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Semanalmente, em média, damos-lhe conta da actualidade desportiva. Destaque para o desporto lusófono, nomeadamente em África, diáspora e a França.

581 - África Lusófona em boa postura nas eliminatórias do CAN
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  • 581 - África Lusófona em boa postura nas eliminatórias do CAN

    As selecções lusófonas entraram em campo rumo à Taça das Nações Africanas (CAN), com resultados distintos. Entre vitórias, empates e derrotas, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe começaram a definir o seu percurso nesta fase de qualificação. 

    Africa lusófona está em boa postura neste início de eliminatórias do Campeonato Africano das Nações. A Guiné-Bissau criou surpresa ao vencer o jogo contra a Tanzânia por 2 a 0, na sexta-feira 25 de Setembro. 

    Em conferência de imprensa, antes do jogo, o seleccionador nacional da Guiné-Bissau, Emiliano Té, recordou que a Tanzânia já se apurou para o CAN, sublinhando que a equipa guineense está motivada e determinada. 

    Emiliano Té: "A selecção de Tanzânia e uma boa selecção. Nós temos noção do que ela é capaz de fazer. Vai ser um jogo difícil porque a Tanzânia, mesmo já qualificada, vai querer mostrar à sua população que estão preparados para fazer um bom CAN. Mas os nossos jogadores estão animados e preparados com este objectivo difícil, mas não impossível".

    Foi Franculino Dju que marcou o primeiro golo aos 33 minutos de jogo, e Mama Baldé marcou já na segunda parte, aos 59 minutos.  

    Opróximo jogo dos Djurtus da Guiné-Bissau sera contra a Nigéria, esta terça-feira 29 de setembro, no Estádio Nacional 24 de Setembro, em Bissau. E é esta segunda-feira que a selecção realiza a última sessão de treino, às 17 horas locais! 

    No mesmo tempo,Moçambique empatou 1-1 com o Senegal, no jogo de estreia de Patrick Vieira no comando da selecção senegalesa. Foi uma estreia positiva para Moçambique frente a um dos adversários mais fortes do grupo.

    No mesmo grupo, para além de Moçambique e Senegal estão o Sudão e a Etiópia. 

    Os Mambas já estão em preparação para o próximo desafio, contra o Sudão, um jogo a decorrer esta terça-feira no Estádio Nacional de Maputo (Estadio Nacional do Zimpeto). Os moçambicanos jogam novamente em casa mas, o Sudão chega ao encontro, confiante, depois de ter vencido a Etiópia por 1-0. 

    Em conferência de imprensa, o seleccionador moçambicano Chiquinho Condé, considerou que "o desafio permanece" e convidou o público a vir transmitir força: 

    "Não perder com Senegal é um bom resultado. Temos que ter humildade e respeitar sempre o adversário. Esta equipa do Sudão não é uma equipa qualquer, como muitos devem estar a imaginar. Queremos pedir encarecidamente que o público compareça em massa! Temos que ganhar mesmo."

    As coisas correram menos bem paraCabo Verde, para quem a campanha começou com uma derrota, fora de casa. Em Bamaco, o Mali venceu 3 a 1. No mesmo grupo estão ainda a Libéria e o Ruanda, e é precisamente contra o Ruanda que Cabo Verde vai medir forças no próximo jogo, esta terça-feira 29 de setembro, na Cidade da Praia.  O Ruanda também venceu na 1.ª jornada, por 3-1 à Libéria, portanto será um confronto entre duas equipas que procuram os primeiros lugares do grupo. 

    Angolaconseguiu um grande feito, já que empatou contra o Egipto, uma das maiores nações africanas de futebol! Os Palancas Negras empataram 0-0 com o Egipto, no Cairo, a 25 de setembro.

    O próximo desafio dos Palancas Negras será contra o Malawi, a 6 de Outubro, em Luanda. O Malawi que começou a campanha com uma vitória por 2-1 sobre o Sudão do Sul, pelo que lidera o grupo com 3 pontos. Antes do jogo, em conferência de imprensa falou Agostinho Cristóvão Paciência, mais conhecido por Mabululu, que, junto do seleccionador senegalês Aliou Cissé, disse estar "confiante mas consciente de ser necessária muita concentração".

    E para terminar esta ronda das equiaps lusófonas nas eliminatórias da CAN, falemos de São Tomé e Príncipe. 

    O arquipélago teve de disputar a ronda preliminar das eliminatórias, por estar entre as selecções com pior ranking. O adversário foi a Etiópia, contra quem os sao tomenses perderam por 3 a 0, num encontro disputado em El Jadida, Marrocos. Na segunda mão, a 31 de março, São Tomé e Príncipe perdeu novamente, desta vez por 0-1. 

    Mon, 28 Sep 2026
  • 580 - Kylian Mbappé, candidato à Bola de Ouro: "Penso que este é um bom ano para mim"

    Em Madrid, Kylian Mbappé concedeu uma entrevista exclusiva à redacção francesa da RFI. O jogador francês, que disputa a Bola de Ouro, reafirma o seu espírito competitivo, e projeta um futuro com Zinedine Zidane. Nesta entrevista traduzida para português, o capitão da selecção francesa fala da força das suas raízes argelinas e camaronesas e espera contar com o apoio do continente africano na sua corrida ao prémio Bola de Ouro.

    RFI : Kylian Mbappé. Bom dia.

    Kylian Mbappé: Bom dia. Bom dia.

    RFI : A Bola de Ouro é uma obsessão?

    Não, não, não. Acho que é um objectivo para qualquer jogador, penso que para qualquer competidor. Mas uma obsessão? Não, não penso que seja.

    RFI : Está numa campanha, considera que este ano pode ser o ano certo. Porquê?

    Porque tive um bom ano. Tive um grande ano a nível individual, sei que é o critério mais importante para a Bola de Ouro. Fui o melhor marcador em todas as grandes competições e penso que este pode ser um bom ano para mim e sinto-o.

    RFI : A competição nunca pareceu tão aberta.

    Sim, é o que se diz. Não sei. Não conheço toda a história da Bola de Ouro, mas é verdade que se fala muito de uma disputa aberta, por isso é agradável, é agradável ver, é agradável participar e penso que também diverte as pessoas.

    RFI : Ficaria desiludido se este não fosse o ano certo? É a nona vez.

    Claro, claro. Penso que, como disse, um competidor, quando não ganha, fica sempre desiludido. Portanto, a partir desse momento, penso que será mais a minha alma de competidor a ser afectada. Mas depois vamos ver como vai correr.

    RFI : Vemo-lo muito, ouvimo-lo muito, com declarações que lhe são próprias. Conhecemo-lo. "Fui sempre o escolhido. Não houve ninguém melhor do que eu na época passada". É o que diz.

    Sou eu.

    RFI : Compreende que isso possa talvez chocar algumas pessoas em França ou levá-las a dizer...

    Sim, claro, claro, claro. Depois, em França, há muitas coisas que chocam. Portanto, não tenho nenhum problema com isso. Nunca quis agradar a toda a gente, não sei o que isso é, não é possível. Mas eu não consigo ser outra pessoa, por isso não vou tentar aprender a ser outra pessoa. Tento ser eu próprio, com as minhas qualidades e os meus defeitos, com as minhas conquistas e os meus fracassos. E avanço assim.

    RFI : Voltemos à Bola de Ouro e à corrida pela Bola de Ouro. Estamos alguns meses depois do Campeonato do Mundo. Já digeriu este Campeonato do Mundo? Foi um sucesso individual perfeito, mas um pouco decepcionante a nível colectivo.

    Não diria que foi decepcionante. Porque, sabe, quando não ganhamos, ficamos sempre desiludidos. Mas penso que demos uma boa imagem do nosso país. Éramos uma equipa agradável de ver jogar e penso que as pessoas, os franceses, tiveram muito prazer em ver-nos jogar e penso que o mundo inteiro teve muito prazer em ver-nos jogar. Depois, só há uma equipa que ganha, é sempre assim. Tentámos dar o nosso melhor, mas não conseguimos. Desta vez, teremos de voltar a tentar a nossa sorte.

    RFI : A nível individual. Está no topo, à frente de Messi, e ainda tem, espero, mais um ou dois Campeonatos do Mundo pela frente.

    Não sei, mas... Mas é claro que é algo incrível ter essa sensação. É algo de que não me apercebi necessariamente, porque sabe, quando estamos no calor da acção, queremos simplesmente avançar para o próximo objectivo e jogar sempre o próximo jogo, marcar o próximo golo. Mas é verdade que, quando terminei e fui de férias, toda a gente só me falava disso, de ser o melhor marcador da história do Campeonato do Mundo. Percebe-se a importância que tem o Campeonato do Mundo enquanto competição! É a maior competição desportiva e marca as pessoas.

    RFI : E isso é importante na corrida pela Bola de Ouro. Evidentemente, é isso que é preciso destacar. Falava de competição, foi o melhor marcador, a Liga, a Liga dos Campeões... A Bola de Ouro é, para si, uma recompensa individual?

    Sim, penso que sim. Não sei quando é. É em outubro. Eles não vão anunciar uma equipa dentro do envelope. Vão anunciar um jogador. Portanto, penso que é um troféu individual e penso que é isso que deve prevalecer. Depois, claro, não se deve apagar tudo o resto, mas penso que a capacidade de ter um desempenho individual e de deslumbrar, é isso que marca as pessoas para um troféu como a Bola de Ouro.

    RFI : Então, também não se deve apagar Didier Deschamps, que esteve aqui durante quatro anos.

    Impossível. Impossível.

    RFI : Com um sucesso excepcional, grandes anos. Vai passar para outro selecionador, com um primeiro jogo contra a Turquia. É Zinédine Zidane. Está ansioso por reencontrar estes Bleus numa nova configuração? 

    Claro, claro. Dar a César o que é de César. O que o Didier Deschamps fez na selecção francesa é incrível. Marcou a história. Voltou a colocar verdadeiramente a selecção francesa no lugar onde deve estar. Por isso, estaremos sempre gratos. Agora, é uma nova etapa, uma nova etapa com um novo treinador. Vamos ver como vai correr. E é sempre assim quando começa: é novo. Portanto, vamos ver, vamos ter de ganhar os nossos pontos de referência, mas depois vamos ser imediatamente postos à prova e vamos ter de voltar imediatamente a ganhar, porque é isso que as pessoas esperam de nós.

    RFI : Evidentemente, a selecção francesa é sempre esperada lá no topo. Vai agora ter Zinédine Zidane como seleccionador. Já falou com ele ou, para além de se terem cruzado, no âmbito destas novas funções?

    Não, vou esperar. Vou esperar para o ver em Clairefontaine. Penso que não há nada melhor do que vê-lo no castelo e falar realmente sobre aquilo que queremos. Estamos na mesma cidade, por isso já nos cruzámos várias vezes e já nos conhecíamos antes, mas estou mesmo à espera de chegar ao castelo para perceber realmente o que ele espera de nós enquanto equipa, o que espera de mim enquanto jogador, e depois veremos como vai correr

    RFI : Ele deixou um grande legado no Real Madrid.

    Ele deixou um grande legado em todo o lado. Mas sim, claro, faz parte dos grandes jogadores que passaram pelo Real Madrid e estamos muito contentes por ele ser francês e por ter transmitido aqui em Madrid essa imagem da França.

    RFI : Novo seleccionador e novo treinador. É um regresso com tudo novo para si? Tem José Mourinho aqui no Real. Também é uma personalidade que temos vontade de conhecer quando somos um jogador como o senhor.

    Sim, claro. É alguém que sempre quis ter como treinador. Sempre despertou a minha curiosidade. É um homem extremamente inteligente, que sabe muito bem o que tem de fazer. É um líder. E depois, como treinador, é um dos melhores treinadores da era moderna do futebol. Por isso, é sempre um prazer aprender e estar diariamente com pessoas desta dimensão.

    RFI : Está tudo bem, então.

    Sim, está tudo bem. Há coisas piores na vida.

    RFI : Falemos de África. Quais são os seus laços actualmente? Sabemos que a sua mãe é de origem argelina e o seu pai de origem camaronesa. É importante para si? É algo com que cresceu, com a sua educação, com as suas origens?

    São as minhas origens. Sempre tive uma educação com uma cultura africana, apesar de ter nascido em França e ter feito tudo em França. Nunca cortei a ligação às minhas raízes, às minhas origens. Penso que isso é importante porque, por um lado, também faz parte da pessoa que somos, dos valores que nos são transmitidos, e penso que isso é importante. Voltei aos Camarões há pouco tempo. Ia lá de três em três anos quando era pequeno. Foi realmente um momento fantástico. Passei um momento fantástico e, sempre que vou a África, sou sempre extremamente bem recebido. Sinto o carinho das pessoas e isso é realmente importante e muito gratificante, sentir o apoio de todo um continente desta forma.

    RFI : Vimo-lo também na CAN. Bom, aí estava com o seu amigo Achraf Hakimi.

    Mas fui ver a Costa do Marfim, os Camarões também. Um grande jogo. Foi em Marraquexe, mas eu gosto de ver os jogos e a CAN. Foi uma competição fantástica. Fiquei muito contente. Fui apoiar um amigo, claro, mas queria ver vários jogos. Penso que o nível hoje é excelente. É um nível muito elevado. Vemos as equipas. Também o vimos no Campeonato do Mundo. São equipas que olham todas as equipas nos olhos, olhos nos olhos. São agora das melhores equipas do mundo e penso que é um futebol que também gosto de ver.

    RFI : Eram dez as selecções africanas, pela primeira vez, no Campeonato do Mundo. Vamos voltar a falar, aliás, deste Campeonato do Mundo e do seu formato. Nove passaram a primeira fase, depois as coisas correram um pouco pior. Tivemos até uma declaração de Rudi Garcia, o treinador da Bélgica, que eliminou o Senegal, mais ou menos neste sentido: "Sim, sabemos como estas equipas jogam". O que pensa disso, destas caricaturas? Ou, para ser mais exacto, destes estereótipos?

    Penso que não é apenas em relação a África, é em todo o futebol. Toda a gente tem uma caricatura de toda a gente. Às vezes confirma-se, outras vezes não. Tudo o que sei é que, por ter jogado contra equipas africanas este verão e anteriormente, é muito difícil, é muito difícil. São equipas que são difíceis de contrariar e penso que ganharam muita confiança porque perceberam que podiam vencer qualquer pessoa. Por isso, jogam sem medo, sem receio. E, realmente, são equipas perigosas porque evoluíram muito, progrediram muito e hoje, para nós, é sempre um desafio jogar contra estas equipas.

    RFI : Que olhar tem sobre os jogadores binacionais? Vimos Ayoub Bouadi escolher Marrocos. Ibrahim Beye, com quem provavelmente se cruzou no PSG. Optou pelo Senegal. Tem um irmão que poderá vir a jogar pelos sub-21, que está no Lille. Talvez um dia possa escolher jogar pela Argélia ou pelos Camarões. Qual é a sua opinião, a sua posição?

    É pessoal, é algo muito pessoal. Penso que é algo que deve ser profundo, que deve vir de dentro de nós e da nossa história de vida. Cada um tem uma história de vida diferente, cada um tem uma relação diferente com o país que quer representar. E penso que, quando falamos do país, temos realmente de falar do amor pelo nosso país e da história que temos com esse país, e não apenas de um projecto desportivo. Portanto, essa é uma questão que deve ser colocada a quem passa por isso, porque é realmente algo que é próprio de cada pessoa.

    RFI : E depois, sim, vemos isso na selecção francesa, que também é rica pela sua história e pelos seus jogadores que nasceram em França e escolheram vestir a camisola azul.

    Sim, claro. A partir do momento em que és francês e nasceste em França, fizeste toda a tua formação na selecção francesa. Penso que não há nada mais natural. É por isso que digo que é muito pessoal. Cada um em função da sua história, de como foi formado, de como as coisas aconteceram consigo, da história que tem com o país em questão. E penso que, quando é uma escolha que vem do coração, é difícil contestá-la ou comentá-la.

    RFI : África representa 20% dos votos para a Bola de Ouro. Há 100 votantes, 20 seleções africanas fazem parte das 100 primeiras nações do mundo. É importante. Que mensagem gostaria de lhes transmitir?

    Penso que, antes de mais, quero simplesmente agradecer-lhes pelo apoio que me deram durante todos estes anos. Não é algo que tenha mudado, sempre foi assim. Sempre me senti muito acarinhado cada vez que pus os pés no continente africano. E depois, claro, claro, penso que, tendo eu origens africanas, é evidente que fico sempre contente. Como disse, quando as pessoas falam bem de mim, me associam a este prémio, à Bola de Ouro, isso é realmente gratificante para mim. E pronto, quero simplesmente agradecer-lhes por tudo e espero, claro, poder regressar com a Bola de Ouro. Ficarei contente porque, de uma forma ou de outra, também poderei dedicá-la a eles.

    RFI : Kylian Mbappé, obrigado.

    Muito obrigado.

    Sat, 26 Sep 2026
  • 579 - Mundial e CAN feminino "trouxe visibilidade para atletas africanos e afrodescendentes"

    O Verão ficou marcado por grandes competições internacionais de futebol, tanto masculino, no Mundial de Futebol, como feminino, no CAN que decorreu em Marrocos. Após estas competições, é importante aproveitar as oportunidades, mas também apostar na boa governação e nos valores do desporto, como explicou a agente desportiva Maria Tavares Malfoy.

    Maria Tavares Malfoy tem quebrado muitos tectos de vidro na gestão desportiva. Criada entre três países — Portugal, Cabo Verde e França —, Maria Tavares Malfoy seguiu o seu sonho de se consagrar à gestão desportiva, tendo trabalhado de perto com várias equipas de futebol e ainda com as selecções do Brasil, Angola e Cabo Verde, tendo conseguido tornar-se, em 2024, a primeira cabo-verdiana a conseguir a licença FIFA Match Agent, um título que lhe permite organizar jogos amigáveis entre clubes e selecções.

    Actualmente, Maria Tavares Malfoy é fundadora e líder da agência AGFM, Africa's Global Football Management, trabalhando com talentos em Cabo Verde, mas também noutros países africanos, para promover os atletas, aliando à parte desportiva a importância do desenvolvimento sustentável e da boa governação.

    "Trabalhamos a nível global, mas o nosso objectivo é o futebol africano, que seja futebol jovem, futebol feminino e é a boa governação. Então, trabalhamos em todas as partes, porque temos uma licença FIFA para organizar jogos, para organizar campos de treino. Então, claro que nós não organizamos só em Cabo Verde, só em África, mas em todo o lado, consoante as federações ou as equipas profissionais com quem nós conseguimos trabalhar", explicou.

    Maria Tavares Malfoy marcou presença num evento organizado pela comunidade cabo-verdiana em França sobre o pós-Mundial de 2026 e quais as oportunidades para a diáspora. Para esta agente desportiva, este evento trouxe visibilidade para África, mas também para os afrodescendentes.

    "[O Mundial colocou] Não só o holofote nos jogadores africanos, mas também afrodescendentes, que jogam também aqui no Campeonato francês e nos campeonatos europeus. Nós sabemos que os campeonatos europeus são dotados de 80% dos grandes talentos africanos, então já sabemos o peso que os atletas africanos têm. E, obviamente, esse Mundial trouxe visibilidade e os clubes souberam aproveitar. Do outro lado tivemos também o CAN feminino, que aconteceu agora há pouco em Marrocos, com a equipa feminina de Cabo Verde a participar pela primeira vez. E esteve bem porque até empatou com a equipa que ganhou o título. E até tivemos o MVP do jogo. Então, para Cabo Verde foi um primeiro passo e vai continuar a evoluir ainda mais. Uma das atletas que chegou até à final e que ganhou à selecção de Camarões acabou de assinar um contrato de três anos nos Estados Unidos. É uma consequência do trabalho dela e também da evolução do futebol feminino [...] E com isto trazem-se as ideias das infraestruturas, as academias, a boa governação das entidades públicas e das autoridades públicas, tanto em Cabo Verde como nos outros países africanos", detalhou.

    A participação dos Tubarões Azuis no Mundial não foi uma surpresa para esta agente desportiva, que já esperava este desempenho desde a fase de qualificação, e a evolução não pode parar aqui.

    "Acredito que já tivemos estes resultados e agora não podemos recuar. Agora é só mesmo progredir. Acredito que todas essas federações implicadas no Mundial e não só. Acho que, sobretudo, as que não participaram, também vão fazer de tudo para organizar-se em casa, para poderem estar no próximo e para poderem estar presentes também nessa grande competição também, que é a Taça de África, o CAN, que hoje também já ganhou um peso tremendo ao nível de visibilidade, especialmente a nível dos patrocínios e da atenção. Então, acredito que há muito por fazer. Mas é fazendo que vamos construindo as coisas. Então é valorizar os pequenos passos, mas que estão a trazer resultados", concluiu Maria Tavares Malfoy.

    Mon, 21 Sep 2026
  • 578 - Uisma Lima, ascensão meteórica no boxe mundial

    O pugilista luso-angolano Uisma Lima está a preparar-se para o seu próximo combate que vai ter lugar em França, a 14 de Novembro, em Levallois-Perret.

    A ascensão de Uisma Lima tem sido meteórica. Em poucos anos, o atleta nascido em Angola, conhecido como o ‘Monstro’, tem acumulado vitórias e cinturões, sinónimo de Campeão nessa categoria. 

    A 14 de Novembro, o pugilista luso-angolano, de 33 anos, vai defrontar o francês Bakary Samaké, jovem de 23 anos e promessa do boxe gaulês. 

    Um desafio, mais um, para Uisma Lima que coloca na mesa o cinturão WBC (World Boxing Council) Internacional, enquanto o francês coloca em jogo o cinturão WBC Silver.Em termos de hierarquia no boxe, o cinturão do francês é mais importante e mais apetecível para Uisma Lima que quer chegar a patamares ainda mais altos. 

    De notar que no ranking mundial, o francês ocupa o quinto lugar, enquanto Uisma Lima está na 17ª posição.

    A RFI esteve presente na conferência de imprensa e no 'face-off', um frente a frente diante dos meios de comunicação, que decorreu no Paris Élysées Club, na capital francesa. Um ritual que nem sempre corre bem, mas aqui os dois pugilistas mostraram muito respeito um para o outro. 

    Ao microfone da RFI, Uisma Lima, com quem já tínhamos falado há cerca de dois anos,revelou-nos a ambição para este combate. 

    Uisma Lima, enquanto profissional, conta com 16 triunfos e apenas duas derrotas, tendo já conquistado vários cinturões:IBF (International Boxing Federation) Inter-Continental e IBO (International Boxing Organization) SuperWelter, menos de 70 quilos. 

    Recorde-se que há quatro organizações reconhecidas de boxe: WBC, WBA, WBO e IBF.

    No complexo Desportivo Marcel-Cerdan, do nome da antiga lenda do boxe francês, a 14 de Novembro, Uisma Lima vai tentar alcançar um cinturão nunca antes conquistado por um atleta angolano ou português.

    Fri, 18 Sep 2026
  • 577 - Sofia Araújo, a estrela do padel português

    O torneio parisiense de padel, Alpine Paris Major, ficou encerrado neste domingo 13 de Setembro com os triunfos de Arturo Coello e de Agustin Tapia nos masculinos e de Ariana Sánchez Fallada e de Andrea Ustero Prieto nas femininas.

    O circuito mundial de Padel, Premier Padel, esteve em Paris para o torneio parisiense, o Alpine Paris Major.Actualmente há quatro ‘Major’, os principais torneios do circuito, incluindo o torneio parisiense que decorre nos terrenos dedicados a Roland-Garros, a prova de ténis, mas com a adaptação aos quadros de padel.

    Cinco atletas portugueses estiveram presentes na capital francesa:Clarinha Santos, Ana Catarina Nogueira e Sofia Araújo na vertente feminina e Miguel Deus e Nuno Deus nos masculinos.

    Clarinha Santos foi eliminada nas qualificações, enquanto Ana Catarina Nogueira e a dupla Miguel Deus e Nuno Deus foram eliminados na primeira ronda do quadro principal.

    Quanto a Sofia Araújo, que fazia dupla com a espanhola Marta Ortega Gallego, chegou às meias-finais, vencendo três encontros, inclusive as segundas cabeças-de-série, a dupla espanhola composta por Paula Josemaría Martín e por Beatriz González Fernández, nos quartos-de-final em três sets com os parciais de 2-6, 7-6 e 7-6 em três horas e 14 minutos.

    Nas meias-finais, frente às terceiras cabeças-de-série, as espanholas Ariana Sánchez Fallada e Andrea Ustero Prieto, a atleta portuguesa acabou por ser eliminada.

    Sofia Araújo e Marta Ortega Gallego venceram o primeiro set por 7-5, mas acabaram por perder os dois sets seguintes por 4-6 e 1-6 num jogo que durou duas horas e 20 minutos.

    A RFI teve a oportunidade de falar com Sofia Araújo, atleta de 31 anos que já venceu três torneios:em 2025 em Bordéus, no Sul da França, e dois em 2024 no Egipto e em Itália, no circuito Premier Padel.

    Em entrevista à RFI, Sofia Araújo abordou a importância do torneio parisiense e o facto de ser a figura de proa do padel português.

    Sofia Araújo, atleta portuguesa, acabou por cair nas meias-finais do torneio de Paris diante da dupla que venceu a prova.

    Passamos ao ténis,

    O US Open terminou este fim-de-semana em Nova Iorque com duas consagrações diferentes.Elena Rybakina chegou ao topo do ténis feminino e Alexander Zverev fechou uma velha conta com Flushing Meadows. Lígia Anjos resume as duas finais.

    Para fechar, as competições africanas de futebol,

    A primeira pré-eliminatória da Liga dos Campeões e da Taça da Confederação ficou encerrada com a segunda mão, que decorreu durante este fim-de-semana.

    Das oito equipas que representaram a África Lusófona nesta primeira pré-eliminatória, cinco conseguiram seguir em frente:os quatro clubes angolanos e um moçambicano, enquanto os dois guineenses e um moçambicano foram eliminados.

    Na Liga dos Campeões, houve um duelo 100% lusófono entre os angolanos do Petro de Luanda e os moçambicanos da UD Songo, em Luanda, capital angolana.

    Na segunda mão, as duas equipas empataram a duas bolas. Um resultado suficiente para o Petro de Luanda que tinha vencido por 1-0 na primeira mão.

    Na segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões, o clube angolano vai medir forças com o Scottland F.C. do Zimbabué.

    Quanto aos angolanos do Wiliete de Benguela apuraram-se, pela primeira vez, para a segunda pré-eliminatória da prova africana.Na segunda mão o Wiliete de Benguela venceu o Foresters FC das Ilhas Seicheles por 1-0. De referir que na primeira mão, o Wiliete de Benguela já tinha vencido por 4-0.

    Na segunda pré-eliminatória da Liga dos Campeões,o clube angolano vai defrontar o detentor do título, o Mamelodi Sundowns da África do Sul.

    Isto enquantoos guineenses do FC Canchungo foram eliminados com duas derrotas pela margem mínima por 1-0 frente aos senegaleses do Teungueth FC, nesta que era a primeira participação do clube da Guiné-Bissau na Champions League.

    Na Taça da Confederação, os guineenses da União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB) também foram eliminados, isto apesar do triunfo por 1-0 na segunda mão na capital da Guiné-Bissau. No entanto, na primeira mão, os nigerianos do El-Kanemi Warriors tinham vencido por 3-0.

    Quanto aos moçambicanos do Black Bulls empataram sem golos na segunda mão diante do Atomic Ngomé das Comores. Um resultado suficiente visto que a equipa de Moçambique tinha triunfado por 1-0 na primeira mão.

    Na segunda pré-eliminatória da Taça da Confederação, o clube moçambicano vai defrontar o Rayon Sports do Ruanda.

    Em relação aos dois clubes angolanos, o Kabuscorp apurou-se por 5-1 no conjunto das duas mãos diante do UNAM da Namíbia, enquanto o Primeiro de Agosto triunfou por 4-0 no conjunto das duas mãos frente ao Green Mamba FC de Essuatíni.

    Na segunda pré-eliminatória da Taça da Confederação, o Kabuscorp mede forças com o Maniema Union da República Democrática do Congo, enquanto o 1° de Agosto defronta o DC Virunga, igualmente da República Democrática do Congo.

    Os vencedores da segunda pré-eliminatória de ambas as provas apuram-se para a fase de grupos.

    De referir ainda que nenhuma equipa cabo-verdiana e nenhum clube são-tomense participaram nas competições africanas de futebol masculino.

    Mon, 14 Sep 2026
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