143 - Cada Narciso tem um lago no bolso. Outra conversa com Changuito
Changuito, Poesia Incompleta, Poesia, Chega, Miguel Carvalho, Por dentro do Chega, Dave Chappelle, Comédia, Joana Marques, Extremamente Desagradábve
Sat, 03 Jan 2026 - 142 - O render da guarda mediática. Uma conversa com João Moreira da Silva
João Moreira da Silva, Colonialismo, São Tomé e Príncipe, Portugal, Juventude, Mediáticos, Mediatismo, Televisão, Comentadores Políticos
Fri, 26 Dec 2025 - 141 - Heiner Müller e outros vampiros. Uma conversa com Adolfo Luxúria Canibal
Adolfo Luxúria Canibal, Heiner Müller, Mão Morta, Poesia, Livros, Política, Populismos, Violência, Braga, Música
Fri, 19 Dec 2025 - 140 - Ama como a estrada termina. Outra conversa com Joana Matos FriasSat, 13 Dec 2025
- 139 - A caderneta de cromos da cultura portuguesa. Outra conversa com Vítor Belanciano
Vítor Belanciano, Ípsilon, Jornalismo cultural, Cultura, Woke, Política, Jornais, Dino d’Santiago, A Garota Não, Música
Fri, 05 Dec 2025 - 138 - Escrever a história em mortalhas de cigarro. Uma conversa com Ricardo Noronha
25 de Novembro, PREC, Ricardo Noronha, A Ordem Reina Sobre Lisboa, Ramalho Eanes, Revolução, 25 de Abril, Política, Liberdade, Democracia
Fri, 28 Nov 2025 - 137 - Uma boca com dentes de diferentes épocas. Conversa com Liliana Coutinho
Ursula K. Le Guin, Ela Tira-lhes Os Nomes, Ficção-científica, Comunismo, Zita Seabra, José Maria Pimentel, Livros, Liliana Coutinho
Sat, 22 Nov 2025 - 136 - A vingança dos excluídos da poesia. Uma conversa com Cíntia Gil
Cíntia Gil, Cinema, DocLisboa, Festivais, Crítica, Serge Daney, Marguerite Duras, Programação, Cultura
Sat, 15 Nov 2025 - 135 - No funeral dos franco-atiradores. Uma conversa com José Soeiro
José Soeiro, Nova Lei Laboral, Trabalho, Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, Política, Imigrantes, Precariedade
Thu, 06 Nov 2025 - 134 - O manicómio mundial. Uma conversa com Patrícia Câmara
Patrícia Câmara, Psicologia, Psicanálise, Saúde Mental, Silvia Federici, Além da Pele, Capitalismo, Biopolítica
Fri, 31 Oct 2025 - 133 - O Ânus Solar e o Sol Negro na edição portuguesa. Uma conversa com Frederico Neves Parreira
Andamos a chafurdar em narrativas simplistas, enredos que servem de funil para a moral engarrafada, e há por aí juízos enlatados para todas as ocasiões, por outro lado, a literatura em geral, e o romance em particular, depois deste naufrágio miserável, sobrevive por aí em pequenas ilhas, enquanto no continente vão propondo à circulação toda uma linha de mediocridades híbridas que se alimentam dos resíduos da actualidade e das histórias pessoais. Como notava Milan Kundera, "a maior parte da produção romanesca de hoje é feita de romances fora da história do romance: confissões romanceadas, reportagens romanceadas, ajustes de contas romanceados, indiscrições romanceadas, denúncias romanceadas, lições políticas romanceadas, agonias do marido romanceadas, agonias do pai romanceadas, agonias da mãe romanceadas, desflorações romanceadas, partos romanceados, romances ad infinitum, até ao fim do tempo, que nada dizem de novo, não têm qualquer ambição estética, não trazem qualquer mudança nem à nossa compreensão do homem nem à forma romanesca, parecem-se uns com os outros, são perfeitamente consumíveis de manhã, perfeitamente descartáveis à noite". Para falar disto e de outras tantas merdas, contamos esta semana com uma das últimas contratações para o plantel da Língua Morta, um distribuidor de jogo que apareceu de galochas preparado para esta partida de futebol na estrebaria.
Mon, 17 Jul 2023 - 132 - Ir colher laranjas ao pomar. Conversa com Alexandre Pomar
É o que dá andar nisto como quem sai à caça de quimeras: pedimos Quixote, sai-nos um Sancho, vamos aos gambozinos, damos com osgas domésticas, tínhamos visto por aí um crítico desaustinado e afinal damos com outro reitor da Universidade do eu-e-as-coisas-ao-meu-redor. Às vezes é assim. Filho de Júlio Pomar, teve as chaves da chafarica e fez um percurso privilegiadíssimo no jornalismo, impondo-se sobretudo enquanto crítico de arte, com bagagem e conhecimento de causa, sem alergias a desmontar essas cadeias de favores e modelos da imposição dos bonzos que nos querem enfiar pela goela. De qualquer modo, sabe muito do que sabe e quanto ao que não sabe geralmente também não lhe interessa. É uma voz incómoda e pertinente, um pragmático que desata aos espirros se lhe vamos com argumentos gizados na tradição da crítica das indústrias culturais ou da consciência. Mas até Marx ainda foi. Alexandre Pomar é o convidado da semana.
Tue, 11 Jul 2023 - 131 - À Espera do Ultimato dos Educadores. Conversa com Maria do Carmo Vieira
Depois de ser dispensada do programa das aulas de português, estava na altura de trazermos de volta essa figura tão malquista como crucial d’Os Lusíadas, esse grande dissidente face aos desvarios de uma certa nobreza que continuamente nos leva a embarcarmos como ratos na nau catrineta das suas fantasias. Numa época de apoucamento da língua, de cedência a toda a ordem de facilitismos, manigâncias e baldrocas, convém mesmo expulsar quem tem muito claro onde tudo isto nos leva. “Lá vem a Velho do Restelo”, dirão alguns. “Por sinal velha e também do Restelo, desde longa data, para além de fiel leitora do poeta, criador da venerável figura”, assim se reconhecia Maria do Carmo Vieira numa das suas crónicas no Público. Quando estamos todos à espera que os professores por fim percam as estribeiras, e imponham uma ruptura verdadeiramente dolorosa num esforço para salvar a escola pública, quisemos falar com uma mulher que soube assumir uma postura exemplaríssima e até às últimas consequências, vendo-se obrigada a abandonar a profissão a que dedicou toda a sua vida, reconhecendo que não podia fazer outra coisa senão desobedecer, não acatar ordens de lacaios imbecilizados pelo poder, salvando-se da degradação a que hoje toda aquela classe é submetida, numa altura em que o próprio país não percebe que a paixão está reservada àqueles que souberam e sabem arriscar, em grandeza e miséria, “a sua vida inteira, todos os dias”. E que esse é o verdadeiro sentido da liberdade, que exige tudo e é sempre difícil, e que deveria ser o requisito essencial de quem assume a tarefa de transmitir às gerações seguintes os conhecimentos que nos fazem sentir o balanço desta nossa aventura comum.
Mon, 03 Jul 2023 - 130 - Aquele em que fomos ao fundo arrastando connosco meio mundo. Conversa com Luís Miguel Rainha
Desta vez, e sendo o episódio 13, isto foi para a desgraça completa. Com uma boa zurrapa a afinar os instrumentos, saímos de submergível, e enfiámo-nos no mar arrastando literatos aos gritos pela mãezinha, a mandarem sms's e a baterem com as chaves e os anéis um morse muito aflito, com instruções sobre como preparar a edição póstuma do conteúdo das suas tantas gavetas. Fomos depressa ao fundo arrastando o meio literário que mais se oferece em todos os portos, e o nosso Ahab foi o Luís Miguel Rainha, a tilintar por todos os lados e a deixar atrás de si um mar pingado no vasilhame, este estulto velhaco, sacripanta sem palas, com um papagaio roxo no ombro que fala em verso manco e dá pelo nome de Chéu, com o hábito de andar aos estalos no bicho a tentar afiná-lo, é um melómano além de um exímio tocador de rabeca, tuba e tudo o que guinche e ajude à festa se soprado com jeito. Se muitos o conhecem como um grande provocador, a verdade é que é também um grande pinga amor das redes, e o autor de obras publicadas em casas tão zelosas como a Tinta-da-China, mas também naquele antro de putas e delinquentes que é a Língua Morta, tendo, por isso, sido excomungado do barbaristão mediático, e só se encontrando em festivais desses que se fazem à volta de um pires de tremoços e onde não falta sequer a escarradeira. Não vai dar para fazer um resumo confiável, pois só as sereias sabem do que falámos, mas aqui fica uma hipótese: falámos de fantasmas soluçantes, inteligências mercantes, tubarões sem dentes, sabonetes cheios de pêlos, e, mais geralmente, do código de incivilidades e piratarias de onde retiramos as nossas orações... No fundo, divertimo-nos a vomitar nesse vosso grandioso mar cujo sal são lágrimas de Portugal, isto segundo o chato-gpt-metafísico-e-de-bigodinho que tem alimentado com a sua posteridade tanto crocodilo.
Sun, 25 Jun 2023 - 129 - O legado que fica nas toalhas das mesas de cafés. Uma conversa com Vladimiro Nunes
"Uma simples frase mais bela, um simples adjectivo mais acertado tem de atravessar imensas camadas de lama e esterco para enfim brilhar. As histórias da literatura só falam do brilho. Mas nunca da esterqueira donde emergiu. E é no esterco que sinto uma grande parte de mim", confessava Vergílio Ferreira no seu diário, e serve-nos isto como balanço quando há tanta resistência a que se fale dos aspectos mais rudes e sujos da edição, e certamente deslustrando os mitos e o prestígio quando o sector nas últimas décadas se viu tomado por uma engrenagem especializada em sangrar até à última gota esse prestígio, sempre com vista a intrujar o leitor. São raros hoje os editores que se batem para resgatar aquele brilho sem esconder todo o esterco em que diariamente é preciso arrastar-se para levar um livro em condições até às mãos do leitor. Vladimiro Nunes usa a corda que tem ao pescoço para se lançar adiante, e está a criar o tipo de catálogo que para uns lembra e a outros explica o gosto de ter crescido em casa de pais ou avós que liam muito, que tiveram o cuidado de organizar a biblioteca de tal modo que as fases de crescimento pudessem ficar marcadas pela altura das estantes. Agora chegou a sua vez de passar o testemunho. Além do empenho em recuperar a obra de autores tão admiráveis e bastante maltratados, como Manuel de Lima ou Natália Correia, tem sido um dos editores que de forma mais criteriosa se vem esforçando por criar uma biblioteca que acompanha aquele que ainda gatinha até que começa a trepar as estantes para chegar a volumes que deixam muito boa gente nervosa, andando a colher gemas de e.e. cummings, Faulkner, Ted Hughes, Virginia Woolf, entre outros, dirigidas aos mais novos. Vamos por aí e por outros lados na tentativa de achar um rumo entre sinais antigos e que hoje se nos adiantam.
Wed, 21 Jun 2023 - 128 - Génese do sindicato terrorista das letras. Uma conversa com Fernando Ramalho...
Temos tido poucos capitães no nosso espaço literário, poucas oportunidades de nos vermos guiados para alto mar ou sequer alta noite em enormes navios de espelhos, esses onde o tempo se confunde de tal modo que nos oferece o delírio de verdadeiras delícias quiméricas, esses capitães cujo grito ou o silêncio nos inunda o sangue e os nervos de tal modo, de tal modo que através dele todos somos capitães, e quando um entre nós se revolta há logo dez mil insurrectos. Fernando Ramalho, livreiro e dinamizador da Tigre de Papel, tem sido um desses raros espíritos capazes de dar o tom, escrutar o mar do fundo, e vem-no fazendo a partir da mais discreta das profissões, a do traficante de outras vozes. Numa altura em que a capital portuguesa é uma cidade sitiada, restam duas ou três livrarias que, como navios de infindáveis ecos, sem se deixarem dominar por qualquer bando de piratas de bidé, mantém um curso inspirador e oferece a perspectiva de outras rotas, agarrando ventos abruptos de modo a que ainda que alguma coisa aconteça. Estas poucas livrarias mantêm-se aferradas a esse pólo imaginário que desmagnetiza os aparelhos mais ordinários de navegação. Como nau encalhada, encontramo-la por ali, em Arroios, com a sua tripulação de fantasmas de variadas épocas e o murmúrio dos anzóis bem fundo nas grandes massas de água numa paisagem discreta, um balanço de mil conversas e desavenças, o tal mapa que oferece às coisas sobre ele dispostas um relevo e um peso concretos para que cada um possa cultivar a sua miséria, essa que, como vincava Álvaro Mutis, é a verdadeira matéria perdurável deste nosso episódio breve sobre a terra. Fomos falar com este livreiro numa tentativa de esquissar os regulamentos internos de um sindicato do crime literário e de eventuais propostas de um colapso que cante.
Mon, 12 Jun 2023 - 127 - Suíte e Fúria. Uma conversa com Rui Nunes
A degradação também se faz de um infindável repertório de ecos, repetições que parecem vincar algo de decisivo, mas que, na verdade, vão corroendo, deslocando o sentido até este se tornar demasiado vago, inexpressivo. E, nisto, damos por nós em busca de uma voz que não proceda de um olhar emprestado, ou roubado. Como escreve Rui Nunes no seu mais recente livro ("Neve, Cão e Lava"), lêem-se "tantos poemas, tantos romances, que não passam de olhares emprestados, roubados". Não são os temas de uma escrita o que faz a diferença, não é o porquê mas o como, a que custo, se com unhas e dentes, se simplesmente porque se tem algum tempo para matar. Tanto do que hoje se publica tresanda a essa forma de decomposição, a um desejo de agradar, de estar de acordo com o que já nos cerca até ao sufoco. Mas é por meio da recusa que uma escrita impõe um audaz desafio à ordem geral. Como assinalou António Guerreiro, a escrita de Rui Nunes faz-nos ver que não basta dizer “merda” para que um texto cheire mal, nem basta dizer “sangue” e “carne mutilada” para fazer emergir a violência: é preciso também uma sintaxe, proceder à mutilação das frases e do ideal narrativo. Fortemente implicada numa reflexão e denúncia dos elementos mais traiçoeiros da actualidade, a sua obra rejeita a superfície, e cose-se num nível em que cada um dos elementos que participam na materialização da linguagem estão sensíveis, feridos e frágeis tanto como truculentos. Tudo na escrita deste autor pratica a denúncia, mas não o faz sem conhecer de perto o mal. Esse é o grande objecto da sua investigação. E no seu percurso passa amiúde por uma "gente benigna que se distrai", à margem, ignorantes ou desinteressados, depara-se com esses escritores que "de palestra em palestra falam da fome e da guerra, bebem um uísque, expõem certezas e maliciosas dúvidas". Acentua que "esta gente carrega uma antecipação, um funeral, um obituário, uma última vez na glória de um telejornal". Insiste em recordar ao futuro as ruínas sobre as quais foi erguido, e como "qualquer história tem mil anos de sufoco, uma lei, lugares certeiros de morte".
Wed, 07 Jun 2023 - 126 - ”Um corpo sozinho é uma campa vertical”. Uma conversa com Vasco Gato
Cheira a sangue a mancha de vinho na toalha, e deve ser sinal de que a inteligência volta enfim a encarnar, a ter gestos largos, expansivos, a ver e tocar as formas diariamente. Depois de três anos de suspensão e de uma certa necrose social, está na altura de falarmos sobre o que (nos) aconteceu. Tentamos recuperar o sentido da proporção e da razão ardente para falar daquilo que nos foi proibido, de todo o clima de ameaça e recuperar o sal dos velhos itinerários, fazer o caminho entre as ruínas vivas num mundo de mortos em vida. Livres das medidas restritivas e dos constrangimentos ou até do fedor moralista da pandemia, podemos agora olhar em retrospectiva os dias em que nos vimos desfocados ao beber do ar esse horror sereno das máscaras que nos olhavam, faltando sempre um gosto a guerra. Vasco Gato foi dos poucos que acusou o pavor dessa forma de abandono, dessa alegre dissolução do espaço comum e dos rituais que nos ligam. "Um corpo só é possível num/ ritual de vários corpos", vincava nuns versos de um poema que, em finais de 2019, viria a mostrar-se desoladoramente premonitório. Hoje, buscamos de novo uma data viva, enfrentando o rosto devorado que agora se descobre ainda mais inexpressivo, tentamos sair dos quartos deixados à deriva, onde nos era impossível tocar a nossa raiz e recobrar-nos, provar os frutos com sabor a tempo.
Fri, 02 Jun 2023 - 125 - Beber uma coca-cola em casa do Manuel João Vieira
Estar vivo hoje parece tão fácil. E talvez até fosse, não se desse o caso das coisas estarem cada vez mais estranhas, ou simplesmente estúpidas. Quando a vida parece apontada para o raio que a parta, são os degenerados e os delinquentes que assumem os comandos da nave. Manuel João Vieira brinca há décadas com essa hipótese dos imbecis tomarem conta e desta porra triste perder mais alguns parafusos, de tal modo que depois de todo o mal acumulado com o pó, comece a andar por aí um vendaval que torne ainda mais difícil respirar. Buscámos um intervalo na sua toca, um faustoso pardieiro, onde parece viver um batalhão desordeiro, talvez por ser a casa que divide com variações drásticas de si mesmo. Entre o músico desfraldado e que deixou por aí uma noite vasta e desabusada, espíritos levados na carruagem etílica, cantando desaforadamente o tipo de canções que se acotovelam e digladiam para tomar o lugar do hino desta nossa pátria chistosa, ou o pintor isolado que, depois de deitar fora o primeiro esquisso, segue os riscos e vai por ali fora, sem dar hipótese a ninguém de lhe seguir o rastro, e, por fim, há ainda o professor de artes que tenta provar que há um método na sua loucura. Em suma, um monstro de elementos difíceis de combinar entre si, um tipo que não está muito à vontade nos lugares onde é para se estar a fazer ares, a treinar a pose, a imitar as figuras de alto coturno e o diabo a sete. Há quem considere o Manuel João como o mais legítimo herdeiro do espírito surrealista do Café-Gelo, pelo humor, pela ousadia, pelo excesso. Ele não embarca em mitos de espécie nenhuma. Prefere ficar no porto a fazer barquinhos de papel para chocarem contra os grandes cruzeiros cheios de turistas, querendo afundá-los.
Tue, 30 May 2023 - 124 - Querelas, bulhas, porrada de meia-noite... Uma conversa com João Pedro George
Queres ver que depois desta continuam a jurar a pés juntos que não há polémicas no meio literário português? Se calhar até têm razão, porque para haver estrilho, drama, seja o que for, antes de mais nada, era preciso que esses mesmos que nunca dão por nada dessem por si mesmos, tivessem algo que os fizesse viver que não fosse apenas algum esquema que lhes sustente a videirunha à portuguesa. No meio de patranhas sucessivas e incontroláveis é possível que tenham perdido o fio à meada e talvez por isso a maior parte prefira agir na sombra como os percevejos e as ascárides dos intestinos dos cães. Ao sétimo episódio fomos buscar reforços e, ao mesmo tempo, ensarilhar cornos com o homem baptizado por um dos nossos conachos de plantão como o "crítico bulldozer". João Pedro George, cronista e sociólogo que se lançou sobre o campo literário português como uma praga das antigas, graduou-se faz uns bons anos com “Puta Que os Pariu!”, uma das mais criteriosas e proveitosas biografias por cá aparecidas, e que garantiu a Luiz Pacheco um fantasma com ossos pesados o suficiente para esbofetear e deixar marcas num meio literário com tanta pressa em esquecer os vultos que mais sombra fazem aos seus pequenotes. O cadáver literário anda aí, arrastado pela corrente, e ninguém o puxa das águas. Com tanto exame das propriedades do espírito da literatura, o que tem faltado são perícias forenses. E mesmo sem pensar em grandes testes de laboratório, é imensa a margem para alinhar pistas relevantes sobre um crime que todos reportam, todos lamentam, mas poucos se arriscam a fazer pela literatura o que um Poirot, Miss Marple ou Holmes fizeram pela resolução de homicídios. Ainda que ficcionais, os princípios, a dedicação a recolher provas é a mesma, e aquela que busca uma explicação aplica-se do mesmo modo à realidade. Graças a um insaciável espírito inquisitivo, e alimentado pela sua inclinação obsessivo-compulsiva, João Pedro George prova ser um temível farejador dessas pistas e rastros que conduzem aos aspectos mais sinistros da nossa vida cultural, desmontando assim enredos sórdidos ou simplesmente patéticos. George é o nosso comissário Maigret no que toca a crimes literários. Não com um faro tão apurado como Poirot, não tão surpreendente como Miss Marple, nem tão genial como Holmes, mas ferozmente cínico, com os pés assentes na terra, paciente, empenhado, é o crítico que, entre nós, menos receio tem de arregaçar as mangas, sujar as mãos nos aspectos menos gloriosos, mais patéticos da vida literária.
Fri, 19 May 2023 - 123 - Para lá da actual guerra civil de egos, o que há? Conversa com Luhuna Carvalho
Perante a vida desencantada, perante toda esta decadência generalizada da vida, que está na raiz da nossa desmoralização actual, todos apenas parecem buscar consolos ou formas de ajustar o cinismo para abrir espaço a ressalvas e excepções, quase sempre circunscritas ao espaço da vida mais íntima. Quanto ao mais, todos parecem ter feito as pazes com uma cultura que já em nada coincide com a vida, e que, como refere Artaud, se mostra cada vez mais uma cultura concebida antes para a tiranizar. "Depois da Lei", de Luhuna Carvalho, foi um dos raros testemunhos em anos recentes que, entre nós, procurou um confronto honesto com esse exercício interminável de indignação, nostalgia e ignorância que tomou conta das formas de resistência numa época em que o catálogo dos heroísmos ao dispor nunca foi tão inclusivo nem mais inofensivo. Foi para se pensar uma nova arte da guerra, através do encontro com o outro, expresso numa forma de oposição e antagonismo, mas também em sinal de respeito e com capacidade de transigência que fomos falar com este activista relutante.
Thu, 11 May 2023 - 122 - ”Às vezes também lá vou pôr likes”, uma conversa com o Changuito, na Poesia Incompleta
Neste dia do trabalhador, exigia-se que fôssemos ouvir a voz de um desses proletários que, às coisas da cultura, não deixam que falte um chão, mas também um caçador de brilhos capaz de segurar o lustro e os astros para que o céu não pareça estar a cair-nos em cima, e a fazer de todos nós uma gente atarracada. Fomos, assim, falar com o Changuito, como as ruas o conhecem – Mário Guerra, como se lerá nalgum cartório –, uma lenda já bem robusta entre aqueles que a época não tornou míopes para as ocorrências que não alinham pela bizonhice do nosso cortejo cultural, um desses mais severos e inspirados tratantes de livros que mantém aberto um porto de onde saem e partem os raros navios insurrectos nas águas cada vez mais chocas do sector livreiro. Depois de uma primeira incursão, que teve na Rua Cecílio de Sousa (Príncipe Real) essa margem para frotas de papel vindas de todo o mundo, mas também para embarcações fantasmas ou mesmo para gente tresvariada que atravessa oceanos a nadar à cão, nos últimos quatro anos persiste de porta aberta, agora no número 26 da Rua de São Ciro, na Lapa, sendo vizinho da frente de Eduardo Catroga, e forçando quem lhe frequenta o espaço a inverter certos hábitos, quase ao ponto de ser quem sai da livraria que tem de limpar os pés, para não sujar de ânimo as ruas, que estão hoje bem mais estreitas e menos aventurosas que o espaço que ele guarda e abastece.
Mon, 01 May 2023 - 121 - O vaivém de Abril
Os cravos já podem respirar de alívio. Aos que não se safaram, cumpriu pelo menos sacrificarem-se em nome desse folclórico garridismo que corta as ruas uma vez por ano antes que a vida retome o castigo e as injúrias em tons de cinzento. Estamos fadados a celebrar pela eternidade fora um futuro a que ninguém teve a decência de abrir a porta, e assim prosseguem as missas solenes e as milhentas exposições em honra dessa perpétua ausência. As comemorações, como notava António Guerreiro faz já uns anos, as oficiais e as não oficiais, as da esquerda, as do centro e as da direita, sem surpresa, provaram uma vez mais ser "completamente inócuas, politicamente anestesiadas, de um conformismo idiota que serve sem a mínima reserva a reificação do passado. Por elas, não passa nem uma ligeira brisa de pensamento. Tudo desertou, ficou apenas o palco vazio de uma ideia." O mês mais ansiado, aquele que chegou a perfumar-nos os sonhos, veio assim a tornar-se o mais cruel, enquanto a tal democracia, quando foram ver, cutucar a mirífica criatura com a vara, pôr-lhe um espelho junto ao nariz, afinal estava defunta, e Portugal realizava-se uma vez mais como a anti-nação. Mas temos os cravos, que amanhã terão já sido varridos, e os escravos para não deixar que essa desoladora imagem deixe um gosto amargo no fim da festa.
Wed, 26 Apr 2023 - 120 - O foco de luz no último estertor
Ganhámos os três, e bem podem dizer que já andamos a pedi-las. Porta atrás, porta pelo corredor, metemos a cabeça nos quartos e damos um berro, desenhamos uma gaifona e esperamos cá fora, diante da serenata dos cães da vizinhança, batendo com os nós dos dedos nas paredes a chamar para virem dançar as amiguinhas, depois pisamo-las todas. Na verdade, o que mais queremos é arrepiar caminho. O Musil está para ali a resmonear que "o mundo dos que escrevem (...) está cheio de grandes palavras e conceitos que perderam a substância".Temos de refazer as nossas cidades, começar por uma mesa, uma conversa noite fora. Ganhar ânimo, retirar o mundo da sua dormência. Apalpá-lo, mexer-lhe nas partes. O Musil continua a puxar-nos a manga, quer ainda acrescentar que “hoje, numa época em que se misturam todos os discursos, em que profetas e charlatães usam as mesmas fórmulas com mínimas diferenças, cujo percurso nenhuma pessoa ocupada tem tempo de investigar, num tempo em que as redacções dos jornais são constantemente incomodadas por gente que acha que é um génio, é muito difícil ajuizar do valor de um homem ou de uma ideia. Temos de nos deixar guiar pelo ouvido para podermos perceber se os rumores, os sussurros e o raspar de pés diante da porta da redacção são suficientemente fortes para poderem ser admitidos como voz da «polis»." Uma vez que não temos já direito aos cafés, às nossas margens divagantes, façamos aqui um enredo de escutas para ver se afinamos os instrumentos, treinando o coração para os sobressaltos que se avizinham.Errata:Às tantas, Stephen Jay Gould, um biólogo evolucionista e popular escritor de divulgação científica, faz aqui um cameo, completamente a despropósito. Na verdade, o título que buscava era "O Segredo de Joe Gould", de Joseph Mitchell, editado por cá pela Dom Quixote.
Tue, 18 Apr 2023 - 119 - Onde era sangue é só solidão
Continuamos... Desta vez, para não nos virarmos já para o outsourcing, indo buscar luminárias que tragam algum prestígio à coisa, mas também não querendo dar a impressão de que isto vai tudo a mata-cavalo, aqui ficam uns versos do poeta Víctor Botas para situar minimamente a conversa: "Falam da natureza, e que é bela/ – dizem sem mais razões –; eu prefiro/ falar de um caos, aziago e feroz,/ sem ordem nem plano nem outra coisa/ além deste cego acaso que nos acossa/ a golpes de cachaço."É chegada, assim, a hora de falarmos de algumas das nossas amiguinhas lá no jardim. Vamos brincar um pouco ao cinema negro com aqueles que sabem sempre reinventar-se e que, mesmo quando caem, estão tão ensinados que não ficam espapaçados nem feitos num oito, nem chegam a ser afligidos por dores menos espirituais, como o desemprego.
Thu, 13 Apr 2023 - 118 - Saltar da janela
Que raio nos tocou e fez de nós estes monstros insones? Seja como for, teimamos na ideia de que não somos ainda um caso perdido. E uma e outra vez voltamos à carga. Recomeçamos, não nos rendemos. Façamos, então, as apresentações, as primeiras ameaças, vamos lá embrenhar-nos no bosque. Ao nosso redor temos montes de livros, migalhas de cultura e de beleza a juncar o chão como espigas calcadas após a passagem de um brutal furacão. Estando tudo de pantanas, é de esperar ao menos que chegue o dia em que os mortos e os vivos troquem de lugar. Até lá, contamos coisas ao vento e a quem mais por aí possa andar desperto.
Mon, 10 Apr 2023 - 117 - Um país embalsamado entre fantasias podres. Com Pedro Levi Bismarck e João Oliveira Duarte
Francisco Pinto Balsemão, Expresso, SIC, Jornalismo, Comunicação Social, Imprensa, Fascismo, Apocalipse, Catástrofe, Política, João oliveira Duarte, Pedro Levi Bismarck
Sat, 25 Oct 2025 - 116 - Entre burocratas nostálgicos, arrivistas e embusteiros. Outra conversa com António Brito Guterres
António Brito Guterres, Eleições, Democracia, Revolução, Classe Média, Capitalismo, Cidade, Neoliberalismo, André Ventura,
Sat, 18 Oct 2025 - 115 - Livralhada, alquimia, terror e verdade. Uma conversa com David Teles PereiraFri, 10 Oct 2025
- 114 - Os peixes solúveis e o despotismo rococó. Uma conversa com António TongaSat, 04 Oct 2025
- 113 - Dos sem-terra aos porcos-mealheiros. Uma conversa com Paula Godinho
Paula Godinho, Movimento dos Sem-Terras, Brasil, Antropologia, Política, Gaza, Israel, Flotilha, Fascismo, Marx, Futuro
Fri, 26 Sep 2025 - 112 - Um neo-bolchevique na praia lusitana. Conversa com Arturo ZoffmanSat, 20 Sep 2025
- 111 - O existencialismo publicitário. Uma conversa entre os dois monstros de plantão
Charlie Kirk, Violência, Fascismos, Federico Finchelstein, Poesia, Pós-modernismo, Judaísmo, Israel, Gaza
Fri, 12 Sep 2025 - 110 - Entre a merda e o infinito não cabe um grão de areia. Outra conversa com Andreia FarinhaSat, 12 Jul 2025
- 109 - A tentação do fracasso. Outra conversa com Guilherme PiresSat, 05 Jul 2025
- 108 - Das tribos do cinema ao humor corporativo. Uma conversa com Beatriz Silva Pinto
Cinema, Cinefilia, Crítica de cinema, Cineclubes, Cinema Batalha, Cinemateca, Filmes, Humor, Joana Marques, Humor português, Os limites do humor
Sat, 28 Jun 2025 - 107 - Assalto à Biblioteca Nacional com a bandeira pirata de Luiz Pacheco
Diogo Ramada Curto, Luiz Pacheco, João Pedro George, Marta Félix, Biblioteca Nacional, O Prato do Diabo, Literatura, Instituição,
Tue, 24 Jun 2025 - 106 - As cenas do crime. Uma conversa com Joana ManuelFri, 20 Jun 2025
- 105 - "Sperma retentum venenum est". Uma conversa com António de Castro Caeiro
António de Castro Caeiro, Herberto Helder, Lídia Jorge, 10 de Junho, Portugal, Nacionalismos, Fascismo
Fri, 13 Jun 2025 - 104 - Alice no País das Finanças. Uma conversa com Ricardo Paes MamedeFri, 06 Jun 2025
- 103 - O futebol e outras civilizações ficcionais. Outra conversa com Carlos Maria BoboneFri, 30 May 2025
- 102 - O real como transcendência. Uma conversa com Luís Bernardo
Luís Bernardo, Geopolítica, Nuno Rogeiro, José Milhazes, Gaza, Guerra, Inteligência Artificial, Fascismo
Fri, 23 May 2025 - 101 - Em nome dos bárbaros. Com o Changuito no centésimo episódio
Changuito, Poesia Incompleta, Juan Villoro, Não sou um robô, Louisa Yousfi, Em nome do bárbaro, Cultura, Barbárie, João Pedro Grabato Dias, Vinicius de Moraes, Wokismo, Eleições
Fri, 16 May 2025 - 100 - Uma sinfonia de chumbo nos 100 anos do Pacheco. Em conversa com João Pedro George
Luiz Pacheco, Literatura, Crítica literária, Poesia, Antologias, Meio literário, Polémicas, João Pedro George
Wed, 07 May 2025 - 99 - Uma escatologia política: do mal à emancipação. Conversa com Tiago Mota SaraivaFri, 02 May 2025
- 98 - Pornografia, kidfluencing e iogurtes com pernas. Uma conversa com Maria João FaustinoThu, 24 Apr 2025
- 97 - Déspotas, caudilhos e ditadores de bairro. Uma conversa com alguns fantasmas
Carlos de Matos Gomes, Fernando J. B. Martinho, Mario Vargas Llosa, Chris Rufo, Donald Trump, Universidades, Ensino superior, Educação
Fri, 18 Apr 2025 - 96 - O cheque-prenda das funerárias e outros saldos. Uma conversa com Vasco SantosThu, 10 Apr 2025
- 95 - Misoginia, linchamentos e a economia do ressentimento. Outra conversa com Maria Lis
Maria Lis, Misoginia, Machismo, Madalena Sá Fernandes, João Pedro George, Sociologia da literatura, Livros, Publicidade, Redes sociais, Incels, Economia do ressentimento, Virtualidade
Fri, 04 Apr 2025 - 94 - A grande guerra à realidade. Outra conversa com Rui Nunes
Rui Nunes, Litertura, Pier Paolo Pasolini, Crítica, Karl Marx, Realidade, Virtualidade, Violência, Nazismo, Holocausto, Antígona, Luís Oliveira
Fri, 28 Mar 2025 - 93 - A vergonha tem de mudar de lado. Uma conversa com Patrícia Portela
Patrícia Portela, Teatro, Poesia, Vitorino Nemésio, Prémios, Eduarda Dionísio, Retrato dum amigo enquanto falo, Literatura, Livros, 25 de Abril
Fri, 21 Mar 2025 - 92 - As mais novas cartas portuguesas. Uma conversa com Sara Araújo
Sara Araújo, Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Boaventura de Sousa Santos, Assédio Sexual, Feminismo, Poesia Substantivo Feminino, Joana Emídio Marques, Manuel Alberto Valente, Catarina Nunes de Almeida, Poesia, Crítica literária,
Fri, 14 Mar 2025 - 91 - Jornais, orquestras, tripulações e naufrágios. Uma conversa com João Sedas Nunes
João Sedas Nunes, José António Saraiva, Jornais, Luís Montenegro, Maria Velho da Costa, Livros, Feminismo
Fri, 07 Mar 2025 - 90 - O surrealismo e a astúcia popular. Uma conversa com B Fachada
B Fachada, Zeca Afonso, Música de Intervenção, Consumo, Cultura, Sotaques, Linguagem, Poesia, Alberto Pimenta, Crítica
Fri, 28 Feb 2025 - 89 - Espantar os limites da visão. Uma conversa com Carlos Vidal
Carlos Vidal, História de Arte, Crítica, Franco ’Bifo’ Berardi, Biopolítica, Mutação cognitiva, Imagens, Espectáculo
Fri, 21 Feb 2025 - 88 - Mapa para não enlouquecer de vez. Uma conversa com Serena Cacchioli
Serena Cacchioli, Desmasiado Estreita Esta Morte, Livros, Literatura, Autoficção, Edição, Profissionalização
Sat, 15 Feb 2025 - 87 - Encontrar a nossa partitura física. Uma conversa com Cátia TerrincaFri, 07 Feb 2025
- 86 - Desamparados frente à noite. Uma conversa com Pedro Levi Bismarck
Pedro Levi Bismarck, Fascismo, Israel, Judeus, Heiner Müller, Cidades, Economia Política do Mito, Mito, Política, Palestina
Sun, 02 Feb 2025 - 85 - Associações de pastorícia cultural. Uma conversa com João EçaFri, 24 Jan 2025
- 84 - Para acabar de vez com a boa-consciência do público. Uma conversa com Margarida David Cardoso
Jornalismo, Tiqqun, Comité Invisível, Jornais, Informação, Pós-verdade, Margarida David Cardoso, Fumaça
Fri, 17 Jan 2025 - 83 - Sentir no ar outra coisa além do perfume de adeuses. Outra conversa com Nuno Ramos de AlmeidaWed, 01 Jan 2025
- 82 - Luigi Mangione, um juiz selvagem em tempos de injustiça. Outra conversa com Luhuna Carvalho
Luigi Mangione, UnitedHealthcare, Brian Thompson, Vingança, Cólera e Tempo, Peter Sloterdijk, O Dogma da Não-Violência, Rolando D’Alessandro
Fri, 27 Dec 2024 - 81 - Da missa de galo à cabidela do costume. Uma conversa com Cristina Carvalho
Cristina Carvalho, Natália Nunes, Rómulo de Carvalho, António Gedeão, O Desembarque das Ondas, Ingmar Bergman, Poesia, Livros
Tue, 24 Dec 2024 - 80 - A época que roeu a juventude até ao osso. Uma conversa com António GuerreiroFri, 20 Dec 2024
- 79 - As listas, os algoritmos e os espantalhos. Uma conversa com Patrícia Soares MartinsSat, 14 Dec 2024
Podcasts similar to Enterrados no Jardim
isso não se diz Bruno Nogueira
O Princípio da Incerteza - Podcast CNN Portugal
Miguel Sousa Tavares de Viva Voz Expresso
FALA COM ELA INÊS MENESES
Contra-Corrente José Manuel Fernandes e Helena Matos
Guerra Fria José Milhazes e Nuno Rogeiro
A História repete-se Margarida de Magalhães Ramalho e Lourenço Pereira Coutinho
A História do Dia Observador
E o campeão é... Observador
E o Resto é História Observador
Gabinete de Guerra Observador
Os Escândalos de uma Revolucionária Observador
Expresso da Manhã Paulo Baldaia
Contas-Poupança Pedro Andersson
O Homem que Mordeu o Cão Rádio Comercial | Nuno Markl
Renascença - Extremamente Desagradável Renascença
Assim Vamos Ter de Falar de Outra Maneira Ricardo Araújo Pereira, Miguel Góis, José Diogo Quintela
O Amor é RTP Antena 1
Prova Oral RTP Antena 3
Irritações SIC
Isto É Gozar Com Quem Trabalha SIC
Eixo do Mal SIC Notícias
Leste/Oeste de Nuno Rogeiro SIC Notícias
Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer SIC Notícias
