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Sobre Carris

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Conversas de bitola alta sobre ferrovia. Com Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins.

161 - O debate dos "Sérgios" em Estrasburgo: direitos dos passageiros e o futuro do caminho-de-ferro
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  • 161 - O debate dos "Sérgios" em Estrasburgo: direitos dos passageiros e o futuro do caminho-de-ferro

    Neste episódio especial do podcast Sobre Carris, gravado nos estúdios do Parlamento Europeu em Estrasburgo, ouvimos os eurodeputados portugueses Sérgio Gonçalves (PS/S&D) e Sérgio Humberto (PSD/PPE), ambos membros da Comissão dos Transportes e Turismo do Parlamento Europeu (PE). 

    Num debate pautado por uma enorme cordialidade e forte convergência política, os dois convidados analisam os desafios da mobilidade europeia e o papel estratégico que Portugal desempenha neste sector.

    O principal destaque da última semana de trabalhos do PE antes das férias incidiu sobre o acordo histórico relativo aos direitos dos passageiros, alcançado após treze anos de bloqueio por parte do Conselho da União Europeia. Sérgio Humberto pormenoriza as vitórias deste processo, no qual o Parlamento Europeu se manteve firme na defesa dos cidadãos, assegurando garantias como a viagem de menores de catorze anos ao lado dos pais sem custos adicionais, o acompanhamento gratuito para pessoas com deficiência, a simplificação das regras de bagagem e a protecção do bilhete em papel para combater a infoexclusão, que ainda afecta quarenta e quatro por cento dos cidadãos europeus e quarenta e um por cento dos portugueses.

    No que toca ao panorama ferroviário nacional, os eurodeputados abordam o desinvestimento que caracterizou o passado e apontam soluções, com especial enfoque no calendário da Alta Velocidade, na viabilidade de uma nova linha através de Trás-os-Montes para ligar o Porto a Zamora e Madrid, na criação da fábrica de material circulante em Matosinhos e no aproveitamento dos fundos de dupla utilização, civil e militar, para reabilitar e modernizar as infra-estruturas do país. A fechar a conversa, o debate abre espaço para partilhas de cariz mais pessoal, onde Sérgio Gonçalves evoca a curiosidade de ser natural da Madeira (região que teve caminhos de ferro entre 1912 e 1943) e viver na "Rua do Comboio", ao passo que Sérgio Humberto relata, pela primeira vez em público, a sua experiência num acidente ferroviário quando tinha apenas dezassete anos.

    A série do Sobre Carris dedicada à política europeia de transportes conta com o apoio do Parlamento Europeu.

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    Mon, 07 Sep 2026
  • 160 - Foi a liberalização da ferrovia um fracasso? O PCP diz que sim e escreveu um livro

    Gravado na histórica Estação do Rossio, este episódio do podcast Sobre Carris junta os jornalistas Ruben Martins, Diogo Ferreira Nunes e Carlos Cipriano ao secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e a Manuel Gouveia, um dos autores do recém-apresentado dossier "Desastre na Ferrovia: 35 anos de liberalização".

    Ao longo da conversa, é analisado o impacto profundo das políticas ferroviárias em Portugal nas últimas décadas, defendendo o PCP que o país retrocedeu em vez de evoluir no que toca ao investimento público, ramais e material circulante. Os convidados apontam o dedo ao atraso crónico na renovação da frota nacional, sublinhando que o país se encontra há duas décadas à espera de novos comboios para suprir as reais necessidades das populações. A conversa centra-se naquilo que o partido designa como a grande "contradição liberal": um modelo em que o Estado assume todos os custos e riscos - investindo na modernização de infra-estruturas (como na Linha de Cascais) e na compra de comboios com dinheiro público - para depois entregar a operação e os lucros garantidos aos privados. O PCP aponta o exemplo da Fertagus para ilustrar como o Estado assegura compensações financeiras contínuas ao operador privado ao mesmo tempo que impede a CP de operar nessa linha para resolver a falta de capacidade. Como alerta máximo para o futuro do país, é traçado um paralelo detalhado com o fracasso da privatização ferroviária na Inglaterra (iniciada nos anos 90) e o seu actual processo de renacionalização através da Great British Railways. 

    Manuel Gouveia clarifica ainda que esta obra de 340 páginas, rica em dados, tabelas e gráficos, representa um esforço de maturação colectiva e ideológica do PCP que seria impossível de replicar por ferramentas de inteligência artificial, as quais tendem "simplesmente a reproduzir e amplificar a perspectiva económica dominante".

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    Mon, 31 Aug 2026
  • 159 - De Paredes a Pequim sobre carris: a odisseia ferroviária de José Carlos Barbosa

    Neste episódio do podcast Sobre Carris, Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins recebem José Carlos Barbosa, deputado do Partido Socialista. Neste mês de Agosto, o parlamentar realizou uma das viagens mais desejadas por qualquer apaixonado pelo caminho-de-ferro: atravessar a rota transiberiana numa viagem que ligou a sua estação Natal de Paredes, no distrito do Porto, a Pequim, na China.

    José Carlos Barbosa recorda como a sua paixão pelos comboios começou na infância em Paredes e o levou a se formar na escola de aprendizes da CP.

    A viagem rumo a Oriente foi feita com total improviso: uma mochila leve, um passe Interrail comprado online no próprio dia e sem hotéis reservados com antecedência. Ao longo de nove países, o deputado enfrentou peripécias logísticas — como apanhar um táxi à pressa na fronteira entre Valença e Guillarei — e viveu momentos de grande tensão na fronteira com a Bielorrússia. Aí, a "economia informal" das boleias fronteiriças aliou-se ao escrutínio das autoridades bielorrussas, que revistaram o seu telemóvel e chegaram a confundir os seus 20 mil seguidores no Instagram com 20 milhões.

    O episódio aborda também a polémica política gerada nas redes sociais pela sua passagem pela Rússia em tempo de guerra. José Carlos Barbosa defende convictamente a sua liberdade individual de viajar e argumenta que "viajar num país não significa apoiar o seu governo". Partilha ainda o que ouviu dos cidadãos russos com quem partilhou as carruagens abertas do tipo Platskart: um forte sentimento anti-guerra e o desejo de paz.

    No plano ferroviário nacional, o deputado compara a realidade portuguesa com a do leste europeu e da Ásia e deixa alertas sobre a aplicação do novo Passe Ferroviário Verde em Portugal, sublinhando que a medida precisa de ser rapidamente acompanhada pelo reforço da oferta.

    Este episódio é o relato de uma viagem fascinante que passou pelas margens do Lago Baical, pela fronteira com a Coreia do Norte e que terminou na alta velocidade chinesa. No final, fica a promessa de uma próxima aventura: refazer o trajecto do histórico Expresso do Oriente e rumar até à Índia.

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    Wed, 26 Aug 2026
  • 158 - Portugal e Espanha decidem: na bitola ibérica não se mexe

    Neste episódio do Sobre Carris, o debate começa com o facto de que nem Portugal nem Espanha têm interesse real em abandonar a bitola ibérica e migrar a sua rede ferroviária para a bitola europeia. O Governo espanhol calculou que a transição de toda a sua rede para a bitola europeia exigiria um colossal investimento de 30 mil milhões de euros ao longo de 30 anos, tornando inviável qualquer tipo de operação deste género. Mas a bitola não é um problema: o verdadeiro obstáculo à interoperabilidade e às exportações não reside na distância entre carris, mas sim em graves problemas de sinalização, de telecomunicações (e até de linguagem) e nas diferentes tensões de electrificação.

    No que toca ao concurso para a aquisição de novos comboios de alta velocidade para a CP, onde apenas a Alstom e a Talgo foram a jogo, ficamos a conhecer as propostas das duas construtoras e e a decisão da CP de prescindir de um bar a bordo. Optando apenas por máquinas de vending, a CP pode estar a cometer um erro estratégico grave que prejudica a experiência de viagem. Isto acontece numa altura em que a espanhola Renfe se prepara para entrar em força no mercado nacional com os comboios Avril, equipados com bar completo, e em que a B-Rail (do Grupo Barraqueiro) tenta assegurar um acordo-quadro de canais horários junto da IP para obter previsibilidade no seu investimento privado.

    A actualidade fica igualmente marcada pelo anúncio da extensão do Passe Ferroviário Verde - que tem um valor 20 euros mensais - aos comboios suburbanos de Lisboa, do Porto e à Fertagus. Uma promessa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, na festa do Pontal. Mas incentivar a procura sem qualquer reforço de oferta, pode gerar um autêntico "caos" nas horas de ponta em serviços que já circulam hoje bastante sobrelotados. Será esta mais uma medida "populista" por focar-se no embaratecimento da procura sem acautelar a capacidade da infra-estrutura e a qualidade do serviço público?

    Neste episódio olhamos ainda para a situação da Linha do Oeste, que continua com a circulação interrompida a sul das Caldas da Rainha. A IP só contratou os trabalhos de reparação seis meses após as intempéries do ínicio do ano, estimando-se agora que a reabertura total da linha, e, previsivelmente, já com tracção eléctrica parcial, ocorra apenas no início de 2027.

    Por fim, o Sobre Carris assinala o centenário da electrificação da Linha de Cascais, celebrado neste mês de de Agosto. Esta que foi a primeira linha ferroviária do país a abandonar a tracção a vapor, através de um investimento privado de Fausto Figueiredo que constituiu a primeira parceria público-privada nacional. Ainda assim, esta efeméride histórica foi completamente ignorada e votada ao silêncio pelas administrações da CP e da IP.

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    Thu, 20 Aug 2026
  • 157 - O que se passa com a linha de alta velocidade Évora-Elvas que ainda não abriu?

    É Agosto, mas o Sobre Carris não pára. Neste episódio, trazemos para a mesa de debate um mês de contrastes na ferrovia nacional e europeia, onde as contas positivas e os investimentos milionários colidem de frente com a realidade dos atrasos diários e dos bloqueios burocráticos.

    O programa arranca com as contas da CP, que no papel parecem excelentes ao registar um lucro de quase 5 milhões de euros em 2025 e novos máximos de passageiros (muito impulsionados pelo Passe Ferroviário Verde). No entanto, a realidade revela que a operadora foi multada em 1,18 milhões de euros devido à falta de pontualidade por falhas da sua exclusiva responsabilidade. Em causa estão os prolongados tempos de paragem nas estações, provocados pela escassa informação aos utentes — que andam perdidos pelas plataformas sem saber onde o comboio vai parar — e pela persistência de degraus acentuados no acesso aos comboios regionais e suburbanos.

    A viagem prossegue até ao Alentejo, onde a linha Évora-Elvas (a primeira com características de alta velocidade em Portugal e que representou um investimento de 460 milhões de euros) continua vazia, apesar de as obras de construção terem terminado em Janeiro de 2026. O impasse deve-se a atrasos da Infraestruturas de Portugal (IP) na entrega do processo de homologação ao IMT, o que ameaça a mobilidade de Évora precisamente nas vésperas de se tornar a Capital Europeia da Cultura em 2027. Sem composições de alta velocidade próprias para os testes necessários a 250 km/h, o país continua dependente do aluguer de comboios a Espanha para validar a infra-estrutura.

    O episódio aborda ainda o desastroso planeamento em eventos de massas, ilustrado pelo concerto de David Guetta na Bobadela. Com a estação local encerrada por motivos de segurança, o público foi obrigado a caminhar até Sacavém. E quando um incêndio cortou a Linha do Norte, a CP demonstrou uma total falta de flexibilidade e planos de contingência, revelando-se "preguiçosa" ao limitar-se a fazer comboios de Sacavém para Lisboa em vez de escoar os passageiros até onde a via o permitia. Este desinteresse político e operacional pela proactividade ferroviária culminou no insólito transporte de autocarro, do Porto à Régua, dos convidados para as comemorações dos 25 anos do Douro como Património da Humanidade, preterindo o próprio comboio em que iam acabar por viajar.

    A fechar o episódio, o programa analisa um relatório do Senado francês que faz um sério aviso contra os riscos da liberalização ferroviária. O documento alerta que a entrada de operadores privados nas rotas de alta velocidade mais rentáveis destrói as economias de escala a nível nacional, prejudica as receitas da operadora pública histórica para manter linhas deficitárias e compromete a coesão territorial, sugerindo, de forma inédita, que o financiamento para evitar a degradação da rede passe a vir das portagens das auto-estradas.

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    Thu, 06 Aug 2026
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