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Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino.
- 82 - Mariana Gil: “A mulher cigana ainda é vista como um ser incapaz, primitivo”
Antes de falarem sobre o seu trabalho, as suas escolhas ou os seus sonhos, há sempre uma pergunta que se impõe: quem são? Ou, mais exactamente, por que são como são? Para muitas pessoas ciganas, esta é uma realidade quotidiana, porque certas identidades vivem sob uma exigência permanente de explicação.
Neste episódio do podcast Um Género deConversa, Maria Gil e Mariana Gil, mãe e filha, contam-nos as suas experiências individuais enquanto mulheres e ciganas, nascidas em gerações distintas. Actriz, activista e uma das vozes mais influentes do feminismo cigano em Portugal, Maria Gil dedicou grande parte da sua vida a combater os estereótipos e criar pontes de diálogo: “Digo sempre que sou mulher e cigana. A minha primeira condição é ser humana, o acréscimo é a minha cultura”, afirma.
Já a sua filha, Mariana, que soma as palavras "afrodescendente" e "estudante" a esta descrição, pertence a uma geração que colhe os frutos desse legado de afirmação, porém, continua a enfrentar preconceitos antigos, agora confrontados com novas formas de discriminação. Como diz, “a mulher cigana ainda é vista como um ser incapaz, primitivo”.
"Eu nasci para existir. Obrigaram-me a resistir", resume Mariana Gil, que terminou a licenciatura com uma média de 18 valores e conseguiu uma bolsa de Mestrado em Communication, Media and Creative Industries da Sciences Po Paris, uma das universidades mais prestigiadas do mundo na área das Ciências Sociais.
Para conseguir fazer face aos custos associados à estadia em França, e, assim, poder cumprir as suas ambições de formação, abriu uma campanha online de angariação de fundos. “O mérito, quando não és uma pessoa branca, não és um homem ou não tens certas potencialidades económicas, leva-te até um certo ponto, mas a ousadia leva-te a outro lugar”.
Ao longo da conversa, mãe e filha reflectem sobre o peso da resistência permanente, a importância da educação, o papel do feminismo e a necessidade de construir referências positivas para as gerações mais novas. Maria Gil confessa o cansaço de educar os filhos para uma militância constante, enquanto Mariana descreve o desgaste de sentir que a sua identidade continua a ser recebida com surpresa ou desconfiança.
O episódio aborda ainda a invisibilidade das mulheres ciganas nos espaços públicos, a urgência de abandonar narrativas simplistas que reduzem pessoas a caricaturas e os preconceitos persistentes em torno das comunidades ciganas em Portugal, acentuados pelo crescimento das narrativas populistas da extrema-direita.
“Há quem ande com fardos às costas, eu ando com a extrema-direita. Portugal tem desde há quinhentos anos uma raiz muito bem nutrida sobre o anticiganismo, foi um alvo fácil.”.
Mas mais do que falar sobre discriminação, Maria e Mariana Gil convidam a pensar sobre liberdade: a liberdade de cada pessoa definir a sua própria identidade, sem precisar de pedir legitimidade ao olhar dos outros.
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Wed, 07 Oct 2026 - 81 - Maria Rueff: “Já não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes”
Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Maria Rueff fala sobre o seu percurso de quatro décadas, a condição das mulheres na comédia, o envelhecimento, a liberdade de expressão e as dificuldades de uma profissão em que o talento nem sempre determina as oportunidades. A conversa atravessa a sua relação com o teatro, a maternidade, o enfarte que quase lhe tirou a vida e a necessidade de continuar a encontrar sentido no trabalho.
A actriz recorda as mulheres que abriram caminho na comédia portuguesa, de Maria Matos a Laura Alves, Beatriz Costa ou Ivone Silva, sublinhando a coragem de quem fez humor num tempo de ditadura. “Foram mulheres cultíssimas, foram mulheres que num tempo em que vivíamos em ditadura tinham uma coragem.” O reconhecimento desse legado não a impede, contudo, de assinalar as desigualdades que persistem. Quando questionada sobre as oportunidades dadas a homens e mulheres, responde: “De facto, não é igual, continua a não ser igual.”
A reflexão estende-se às transformações do mercado de trabalho e à crescente importância da popularidade digital. “Não és contratado pelo talento, és contratado pelos likes. E os likes não correspondem muitas vezes ao talento”, afirma. Para Maria Rueff, que se tem dedicado aos palcos do teatro, a lógica das redes sociais veio acrescentar uma nova pressão a uma profissão que exige tempo, experiência e uma relação continuada com o público.
Embora assuma que sempre teve “pouca autoestima enquanto mulher”, Maria Rueff recusa a ideia de que envelhecer deva significar desaparecer ou deixar de ser desejável. “O direito à diferença é permitir-nos envelhecer como uma árvore envelhece”, diz, evocando a transformação do tronco, das folhas e dos frutos. No teatro, acrescenta, a experiência pode ser uma vantagem: “É como o vinho do Porto, quanto mais velho, quanto mais experiência, melhor.”
A liberdade de fazer humor é outro dos temas centrais desta conversa. A actriz lamenta que o humor seja frequentemente associado à humilhação e ao bullying, defendendo a importância de distinguir a provocação artística do insulto. “Eu tenho pena do humor agora estar sempre associado a isso, à humilhação, ao bullying”, afirma, acrescentando que a liberdade de expressão não dispensa uma reflexão sobre os limites éticos de quem cria.
Apesar das dificuldades, Maria Rueff não apresenta a resistência como uma palavra abstracta. É uma prática quotidiana, feita de propostas, tentativas e persistência. “O que é que eu posso fazer? Posso não desistir, ser resistência e ir tentando diariamente propor projetcos.” Entre a vontade de continuar a trabalhar e a consciência de que nem todas as decisões dependem de si, a actriz encontra no teatro, no amor da filha e na relação com o público algumas das razões para continuar.
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Wed, 30 Sep 2026 - 80 - Estreia. "O Homem Que Matou Duas Vezes". Episódio 1: O Apelo
Um homem mata uma ex-namorada. Uma amiga da vítima pede que se averigue o que falhou, uma vez que ele já antes matara uma ex-namorada, cumprira pena de prisão e estava ainda em liberdade condicional. O que falhou?
O Homem Que Matou Duas Vezesé uma investigação de Ana Cristina Pereira, que escreveu os guiões e faz a narração, com produção de Inês Rocha, revisão de Inês Rocha e Sara de Melo Rocha, sonoplastia de Margarida Adão, música do genérico de Tiago Orato, ilustrações de José Carvalheiro e produção executiva de Amílcar Correia.
A série narrativa, de sete episódios, vai além da reconstrução dos crimes cometidos por João Pedro Oliveira. Recupera a história das vítimas e do homem que as matou ao mesmo tempo que escrutina o sistema.
Para conhecer a história toda, ouça os próximos seis episódios.
Se precisa de ajuda, ligue para o Serviço de Informação às Vítimas de Violência Doméstica da CIG: 800 202 148. Ou para a linha de Apoio à Vítima da APAV: 116 006.
Outros créditos: som recolhido em manifestação em Lisboa, em 2024, de grupo de mulheres a cantar Canción Sin Miedo, com música e letra de Vivir Quintana; trailer Retrato de Dorian Gray, filme de 2009, realizado por Oliver Parker, com guião de Toby Finlay, a partir da obra homónima de Oscar Wilde.
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Wed, 30 Sep 2026 - 79 - Ana Couto: “Tive uma psicose puerperal e sobrevivi”
Ana Couto era mãe havia apenas 15 dias quando uma psicose puerperal a levou a um internamento compulsivo numa unidade de psiquiatria. Sozinha, de colo vazio, sem perceber o que lhe estava a acontecer, “ou que crime havia cometido para ficar presa”. Enfermeira de neonatologia, nunca tinha ouvido falar da perturbação que lhe mudou a vida e que testou todos os seus limites. “De repente eu vivia numa realidade paralela, era outra pessoa”.
O caso de Lindsay Clancy, que enfrenta nos EUA um julgamento por homicídio, acusada da morte dos três filhos, trouxe para a esfera pública uma discussão sobre a saúde mental no pós-parto e tornou mais visível uma condição ainda desconhecida para muitas pessoas: a psicose puerperal. Afecta uma a duas mulheres em cada mil, é o mais grave quadro psiquiátrico que pode ocorrer após o nascimento de um bebé e caracteriza-se por sintomas como desorganização mental, delírios, alucinações e perda de contacto com a realidade.
Antes do internamento, Ana Coutopassou por diferentes profissionais de saúde sem que o seu estado fosse identificado. Acabou por ser o marido a perceber que alguma coisa estava errada, ao detectar comportamentos que lhe pareciam desadequados à sua personalidade.
A sua experiência levanta uma das questões centrais deste episódio do podcastUm Género de Conversa: se uma enfermeira de neonatologia nunca tinha ouvido falar de psicose puerperal, como podem as mulheres e as famílias, sem formação em saúde, reconhecer os sinais de alarme? Ana Couto defende que é preciso preparar melhor os profissionais de saúde para identificarem alterações da saúde mental no período perinatal.
Os 15 dias de internamento pareceram-lhe uma eternidade. Fortemente medicada, conserva falhas de memória desse período, mas recorda episódios que a levam a questionar a forma como uma mulher no pós-parto, com todas as especificidades decorrentes desta condição, é tratada numa unidade psiquiátrica.
Por exemplo, continuava a extrair leite, acreditando que este seria entregue à filha — a sua “única forma de sensação de controlo da situação naquele estado” — até perceber que o leite era deitado fora, sem que ninguém lhe explicasse porquê.
Quando recebeu a visita da sua bebé, Ana já não conseguiu largá-la. A separação à força acabou por ser, nas suas palavras, mais traumática do que benéfica.
A unidade onde esteve internada não permitia a permanência do bebé, como acontece noutros países. Para Ana Couto, uma mulher com psicose puerperal não pode ser tratada apenas na sua dimensão psiquiátrica. Há também um corpo que acabou de dar à luz, a recuperação física, a amamentação e a construção do vínculo com o bebé, todos eles factores que foram em boa parte alienados durante o seu internamento.
Mais de dois anos depois, fala da experiência sem esconder o medo ou a ambivalência que podem acompanhar a maternidade. E sublinha uma distinção essencial: os pensamentos não são acções. Ninguém escolhe ter uma psicose puerperal, “ninguém tem culpa se passar por isso”, frisa.
Escrever ajudou-a a processar o que tinha vivido. Dessa necessidade nasceu o livro “Tive uma psicose puerperal e (sobre)vivi”. O que começou como uma forma de catarse ganhou outro propósito: chegar a outras mulheres que possam ter passado pelo mesmo e mostrar-lhes que não são as únicas. E que é possível recuperar a felicidade depois de um evento tão transformador quanto este.
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Tue, 22 Sep 2026 - 78 - Veronyka Gimenes: “Quando tudo é gratuito, provavelmente você é o produto”
Tecnologia, soberania digital, manipulação de massas, regulação, poder e participação cívica: a convidada deste episódio do podcast Um Género de Conversa é considerada por muitos uma verdadeira justiceira do universo da inteligência artificial, algo que lhe tem valido reconhecimento internacional.
Citando Eduardo Galeano, a hackerbrasileira Veronyka Gimenes recorda que “somos o que fazemos para mudar o que somos” e acrescenta o quão importante é o processo de nos irmos hackeando, transformando tudo o que a gente é em algo que faça mais sentido para o momento.”
Esta ideia ganhou um significado particular depois da experiência que viveu em 2024, quando um episódio do podcast Entre Amigues, dedicado à diversidade dentro da comunidade LGBTQIA+, saiu da sua esfera habitual de ouvintes e se tornou viral por causa da menção à expressão boyceta. “Depois que você fura a bolha, acreditem, você quer voltar para a sua bolha”, admite, descrevendo a onda de violência online que se seguiu.
Perante milhares de ameaças e comentários de ódio, a activista e co-fundadora da associação Código Não Binário decidiu, em conjunto com a sua equipa, responder ao ataque, recorrendo à própria tecnologia. Desenvolveu um modelo de inteligência artificial em código aberto, de língua portuguesa, capaz de identificar diferentes formas de violência online.
O trabalho de rastreio e análise de mais de 12 mil conteúdos revelou aquilo que considera ser uma hierarquia de prioridades das plataformas digitais. “A gente viu, por exemplo, que se a gente denunciava o ódio como propriedade intelectual, copyright, aí saía do ar na hora o conteúdo de ódio. Agora, se a gente denunciava como discurso de ódio, não saía.”
Os dados recolhidos serviram também de base a uma acção judicial contra vários gigantes da tecnologia. “É ousado, a gente fica com um pouco de receio”, assume Gimenes, que reconhece a dimensão do desafio. “Mas, ao mesmo tempo, é algo que precisa começar a acontecer. Não somos totalmente impotentes.”
Considera que um dos desafios centrais da actualidade é a tendência de se confundir inteligência artificial com os produtos desenvolvidos somente pelas grandes tecnológicas, portanto, começou também a dar formação sobre como usar de forma consciente as novas tecnologias e que alternativas existem.
“Quando a gente não diferencia a inteligência artificial da big techdas outras, a gente acaba servindo a big tech. Porque exactamente o que eles querem é que a gente pense que os produtos deles são sinónimo do sector inteiro. Não são.”
Num momento em que os dados pessoais, a desinformação, os deepfakes e a concentração de poder tecnológico ocupam o centro do debate público, Veronyka Gimenesrecusa o fatalismo. “Não basta a gente simplesmente acompanhar esse fim do mundo e entender que as coisas estão piorando e piorando e piorando. É o momento de agir.”
Defensora do software livre e da tecnodiversidade, argumenta que a tecnologia não é um destino inevitável, mas um processo que pode ser transformado.
“As tecnologias são como processos, os processos mudam, você actualiza”, afirma. A mesma lógica aplica-se aos sistemas de IA, que, sim, podem reproduzir desigualdades, mas também podem ser desenhados de forma diferente e servir as populações. “Qualquer pessoa pode programar hoje. Isso é muito importante para a gente definir os rumos da internet”.
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Wed, 16 Sep 2026 - 77 - Sónia Duarte Lopes: "O tráfico de bebés na internet tem vindo a crescer”
Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Sónia Duarte Lopes, psicóloga clínica e coordenadora regional da Delegação de Lisboa da Associação para o Planeamento da Família, desmonta alguns dos maiores mitos em torno de um dos crimes mais lucrativos do mundo.
"A invisibilidade do tráfico de seres humanos não existe apenas para quem está de fora. Muitas vezes, as próprias vítimas não reconhecem que estão a ser exploradas", afirma.
Um especialista explica que a vulnerabilidade é a principal arma dos traficantes. “As vítimas de tráfico humano estão, invariavelmente, em contextos de vulnerabilidade”, sublinha. A pobreza, a falta de educação, o desconhecimento da língua e dos direitos próprios levam muitas pessoas a aceitarem situações de exploração na esperança de uma vida melhor. “Acreditam que, se se sujeitarem, virá a recompensa”. Uma crença que se começa a discutir quando surgem os invariáveis ciclos de violência, as ameaças e o medo pela própria vida.
Um dos exemplos mais marcantes relatados por Sónia Duarte Lopes é o de uma vítima de escravidão em território nacional. "Uma pessoa esteve 18 anos a ser explorada numa quinta de pessoas abastadas. Quando foi retirada, já não se lembrava nem do nome das cores, nem conseguiu contar até 10, tal era o isolamento e os maus-tratos executados." O caso ilustra uma realidade muitas vezes difícil de compreender para quem está de fora, incluindo as autoridades. "Não é a porta aberta que faz com que elas fujam. O que as prende é uma vulnerabilidade tão profunda que não permite pedir ajuda."
Nestes 50 minutos de conversa, aborda ainda a exploração sexual de mulheres e meninas, uma realidade marcada por mecanismos de controlo psicológico. “Invariavelmente, essas mulheres ficam isoladas, muitas vezes nem sequer sabem o sítio do país em que estão. São ameaçadas pela vergonha de serem denunciadas à família”, explica. "Há muita coação psicológica e muita dificuldade em romper com o que se está a passar."
Os perigos do recrutamento através das plataformas digitais são outros dos temas envolvidos, a par de fenómenos emergentes, como a venda de bebés através da internet. “A venda de bebés tem vindo a surgir nos últimos tempos, e não me admiro que apliquem mais casos, porque é muito difícil chegar a quem está por trás”, alerta, referindo o escudo do anonimato e a exposição proporcionada pelas redes sociais.
Desafiando a ideia de que o tráfico de seres humanos é um problema distante, Sónia Duarte Lopes realça uma realidade incómoda: há portugueses a serem traficados em Portugal. Aliás, o número de casos sinalizados por cá tem registos batidos, tal como mostramos os dados do último RASI. Aqui ou além-fronteiras, nenhum centro de todas estas formas de exploração está sempre o exercício do poder sobre quem se encontra numa posição mais frágil.
“Mas é importante perceber que o uso do poder sobre outra pessoa não precisa de ser físico. Muitas vezes é um poder psicológico, estrutural”, afirma. “Pode vir do simples fato de uma pessoa ter uma posição social diferente e a outra estar numa situação de grande vulnerabilidade.”
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Wed, 09 Sep 2026 - 76 - Ana Markl: “Já pensei em tirar as mamas para viver sossegada”
Entre a ansiedade, a maternidade após os 40, a perimenopausa e o receio que regressa a cada rastreio do cancro da mama, Ana Markl protagoniza uma das conversas mais íntimas da nova temporada de Um Género de Conversa, onde fala também da síndrome do impostor e da quase perda do irmão.
Conhecida do público pela rádio, televisão, livros e podcasts, Ana Markl revela uma faceta menos visível: a de alguém que continua a questionar-se e a desafiar-se. "O meu grande medo é cair no ridículo e achar que sou uma coisa que não sou", confessa. Mas há outro receio que atravessa a conversa: "O meu grande medo é acabar a vida sem fazer tudo o que me apetece fazer."
Foi essa inquietação que a levou a voltar a estudar. Jornalista de formação, decidiu regressar à universidade para frequentar Psicologia, uma decisão que a própria explica ter surgido da vontade de compreender melhor os outros, mas também da busca de novas possibilidades para si própria. "Voltei a estudar aos 40 anos porque ainda queria mudar de vida", afirma. E resume o objectivo numa frase simples: "Quero ser livre."
Ao longo de quase uma hora de conversa, Ana Markl fala ainda da maternidade e das expectativas que continuam a ser depositadas sobre as mulheres. "A maternidade não nos salva de nós próprias", afirma, numa reflexão sobre culpa, exigência e os desafios emocionais associados ao papel de mãe.
Sem romantizações nem fórmulas mágicas, Ana Markl descreve também uma convivência diária com a ansiedade. "Ela nunca desaparece, aprendemos a viver com ela", diz, explicando a importância da terapia no reconhecimento de padrões de pensamento e comportamento.
A conversa passa também pelo impacto do AVC sofrido pelo irmão, Nuno Markl, e pela forma como esse episódio reforçou um sentido de responsabilidade familiar que sempre sentiu.
A perimenopausa ocupa igualmente um lugar de destaque neste episódio. Ana Markl descreve uma fase em que deixou de reconhecer a pessoa que era e critica a falta de informação em torno desta etapa da vida. "Se não fosse saber que a perimenopausa existia, eu era levada a crer que era um lixo", confessa, defendendo a necessidade de maior literacia e de preparação médica para acompanhar as mulheres neste processo.
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Wed, 02 Sep 2026 - 75 - Lúcia Vicente: “É mais eficaz ter mulheres a convencer outras mulheres a perderem direitos”
Durante décadas, o feminismo procurou ampliar a liberdade, os direitos e as oportunidades das mulheres. Hoje, porém, cresce um movimento que o aponta como responsável por muitos dos males da sociedade. E não são apenas os gurus da machosfera a fazê-lo. Como alerta a historiadora Lúcia Vicente, também há mulheres que defendem um regresso aos papéis tradicionais de género.
Sob a bandeira das tradwives, promovem a submissão feminina, a dependência económica e a esfera doméstica como caminho privilegiado para a felicidade.
Tradwives, redpill, machosfera, feminismo reaccionário ou gurus digitais deixaram de ser simples chavões da internet para se tornarem movimentos com influência crescente sobre a forma como milhares de jovens olham para as mulheres, os homens e a própria democracia.
Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Lúcia Vicente, autora de Portuguesas com M Grande e Feminismo de A a Ser, traça o retrato de um universo que cresce à velocidade dos algoritmos. “Temos mesmo de ensinar as pessoas mais novas a questionar o mundo e as consequências destas ideias na vida dos outros”, defende.
Ao longo de 50 minutos de conversa, a investigadora explica como estes movimentos exploram inseguranças e recuperam discursos antigos, revestindo-os de uma estética apelativa e de uma linguagem aparentemente moderna.
“É o regresso do grande macho, de uma masculinidade performativa, exagerada, violenta, profundamente ligada ao antifeminismo e à misoginia”, afirma, preferindo o termo “machosfera” a “manosfera”.
A preocupação, contudo, não se limita aos rapazes. Lúcia Vicente alerta para comunidades dirigidas às mulheres, como as tradwives, que promovem o regresso aos papéis tradicionais de género e apresentam a submissão feminina, o papel exclusivo de cuidadora e os valores cristãos como caminhos para a felicidade. “O patriarcado percebeu que a forma mais eficaz de convencer as mulheres a abdicar de direitos era utilizar outras mulheres para lhes dizer que isso era bom para elas”, ressalva.
Tal como na machosfera, também aqui o feminismo surge como a causa de todos os males: a liberdade sexual feminina é um problema, assim como a visão interseccional da sociedade, cuja suposta “ordem natural” das responsabilidades de homens e de mulheres tem de ser reposta.
A estratégia parece funcionar, como mostram conteúdos crescentes nas redes sociais em que jovens mulheres de 18 anos expõem as suas vidas após as abandonarem para casar, ter filhos e depender financeiramente dos maridos, a quem estão, inclusive, dispostas a ceder o seu direito ao voto.
Um fenómeno alimentado por influenciadoras conservadoras, amiúde ligadas a partidos de extrema-direita e movimentos religiosos, que, apesar de defenderem a submissão feminina, construíram negócios milionários que lhes garantem autonomia e poder.
Para contrariar estas “narrativas manipuladoras”, a historiadora defende que o feminismo deve envolver também os homens. “Se o patriarcado tem no homem o seu maior aliado, por que razão não estamos também a educar homens para serem feministas e para desconstruírem o privilégio?”, questiona. A reflexão estende-se à influência dos algoritmos, à captação de adolescentes por discursos extremistas e à necessidade urgente de capacitar pais, professores e educadores para reconhecer estes fenómenos.
"Primeiro, temos de educar quem educa. Pais, mães, professores e avós precisam de conhecer esta linguagem, estes símbolos e estes movimentos. Só assim conseguirão reconhecer os sinais”, explica a escritora. "As crianças já não brincam na rua, porque achamos que é perigoso, mas depois deixamos que passem horas a conversar com desconhecidos através dos jogos online. É aí que também precisamos estar atentos."
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Wed, 26 Aug 2026 - 74 - Marta Crawford: “O tão glorioso pénis tem muito menos prazer do que o clítoris”
Já passaram mais de 20 anos desde que Marta Crawford entrou na casa dos portugueses, em horário nobre, para falar de temas que faziam corar muita gente — e que talvez ainda hoje deixem alguns desconfortáveis. As redes sociais ainda não faziam parte do nosso dia-a-dia, e ver uma mulher em directo na televisão a responder, com naturalidade, a perguntas sobre sexo oral, métodos contraceptivos ou disfunção eréctil tinha tudo para ser um escândalo. Mas a sexóloga conseguiu fazê-lo como poucos: com boa disposição e seriedade, tal como se apresentou neste episódio do podcast Um Género de Conversa.
Psicóloga e terapeuta familiar, conhece como poucos os medos, os preconceitos e a falta de literacia que ainda rodeiam a sexualidade, mesmo nas gerações mais novas. “Ainda há muito pudor quanto ao prazer, independentemente da idade. Mesmo os jovens, que imaginamos que têm mais liberdade e acesso à informação, às vezes têm uma mentalidade mais retrógrada do que a minha avó. Aceitar fazer sexo sem vontade é um exemplo, como se fosse uma função da relação”, conta Marta Crawford.
Nestes 50 minutos de conversa, a especialista explica que ainda há uma necessidade de corresponder a um padrão masculino em que “o prazer está centrado na penetração, num vai e vem que dá a maior das satisfações sexuais às mulheres”. Porém, desconstrói esse mito: “Não é de todo assim, o clítoris é que é uma super-heroína, tem mais de 10 mil terminações nervosas. Deve fazer parte de todo o jogo erótico e sexual, e não é um jeitinho que se dá, porque a mulher, coitadinha, precisa. É porque é uma fonte fundamental de prazer feminino.”
A sexóloga aborda também alguns dos principais desafios do presente, desde “os problemas de performance” provocados pela pornografia, “que é a nova educação sexual”, até uma generalizada “crise profunda” da intimidade: “Essa partilha, essa honestidade estão cada vez mais difíceis. Os casais não conseguem comunicar.”
Já sobre a pressão que ainda recai em tantas mulheres para voltarem à actividade sexual após o nascimento de um bebé, tantas vezes alimentada também pelos próprios profissionais de saúde, Marta Crawford é peremptória: “Dizer a alguém ‘tem de ir ao castigo’ é uma violência. Sexo sem disponibilidade mental não faz sentido”, frisa a sexóloga. “Em encontros com ginecologistas e obstetras, digo muitas vezes: ‘Vocês são responsáveis pela consulta após um mês do parto e por dizerem 'agora já podem ter sexo. E essa é a pior mensagem que podem passar. Digam antes: faça-o apenas quando se sentir preparada e comece com calma, nada muito exigente sexualmente’.”
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Wed, 19 Aug 2026 - 73 - Sofia Aparício: "Se os governos falham, temos dever de tomar conta uns dos outros"
Atriz, manequim, humanista, voz incansável na defesa dos direitos fundamentais: Sofia Aparício faz parte da mais recente missão da Flotilha Humanitária, que visa romper o cerco israelita a Gaza e entregar ajuda àquela população. Antes de embarcar, falou-nos não só sobre as suas inquietações quanto a esta viagem, mas também do que a motiva a envolver-se nas mais variadas demandas sociais enquanto cidadã e figura pública.
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Tue, 02 Sep 2025 - 72 - Sara Larcher: "Temos de tratar do trauma colectivo?"
Licenciada e mestre em Direito, e trabalhou durante mais de vinte anos em multinacionais. Porém, foi no estudo da mente e das emoções que encontrou o seu rumo, após se fartar da busca impossível pela perfeição na trindade mãe, mulher e profissional. Licenciou-se em Psicologia e há vários anos que é Terapeuta Integrativa e Sistémica. Pelo caminho lançou o best-seller “Eu Sou Porque Eles Foram” e mais recentemente o livro “Sara-te! - As Mulheres e o seu Legado Transgeracional”.
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Tue, 26 Aug 2025 - 71 - Filipa Martins: "Não tinha capacidade para pagar uma renda de casa"
Filipa Martins começou a competir na ginástica aos 4 anos de idade. Hoje, é considerada a segunda melhor ginasta da Europa, a primeira portuguesa a classificar-se para uma final de All Around nos Jogos Olímpicos e também é a única que tem um elemento com o seu nome.
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Tue, 19 Aug 2025 - 70 - Maria João Faustino: "É o momento mais desafiador das nossas vidas"
Maria João Faustino é doutorada em Psicologia pela Universidade de Auckland. Tem feito investigação sobre violência sexual e respetivas dinâmicas genderizadas. Há mais de dez anos que estuda estas questões e nesta conversa explica os tempos que estamos a viver. E deixa um recado: temos de resistir.
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Tue, 12 Aug 2025 - 69 - Bia Caboz: "O maior investimento que eu fiz foi na minha cara"
Bia Caboz é afilhada de Ana Moura no fado, mas o seu percurso musical é o da fusão musical. A sua persona artística levou-a a fazer cirurgias na cara e fala disso abertamente. Não esconde a sua ansiedade e o seu percurso feito com o apoio de muitas mulheres.
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Tue, 05 Aug 2025 - 68 - Tânia Ganho: "A violência sexual no digital vai chegar a todos, homens incluídos"
Neste episódio gravado ao vivo na icónica livraria Buchholz, a escritora Tânia Ganho teve como ponto de partida o universo do seu último romance, “Lobos”. Com a coragem e a clareza que lhe são conhecidas, fala sobre as teias complexas da violência psicológica na intimidade, os perigos da adulteração de imagens no contexto digital, a perda do direito à privacidade e os malefícios de uma masculinidade assente em estereótipos físicos e de agressividade, que está a arrastar cada vez mais jovens para práticas que põem as suas vidas em risco.
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Tue, 29 Jul 2025 - 67 - Mariana van Zeller: "A maior vantagem da minha vida tem sido ser mulher"
Muitos descrevem-na como uma “badass”, e não é para menos: Mariana van Zeller é a autora da série documental “Na Rota do Tráfico”, onde revela os segredos do submundo do crime. Vive há mais de vinte anos nos EUA, onde dá cartas no jornalismo de investigação, arrecada prémios – é vencedora de nove Emmys - e explora histórias que muitos consideram demasiado perigosas. Uma conversa que vai desde a perseguição aos imigrantes pela administração de Trump à gestão do medo em cenários de vida ou de morte, passando pela importância da conexão humana enquanto jornalista e ainda a vantagem que tem ao ser subestimada enquanto mulher quando aborda criminosos.
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Tue, 22 Jul 2025 - 66 - Irene Flunser Pimentel: "Já tive mais jeito para ficar calada"
Irene Flunser Pimentel: historiadora, antifascista, defensora da democracia, a liberdade é o que a move. Estudou a PIDE, o Estado Novo, as manhas do regime de Salazar, ganhou o Prémio Pessoa e é criticada por muitos por ser demasiado assertiva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a possibilidade de já estarmos a viver uma terceira guerra mundial, pasma-se com o estado ”enlouquecido” da política nacional e internacional, aponta o dedo ao discurso anti-imigração e relembra como era a vida das mulheres na ditadura.
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Tue, 15 Jul 2025 - 65 - Célia Metrass: "Inveja do pénis? Nem deve dar jeito nenhum"
Célia Metrass é uma figura histórica do feminismo Portugal. Foi co-fundadora do Movimento de Libertação das Mulheres, o primeiro movimento pós-25 de Abril com enfoque na luta contra a discriminação de género, e escreveu o primeiro — e por mais de uma década o único — livro sobre aborto em Portugal, em co-autoria com Maria Teresa Horta e Helena de Sá Medeiros. Volvidos 50 anos, reflete sobre as ameaças a direitos femininos conquistados a pulso, como o da IVG, mas também sobre “o grande trambolhão” que os homens tiveram no que toca ao conceito de masculinidade.
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Tue, 08 Jul 2025 - 64 - Clarrise Machanguana: "Um mês após dar à luz já estava a jogar (na WNBA)"
Clarrise Machanguana foi a primeira moçambicana a conquistar a liga feminina de basquetebol dos Estados Unidos. Dentro do universo do desporto de alta competição, os obstáculos à maternidade, as disparidades salariais e a saúde mental levada ao limite são temas que conhece de cor. Quando deixou WNBA, criou uma fundação com o seu nome em Moçambique, e aí dedica-se a apoiar mulheres, jovens e crianças através da saúde, educação e desporto. Já ajudou mais de 25 mil pessoas, mas sente que continua tudo por fazer.
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Tue, 01 Jul 2025 - 63 - Inês Marinho: "Tu agora és 'a porca'"
Inês Marinho viu a sua vida e intimidade violada através de imagens suas publicadas na Internet por alguém que lhe era próximo. Não é caso único: diariamente, em plataformas como o Telegram ou o Reditt, milhares de homens partilham, comentam e expõem mulheres sem o seu consentimento. A sociedade continua a ser permeável ao julgamento moral: eles, amiúde, são os garanhões, elas são “as porcas”. Inês decidiu combater isto e criou a associação Não Partilhes, onde lhe chegam pedidos de ajuda de mulheres, dos nove anos aos 60, vítimas de abuso através de imagens.
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Tue, 24 Jun 2025 - 62 - “Os homens andaram a sustentar as mulheres? Essa é para rir.”
Investigadora, jurista, ex-Secretária de Estado para a Igualdade, Maria do Céu da Cunha Rego é uma figura histórica da luta pelas licenças de paternidade e a conciliação do trabalho, da família e da vida privada. Nascida no Alentejo, em 1950, soma prémios pelo relevante contributo da sua atividade profissional e cívica. Com um sentido de humor ímpar, continua a esmiuçar ideias feitas sobre o que é ser homem ou mulher ou quais os papéis prescritos pela sociedade para uns e outras.
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Tue, 01 Apr 2025 - 61 - “Nove em cada dez mulheres autistas são violentadas, é assustador”
Sara Rocha é autista e uma voz forte na defesa dos direitos na deficiência, tanto em Portugal como a nível internacional. Nas redes sociais, não só publica informação empírica, como rebate ideias feitas e partilha as suas vivências pessoais. Fora da web, é Presidente da Associação Voz do Autista e trabalha na Escola de Medicina Clínica da Universidade de Cambridge. A criminalização da esterilização forçada de pessoas com deficiência é uma das suas maiores lutas, uma das múltiplas formas de violência a que principalmente as meninas e mulheres continuam a estar sujeitas em Portugal.
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Tue, 25 Mar 2025 - 60 - “O meu pai promoveu a minha auto estima”
Catarina Rochinha é uma voz forte contra estereótipos de género, ativista pela positividade corporal e agitadora de consciências para a importância da diversidade. Não tem vergonha do seu corpo e pratica a aceitação do que vê ao espelho como um mantra diário. Nas redes sociais, despe-se de filtros e de preconceitos. Neste episódio, a conversa versa ideais de beleza, o policiamento aos corpos femininos, inclusive no seio da família, o peso de validação estética, o impacto do bullying e a importância de maior transparência por parte de quem produz conteúdos digitais (e não só).
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Tue, 18 Mar 2025 - 59 - "Demorei a perceber que fui violada"
Joana Dias foi alvo de violência doméstica. Fala abertamente sobre o que viveu, como foi agredida, o que a limitou. A escritora, criadora de conteúdos e autora do podcast e da série “A Mim, Nunca”, não gosta da palavra vítima, mas reconhece que a cicatriz não sara com facilidade. Dez anos depois, ainda procura respostas. O livro, Nós, as indecentes, sendo ficção é um retrato que se constrói a partir da realidade vivida.
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Tue, 11 Mar 2025 - 58 - “Quanto mais ignorantes formos, mais somos metidas em manada”
Sandra Ribeiro é a Presidente da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, o organismo responsável pela promoção e defesa do princípio da igualdade entre mulheres e homens. É, portanto, nos seus ombros que recaem as matérias que muitos ainda insistem em considerar ora um perigo, ou uma moda ideológica. Do combate à violência doméstica à importância da educação para a cidadania, das disparidades laborais ao desprimor dos seus próprios pares quanto às suas lutas, traça-nos um cenário realista sobre onde está Portugal hoje quando falamos de igualdade. Não tem dúvidas: o mais difícil de mudar são as mentalidades
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Tue, 04 Mar 2025 - 57 - Júlia Pinheiro: “A minha libido ficou falecida (na menopausa)”
Júlia Pinheiro já fez quase todos os formatos televisivos que existem e é um nome incontornável na comunicação social portuguesa. Neste 50 minutos de conversa, conta quão tormentosa foi para si a menopausa, uma altura de “sofrimento profundo”, pautada pela falta de resposta médica adequada. Fala também sem pudor sobre como é envelhecer em direto na televisão nacional, de como se mantém um casamento longo, da relação com os filhos, da inversão de papéis para passar a ser cuidadora da mãe e da eterna dificuldade feminina de encontrar espaço para o auto-cuidado, ao qual não foi imune. Descuidou-se durante muito tempo, porque era preciso cumprir com várias frentes.
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Tue, 25 Feb 2025 - 56 - Ana Bárbara Pedrosa: "Tinha um trabalho para viver e outro para pagar a clínica"
A escritora Ana Bárbara Pedrosa decidiu que queria ser mãe, desde sempre. Mergulhou num processo de fertilização e fê-lo sozinha. Guardou dinheiro durante anos, planeou tudo com cuidado e seguiu o seu plano. O processo foi longo, sofreu os revezes, driblou expectativas e sobreviveu às frustrações, gastou muito dinheiro. Três inseminações e três ciclos de FIV depois, nasceram a Maria e o David. A conversa neste episódio é sobre essa opção de ser mãe acima de tudo.
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Tue, 18 Feb 2025 - 55 - Fernanda de Almeida Pinheiro: "Porque sou filha de uma cozinheira e um mecânico acham que não tenho direito a ser eleita Bastonária"
Fernanda de Almeida Pinheiro é Bastonária da Ordem dos Advogados, a terceira mulher a ocupar o cargo. Nunca fez parte das grandes sociedades de advogados, não alinha “em tachos” e defende com determinação os pilares da igualdade. Características que lhe renderam a alcunha de “sindicalista” e os mais diversos insultos públicos. Uma conversa sobre as fragilidades da advocacia em Portugal, onde o direito a baixa médica ou licença parental continuam a ser uma miragem.
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Tue, 11 Feb 2025 - 54 - Matilde Breyner: “Há muitas mulheres a passar por isto (perda gestacional) em silêncio. Porquê?”
Atriz reconhecida da televisão nacional, Matilde Breyner tem dado também a cara enquanto mulher que quer quebrar o silêncio que ainda envolve a perda gestacional. Sofreu uma primeira às 6 semanas de gravidez, outra aos seis meses. Conhece bem as dores físicas e psicológicas desta realidade e usa a sua história e experiência para ajudar outras pessoas que estejam a passar pelo mesmo. São 50 minutos de conversa sem filtros sobre trauma, culpa, luto, esperança e amor.
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Tue, 04 Feb 2025 - 53 - Isabel Moreira: “Gostava de ser Presidente da República, mas não agora”
É jurista de formação, deputada à Assembleia da República e uma mulher de causas, desde a luta pelo casamento gay à eutanásia. Criar uma identidade que a distinguisse da família católica e de direita deixou cicatrizes, mas não lhe roubou o amor incondicional dos pais. Nestes 50 minutos de conversa, Isabel Moreira fala sobre a sua infância, o ‘coming out’ à esquerda, os insultos e ameaças de que é alvo, mesmo dentro do Parlamento, da perda da fé em Deus, do obstáculo que maternidade ainda é para as mulheres e das suas ambições políticas, quiçá, até à Presidência da República.
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Tue, 28 Jan 2025 - 52 - Especial Reis | “Os homens acham sempre que têm pénis pequenos”, Vânia Beliz
Em dia de Reis, relembramos a nossa rainha de audiência: Vânia Beliz é uma das maiores especialistas em sexologia do país e dedica boa parte do seu tempo à educação para sexualidade, tema que considera ser essencial logo no pré-escolar. “Estas aulas não servem só para falar de sexo e biologia. Prazer, afetos, consentimento, respeito, autoestima, tudo isso faz parte”. Tanto ensina crianças como alunos da terceira idade, e com ela não há eufemismos: sexo é sexo, pénis é pénis, vulva é vulva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa - o mais ouvido de sempre, até hoje - abordou-se ainda a crise de identidade masculina, inclusive debaixo dos lençóis, e o sexo por obrigação nas relações.
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Sat, 06 Jan 2024 - 51 - Mais ouvidos 2023 | Capicua: “Nunca estive dentro do padrão. Essa liberdade é um statement”
Relembremos os episódios mais ouvidos de 2023: Cronista, letrista, rapper, Ana Matos Fernandes, mais conhecida como Capicua, é uma mulher do Norte, que se assume como é e que não pede desculpas por ser o que entende ser. Da música como carreira inesperada, à maternidade, o seu “único sonho”, da “misoginia que existe no rap” ao poder terapêutico e militante das palavras, a artista abre a porta do seu mundo neste episódio do podcast Um Género de Conversa.
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Fri, 05 Jan 2024 - 50 - Mais ouvidos 2023 | Menopausa: o fim do prazo de validade das mulheres?
Relembremos os mais ouvidos de 2023: Na Idade Média, acreditava-se que as mulheres na menopausa retinham o “sangue venenoso”, podendo matar bebés com o olhar. Muito mudou, é certo, mas a desinformação continua. Quem o diz é Cristina Oliveira, autora do livro “Descomplicar a Menopausa”, que serviu de ponto de partida para este episódio do podcast Um Género de Conversa. Entre informação prática e muitas gargalhadas, a especialista fala desde a perda de desejo sexual aos afrontamentos, e da medicação aos estigmas sociais que persistem.
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Thu, 04 Jan 2024 - 49 - Mais ouvidos 2023 | Marta Bateira: “Quando engravidei diziam que nem devia saber quem era o pai, que sou uma galdéria”
Relembremos os mais ouvidos de 2023: Mais conhecida como Beatriz Gosta, Marta Bateira é sinónimo de uma liberdade feminina que ainda incomoda. Nestes 50 minutos de conversa com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto, a humorista aborda os estigmas que enfrenta por falar de sexo sem pudor publicamente, o impacto da perda precoce da sua mãe, o burnout materno e os obstáculos das famílias monoparentais: “Desde que fui mãe sinto muita revolta. As leis não estão a proteger nem as crianças, nem as mulheres”.
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Wed, 03 Jan 2024 - 48 - Ivvi Romão: "Portugal é o país onde mais sofri violência por ser trans, preta, emigrante"
Apresenta-se como mulher emigrante, artista, comunicadora, sonhadora e sempre apaixonada. Nos últimos anos, tornou-se voz ativa contra a ignorância face à transsexualidade. Da adolescência conturbada, aos preconceitos dentro do próprio movimento feminista ou à redescoberta do prazer sexual, fala sobre tudo. Brasileira nordestina, 24 anos de idade, Ivvi Romão é a convidada do último episódio da segunda temporada do podcast Um Género de Conversa, de Paula Cosme Pinto e Patrícia Reis.
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Tue, 10 Oct 2023 - 47 - “Tenho mais experiência de guerra que a maioria dos nossos militares”
Helena Ferro de Gouveia foi correspondente e repórter de guerra, ajudou a montar redes de rádio em geografias remotas, deu aulas em campos de refugiados e é hoje rosto famoso na televisão como comentadora de assuntos internacionais. O seu livro “Mulheres na Guerra” foi o ponto de partida para este episódio do podcast Um Género de Conversa, gravado ao vivo na Humanity Summit. “As mulheres são só cuidadoras, boazinhas, incapazes de matar? Não. Elas matam como um homem”.
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Tue, 03 Oct 2023 - 46 - “Lembremos as mulheres que faziam abortos a si próprias com agulhas de tricô. Eram situações de desespero”
Membro-fundadora da UMAR, Manuela Tavares é um ícone nacional da luta pelos direitos femininos, entre eles a despenalização do aborto. Foi uma das mulheres que, em 1982, se mostraram nas galerias da Assembleia da República envergando T-shirts com a frase "Eu abortei", desafiando tudo e todos, chocando boa parte do país. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre essa longa luta e ressalva: “Existir uma lei que despenaliza o aborto não obriga nenhuma mulher a abortar”.
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Tue, 26 Sep 2023 - 45 - Infertilidade: “Tive de construir a minha felicidade com essa traição do corpo”
Muitos conhecem-na como curadora, galerista ou a neta de José Saramago. Mas poucos a conhecerão como a mulher que sonhava engravidar e não conseguiu, até porque a privacidade é algo que Ana Matos muito preza. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, abre a exceção e fala da sua experiência neste tema tabu: “Não há uma substituição da maternidade para quem quer ter filhos. Se existir pacificação é melhor, mas não há uma fórmula para, passado três meses, estar sanada”.
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Tue, 19 Sep 2023 - 44 - “A guarda partilhada não significa não ter de pagar pensão de alimentos”
Paula Costa é juíza da área da Família e Menores, defende a custódia partilhada como opção mais saudável e deixa claro: “Os filhos não são propriedades dos pais”. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a forma como muitos adultos instrumentalizam as crianças amiúde “na guerra” do divórcio, da sobrecarga de uns e da desresponsabilização de outros, e dos porquês dos tempos “morosos” da Justiça.
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Tue, 12 Sep 2023 - 43 - “Das três vezes que me divorciei foi sempre para proteger a minha saúde mental"
Soma 46 anos de idade, trocou uma carreira no universo da gestão pelo mundo da espiritualidade, tem dois ex-maridos e está a separar-se do terceiro, um homem quinze anos mais novo. Convenções sociais sobre os certos e os errados da vida no feminino não são com Joana Dias, a convidada desta semana do podcast um Género de Conversa.
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Tue, 05 Sep 2023 - 42 - Violência Sexual: "Ainda temos de pedir justiça 'com jeitinho', às migalhas"
“Vivemos numa cultura de proteção dos agressores e de culpabilização das vítimas". Quem o diz são as investigadoras Isabel Ventura e Maria João Faustino. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, juntámo-las numa reflexão que vai desde as dinâmicas de poder e de impunidade às lacunas do sistema judicial ou ao mito das falsas denúncias.
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Tue, 29 Aug 2023 - 41 - Maria de Jesus Moura: “Temos de ouvir as crianças com cancro”
Autora do livro “Cancro Pediátrico - Desafios para os Pais”, desde 1993 que Maria de Jesus Moura trabalha na Unidade de Psicologia do Instituto Português de Oncologia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, explica o quão complexo é comunicar com famílias que enfrentam este tipo de crise.
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Tue, 22 Aug 2023 - 40 - Capicua: “Nunca estive dentro do padrão. Essa liberdade é um statement”
Cronista, letrista, rapper, Ana Matos Fernandes, mais conhecida como Capicua, é uma mulher do Norte, que se assume como é e que não pede desculpas por ser o que entende ser. Da música como carreira inesperada, à maternidade, o seu “único sonho”, da “misoginia que existe no rap” ao poder terapêutico e militante das palavras, a artista abre a porta do seu mundo neste episódio do podcast Um Género de Conversa.
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Wed, 16 Aug 2023 - 39 - Sandra Pereira: “Ninguém quer que o filho ou filha estude para ser prostituta, ou trabalhadora sexual”
Eurodeputada pelo PCP, Sandra Pereira foi responsável por um dos maiores relatórios referentes à igualdade entre homens e mulheres na União Europeia. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala da infância na sua aldeia, onde vivem apenas 27 pessoas, do gosto pela linguística, do partido, do pai sindicalista e das suas causas mais próximas, entre elas, as múltiplas formas de exploração feminina e os direitos sexuais e reprodutivos. “Não é a despenalização que leva as pessoas a abortar”.
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Tue, 08 Aug 2023 - 38 - Thalita Rebouças: “Eu estou gostosa, gata e sarada”
É uma das escritoras brasileiras mais bem-sucedidas, vendeu mais de dois milhões de livros, alguns transpostos para cinema, e começa a fazer furor na Europa. Thalita Rebouças prima pelo humor, embora escreva sobre temas difíceis como homofobia, transtornos alimentares, bullying e, até mesmo, suicídio. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, aborda ainda a relação abusiva que viveu na primeira pessoa e os estigmas que enfrenta por não querer ter filhos.
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Tue, 01 Aug 2023 - 37 - Marta Bateira: “Quando engravidei diziam que nem devia saber quem era o pai, que sou uma galdéria”
Mais conhecida como Beatriz Gosta, a humorista é sinónimo de uma liberdade feminina que ainda incomoda. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre os estigmas que enfrenta por falar de sexo sem pudor publicamente, do impacto da perda precoce da sua mãe e dos obstáculos das famílias monoparentais: “Desde que fui mãe sinto muita revolta. As leis não estão a proteger nem as crianças, nem as mulheres”.
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Tue, 25 Jul 2023 - 36 - Carminho: “A tristeza é muito criativa”
Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, a fadista Carminho fala do seu confronto com a ideia da finitude após ser mãe, da influência de Beatriz da Conceição na sua carreira, mesmo depois da sua morte, da desconstrução do que é ser “Portuguesa” – o nome do seu último disco - e dos desafios de ser mulher no showbiz: “A expressão feminina é sempre mais julgada”.
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Tue, 18 Jul 2023 - 35 - Menopausa: o fim do prazo de validade das mulheres?
Conta Cristina Mesquita de Oliveira que na Idade Média se acreditava que as mulheres na menopausa retinham o “sangue venenoso”, podendo matar bebés com o olhar. Muito mudou, mas a desinformação continua. Foi por isso que escreveu o livro “Descomplicar a Menopausa”, ponto de partida para este episódio do podcast Um Género de Conversa, onde fala desde a perda de desejo sexual aos afrontamentos, e da medicação aos estigmas sociais que persistem.
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Tue, 11 Jul 2023 - 34 - Marisa Matias: “A denúncia é sempre um ato de coragem”
‘Vaca’, ‘depravada’ e ‘devias ser enforcada’ são alguns dos insultos que Marisa Matias já recebeu no exercício da profissão. No episódio inaugural da segunda temporada do podcast Um Género de Conversa, a ex-candidata à Presidência da República reflete sobre temas como a violência machista, o simbolismo do batom vermelho, o burnout que tornou público e o crescimento da extrema-direita: “Há muita liberdade por cumprir”.
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Tue, 04 Jul 2023 - 33 - “Ganhei mal e porcamente na rádio”
Radialista multi-premiada, Inês Maria Meneses soma 30 anos de carreira e bate recordes de permanência no ar. É ela a convidada de Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto numa conversa desempoeirada sobre maternidade, sexo, menopausa, precariedade, luto, estereótipos de beleza ou, até mesmo, secura vaginal. Um episódio gravado ao vivo no Festival Podes, onde o podcast Um Género de Conversa foi distinguido com o Prémio Vozes 2022.
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Tue, 13 Dec 2022 - 32 - “Quem perdoa facilmente, não tem carácter”
Lídia Jorge é uma das vozes mais poderosas da literatura portuguesa. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre a construção do romance “Misericórdia”, a perda da mãe e o seu lugar enquanto filha. Uma conversa onde reflete também sobre a importância da dignidade na velhice, o percurso do feminismo e as possibilidades existentes para a criação de um mundo melhor que, aposta ela, serão sempre mais altas se os homens e as mulheres caminharem a par e passo.
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Tue, 06 Dec 2022 - 31 - “O diagnóstico de cancro muda-nos a vida num segundo”
Isabel Rio Novo tinha 38 anos quando foi diagnosticada com cancro da mama: “É brutal quando a morte deixa de ser uma ideia remota e passa a ser uma possibilidade a curto prazo”. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala sobre isto de ser doente oncológica e de escrever para espantar os males da vida. Exemplo disso é o seu livro “Madalena”, vencedor do prémio João Gaspar Simões.
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Tue, 29 Nov 2022 - 30 - “Ninguém quer receber fotos nojentas sem as ter pedido”
Começou muito nova no jornalismo televisivo, onde ainda tem de provar que a beleza não invalida a inteligência. Neste episódio do podcast “Um Género de Conversa”, a pivô Cátia Nobre aborda temas como assédio nas redes sociais e bullying profissional: “Fui muito humilhada por ser considerada ‘a barbie’”.
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Tue, 22 Nov 2022 - 29 - “As mulheres são mais fortes que os homens, é por isso que foram sempre maltratadas”
“O machismo prejudica homens e mulheres, impede-nos de ser felizes”, afirma Inês Pedrosa. “Os homens inteligentes descobrem isso”. Escritora, jornalista, tradutora, editora, gestora cultural, estrela do Twitter, é ela a convidada desta semana do podcast Um Género de Conversa, com Paula Cosme Pinto e Patrícia Reis.
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Tue, 15 Nov 2022 - 28 - “Sonho com um Irão onde a mulher seja livre de decidir”
Sépideh Radfar nasceu no Irão, em 1965, e embora tenha deixado o país há mais de 30 anos, é à história e à cultura persa que se continua a dedicar. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, a diretora do Centro de Iranologia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa fala com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto sobre os desafios da atual revolução feminina no Irão. Começando pela desconstrução do simbolismo do hijab: “Uma mulher tapada pode ser mais provocadora que outra com t-shirt e jeans. A questão é que, até ao século XX, as interpretações corânicas foram sempre feitas só por homens, de sociedades tradicionais, patriarcais, machistas”.
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Tue, 08 Nov 2022 - 27 - Que direitos falham às grávidas em Portugal?
“Os direitos na gravidez, parto e pós-parto existem, mas nem sempre são cumpridos”. Quem o diz é Mia Negrão, advogada e doula. Mas, afinal, de que falamos quando falamos de violência obstétrica? É uma luta contra os médicos enquanto classe ou é uma luta pela garantia de direitos humanos básicos das grávidas e parturientes? E que direitos são estes, concretamente? Na semana em que voltam a estar marcadas manifestações em vários pontos do país sob este mote, a ativista da saúde materna vem ao podcast Um Género de Conversa falar com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto sobre os obstáculos encontrados na hora de parir em Portugal.
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Tue, 01 Nov 2022 - 26 - “Tinha vergonha de comer em público: ‘Olha, a gorda a comer gelado!’”
Apenas 6% dos obesos que atingem o peso alvo com dieta e exercício o conseguem manter ao fim de cinco anos. Dados descortinados por Joana Martins, médica e doente bariátrica. “Não é falta de vontade, é viver numa prisão calórica, de monitorização e de culpa. O corpo luta contra nós”. Depois de três dietas bem-sucedidas, fez sempre parte dos 94% que recuperam o peso anterior. Quando chegou aos 117kg optou por uma cirurgia bariátrica. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto sobre os desafios fisiológicos da obesidade, os mitos comportamentais associados, as soluções médicas e as discriminações sofridas enquanto mulher obesa.
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Tue, 25 Oct 2022 - 25 - As dores menstruais não são normais
"Beba para relaxar", "isso é falta de uso" ou "acenda uns incensos”: eis algumas das frases ouvidas por mulheres com endometriose em consultas, quando se queixam de menstruações agonizantes e dor nas relações sexuais. Chamam-lhe a doença oculta e afeta uma em cada dez em idade reprodutiva, porém, o diagnóstico pode demorar anos. Neste episódio do podcast Um Género de conversa, Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto falam com Catarina Maia, que viveu mais de uma década entre dores e falta de resposta médica. Foi por isso que criou a página 'O Meu Útero' e acaba de lançar um livro que é um manual de consciencialização para a endometriose.
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Tue, 18 Oct 2022 - 24 - “As mulheres brancas percecionam-se superiores às negras, mesmo que de forma inconsciente”
Da hipersexualização dos seus corpos ao questionamento do seu intelecto, as mulheres negras enfrentam múltiplas discriminações extra. A desconstrução de tais estereótipos levou Yasmin Morais a criar a Vulva Negra, primeiro projeto feminista de raiz e negro do Brasil. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala com Patrícia Reis e Paula Cosme sobre o lado tentacular do racismo e a importância de mais equidade no de lugar de fala feminino: “Uma das grandes questões é o facto de não sermos escutadas. As mulheres negras não são inimigas, não são sexualizadas, lutam apenas pelo seu lugar no mundo”. Uma luta que, infelizmente, ainda é distinta.
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Tue, 11 Oct 2022 - 23 - Úrsula Corona: “A fome virou um negócio”
“Há a pessoas a ganhar milhões em cima da miserabilidade”, afirma Úrsula Corona, atriz brasileira e empreendedora social. Da Globo para os sets portugueses, podemos vê-la em Ouro Verde, a primeira telenovela nacional a conquistar um Emmy. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto não só sobre a mudança de vida para Portugal, mas também sobre das eleições no Brasil e o seu trabalho como Embaixadora do Programa Alimentar Mundial, da ONU:“Se quisessem acabar com a fome, já tinham acabado. Mas não há interesse nisso”.
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Tue, 04 Oct 2022 - 22 - “Ser bonita foi prejudicial para me afirmar”
Política, militante do Partido Socialista e, atualmente, Vice-Presidente da Assembleia da República: Edite Estrela é a convidada deste episódio do podcast Um Género de Conversa, com Paula Cosme Pinto e Patrícia Reis. A representatividade é uma das suas batalhas, até porque não só conhece de cor os preconceitos em torno da visibilidade pública feminina. “Quando as mulheres singram na política, na área económica ou até na empresarial, há sempre o comentário brejeiro que, se é bonita, é porque foi pela horizontal, se é feia é porque é frustrada, não tem vida própria. Temos de combater tais estereótipos”.
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Tue, 27 Sep 2022 - 21 - Ser madrasta é ser a outra?
Do cinema à literatura, o arquétipo da “madrasta má” faz parte do imaginário coletivo. Mas como é ser madrasta na vida real? Inês Rosa é filha, enteada, mãe e madrasta, mas foi neste último papel que mais desafios encontrou: "Ser madrasta dói e é profundamente solitário". Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, a autora da página portuguesa da comunidade “Somos Madrastas” fala com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto sobre os medos, estigmas e angústias de se estar nesta posição.
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Tue, 20 Sep 2022 - 20 - Marta Rebelo: “Por vezes, a nossa cabeça frita”
Descreve-se como “ex-deprimida e ansiosa ocasional”, usando amiúde o humor para normalizar a conversa em torno de um tema tabu: a saúde mental. A antiga deputada Marta Rebelo passou mais de uma década enredada na complexa teia da depressão, realidade que conhece de cor e da qual não se envergonha. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala com Paula Cosme Pinto e Patrícia Reis sobre falências da mente, preconceitos que enfrentou, desafios e sistemas políticos e de ideias feitas. “A saúde mental precisa urgentemente de ser debatida”, advoga.
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Tue, 13 Sep 2022 - 19 - O meu marido morreu-me nos braços
O que é que ainda se espera e exige de uma mulher viúva? Maria João Martins tinha 49 anos de idade quando se deparou com esta questão, após o marido, António, de 51 anos, morrer inesperadamente. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, a jornalista e professora de História de Moda fala com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto sobre a perda, a recuperação, a solidão, mas também as ideias feitas de uma sociedade que espera que o luto no feminino seja o fim e um espetáculo de dor permanente.
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Tue, 06 Sep 2022 - 18 - “Temos de ter mais poder de decisão no feminino”
Que obstáculos extra enfrentam as mulheres na política? Porque é que importa assumir publicamente a orientação sexual quando se está num lugar de visibilidade? Como se combate o menosprezo histórico que recai sobre as mulheres nas artes? Graça Fonseca, ministra da Cultura do anterior Governo, esteve à conversa com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto e responde a estas e outras questões neste episódio do podcast Um Género de Conversa.
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Tue, 30 Aug 2022 - 17 - “Ainda se compara diversidade com touradas”
Myriam Taylor é uma mulher singular, porém defende diariamente a pluralidade. Reconhecida por gurus do negócios como a Business Insider ou a Forbes, auto intitula-se Dreamer in Chief da sua empresa, a Muxima Bio, onde além de cabelos afro, cabe também a luta cultural, social e política por um mundo mais justo. Empresária, atriz, apresentadora de tv, conferencista, lobbista, tem na representatividade uma das suas bandeiras. Neste espisódio do podcast um Género de Conversa, com Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto, debruça-se sobre a importância da interseccionalidade e aponta o dedo aos obstáculos levantados pelo próprio serviço público num país que ainda recusa a existência de uma matriz racista.
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Tue, 23 Aug 2022 - 16 - Sofia Aparício: "Ganhei muito dinheiro, e mereci-o"
Tem 52 anos, é manequim e atriz, e um verdadeiro camaleão: a câmara ama Sofia Aparício, e ela faz uso do poder que tem. Neste episódio do podcast ‘Um Género de Conversa’, não teve qualquer pudor em falar do lado mais obscuro da moda, das drogas, do assédio sexual, das exigências com peso e medidas corporais, de como é o processo de envelhecer enquanto ícone nacional de beleza. Não é nenhuma santa, nem quer ser. Mas é dona do seu nariz, fazendo do seu lugar de visibilidade um espaço de intervenção.
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Tue, 16 Aug 2022 - 15 - “O desejo sexual não acaba com a idade”
A melhor palavra para definir Helena Sacadura Cabral é Liberdade. Aos 87 anos de idade, a economista, escritora, professora não tem medo de dizer que é a pessoa mais importante da sua vida. “Nunca desejei ser homem. Gosto de ser mulher, de pensar e de ser olhada e agir como mulher”. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, fala de tudo com bonomia e um à-vontade invejável, desde a fé à sexualidade, passando pelos filhos e também os lados mais sinuosos de uma vida pouco comum para uma mulher da sua época.
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Tue, 09 Aug 2022 - 14 - Síndrome de impostora: as mulheres auto-boicotam-se?
Ainda são muitas as mulheres se sentem insuficientes na hora de negociar um aumento, concorrer a um cargo ou até mesmo para reclamar o seu mérito. Chama-se a isto a ‘síndrome de impostora’, uma realidade que Manuela Doutel-Haghighi conhece de cor. Trabalha no sector da tecnologia há mais de vinte anos e uma coisa é certa: embora se mova num universo masculino, não pede desculpa por ser mulher. Pelo contrário, dedica-se a empoderar outras mulheres nas organizações para as quais trabalha, a gigante Microsoft e a Portuguese Women in Technology. Neste episódio do podcast ‘Um Género de Conversa’ dá-nos uma lição de empoderamento feminino, deixa dicas práticas e desconstrói os pecados capitais das mulheres no mundo empresarial.
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Tue, 02 Aug 2022 - 13 - Período, corrimento, mucos e fluidos: porque temos vergonha de falar disto?
Aviso: nesta conversa fala-se de sangue menstrual, secreções vaginais, muco cervical e demais expressões que tendem a ser sussurradas. “O nosso corpo não é asséptico, e ainda bem”, lembra Patrícia Lemos. Formadora, ativista, fonte de informação constante, fundou o “Círculo Perfeito – Anos Férteis”, projeto pioneiro em Portugal para a educação menstrual e literacia do corpo feminino. Neste episódio no podcast um Género de Conversa, explica o b-a-ba do ciclo menstrual, deixa claro que a dor não é normal e levanta uma pergunta essencial: “A quem interessa uma sociedade onde as mulheres não têm autonomia sobre o que se passa no seu corpo?”.
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Tue, 26 Jul 2022 - 12 - "Ainda há abuso físico nas cozinhas, assédio e entrevistas em que perguntam ‘vais ser mãe?’"
Marlene Vieira é uma mulher de fibra, e o seu sucesso, conquistado a pulso, é revelador disso. Tornou-se cara conhecida de norte a sul enquanto jurada do programa MasterChef, mas conta já com mais de 20 anos de carreira no universo das cozinhas. Define-se como uma mulher do Norte e tem fama de ter sempre resposta na ponta na língua. Talvez por isso não se tenha escusado a abrir o jogo neste episódio do podcast Um Género de Conversa no que toca ao machismo instituído nas cozinhas: do assédio sexual aos estereótipos da maternidade ou a eterna condescendência masculina, não tem dúvidas, as profissionais do sexo feminino continuam a enfrentar obstáculos extra.
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Tue, 19 Jul 2022 - 11 - "Se os homens quisessem, a violência contra as mulheres acabava amanhã"
Mutilação genital feminina, violações corretivas, casamento infantil, aborto ilegal, acesso limitado à educação: violências que pautam a vida de milhões de mulheres e meninas, e que a convidada do podcast Um Género de Conversa combate diariamente com o seu trabalho. Mónica Ferro é diretora do Fundo das Nações Unidas para a População em Genebra, a entidade que revelou recentemente um estudo que mostra que mais de metade das mulheres no mundo sentem que não têm autonomia sobre o seu próprio corpo, seja para decidir que contraceptivos tomam, seja para escolher se querem ou não ter relações sexuais, entre outras. “Isto tem de nos chocar a todos”, diz ela.
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Tue, 12 Jul 2022 - 10 - “Tive ameaças de violação e perseguições enquanto mulher na liderança”
Foi professora do ensino básico, mas os astros e o tarot levaram a melhor. Maya é uma mulher singular no seu percurso, porém plural na forma como vive a vida. Essa pluralidade marca este episódio do podcast Um Género de Conversa, onde aborda a pressão estética feminina na televisão, a aceitação do envelhecimento, os desafios de ser mulher e relações públicas na noite, a importância da privacidade e até mesmo o livro que escreveu com André Ventura sobre o Benfica. Quanto ao tarot, revela que são mesmo os grandes empresários quem mais a procuram, desvenda preconceitos e deixa um recado: “Amarrações e maus olhados? Não venham ter comigo!”.
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Tue, 05 Jul 2022 - 9 - “Os homens acham sempre que têm pénis pequenos”
Vânia Beliz é uma das maiores especialistas em sexologia do país e dedica boa parte do seu tempo à educação para sexualidade, tema que considera ser essencial logo no pré-escolar. “Estas aulas não servem só para falar de sexo e biologia. Prazer, afetos, consentimento, respeito, autoestima, tudo isso faz parte”. Tanto ensina crianças como alunos da terceira idade, e com ela não há eufemismos: sexo é sexo, pénis é pénis, vulva é vulva. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, aborda-se ainda a crise de identidade masculina, inclusive debaixo dos lençóis, e o sexo por obrigação nas relações.
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Tue, 28 Jun 2022 - 8 - “Não tenho um neon na cabeça a dizer que sou lésbica, fufa ou sapata”
Estão juntas há 16 anos e são felizes. No Mês do Orgulho LGBT+, Carla Graça e Patrícia Cruz refletem sobre como é ser mulher e lésbica em Portugal. O que é normal e o que é normalizado? Pode um casal gay assumir-se sem ser prejudicado? Casar e adoptar é hoje possível, mas como foi para quem teve de viver antes da aprovação destas leis? A revolução das mentalidades acompanha os avanços da legislação? Sim, este episódio do podcast Um Género de Conversa é sobre discriminação, mas, e acima de tudo, é também uma ode ao amor e à liberdade.
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Tue, 21 Jun 2022 - 7 - Clara Não: “Jesus era feminista, conforme diz a Bíblia”
Igualdade de género e fé católica são incompatíveis? Pode uma dona de casa ser feminista? A arte como ativismo funciona na prática? Descansar: ato produtivo ou uma perda de tempo? A artista Clara Não responde a estas e outras perguntas neste episódio do podcast Um Género de Conversa, num total de 50 minutos onde se fala sobre religião, burnout, sexualidade, machismo, humor, amor e a escrita como forma de terapia.
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Tue, 14 Jun 2022 - 6 - Blaya: “Não posso ser mãe e dançar sensual? As mulheres podem ser tudo ao mesmo tempo!”
Blaya é exemplo de liberdade feminina: diz o que pensa, dança como quer, ignora estereótipos de beleza, fala de sexo, confronta-nos com preconceitos e é bem-sucedida por tudo isto. Do machismo no showbiz ao racismo estrutural, do pós-parto à toxicidade das redes sociais e até mesmo dicas para squirt, cabe tudo neste episódio do podcast Um Género de Conversa.
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Tue, 07 Jun 2022 - 5 - Catarina Oliveira: “As pessoas acham que quem tem deficiência não tem sexo. Enganam-se”
Tinha 27 anos quando sofreu uma lesão medular, mas ficar numa cadeira de rodas não foi uma tragédia para Catarina Oliveira. A vida mudou, é certo, mas ela virou o bico ao prego e mostra-nos, todos os dias, na sua página Espécie Rara Sobre Rodas, que ter uma deficiência não é uma condenação. E que tampouco é uma mulher menos realizada ou feliz por isso. “As pessoas sem deficiência têm uma sensação de superioridade face às pessoas com deficiência. Esse sim é um grande obstáculo”. Capacitismo, acessibilidades, vida sexual, amor, maternidade, viagens a solo, o humor como arma na desconstrução de preconceitos: neste episódio do podcast Um Género de Conversa, Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto abordam todos estes temas, sem filtros.
Nutricionista de formação, Catarina Oliveira é seguida por mais de 30 mil pessoas no Instagram, onde se tornou uma voz ativa em prol das pessoas com deficiência. Desfaz mitos, confirma perceções e, acima de tudo, denuncia o que está errado. “A cadeira de rodas permite-me fazer o trabalho das minhas pernas, a minha vida não é mais difícil por estar numa cadeira de rodas, é mais difícil por causa da sociedade que não está preparada para me receber a mim e à minha cadeira de rodas”, diz ela. “Ou somos vistos como uns desgraçados e coitadinhos ou somos uns super-heróis porque simplesmente queremos viver. Eu não quero que me aplaudam por ter subido um degrau, quero que me ponham uma rampa!"
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Tue, 31 May 2022 - 4 - Ana Sofia Martins: “Não há artistas negras em Portugal? Existem e estamos cá para ficar”
A atriz e modelo Ana Sofia Martins é a convidada deste episódio, onde aborda temas como representatividade negra, ou a evidente falta dela, superação do abandono materno, adoção, falta de auto-estima no feminino, a bênção que é poder fazer psicoterapia, o valor dos amigos e da família, a importância de arriscar e de nos auto-construirmos, porque “o mundo não se resume à rua onde crescemos”. Otimista por opção, segue o seu próprio lema: “As pessoas dizem que a vida é curta, eu digo: a vida é longa, temos de saber aproveitar os momentos todos”.
Estrela internacional da televisão, Ana Sofia Martins começou a desfilar aos 14 anos e sua história tem inspirado muitas milhares de miúdas e mulheres. A personagem Mara, da telenovela da TVI Única Mulher, trouxe-lhe visibilidade, outro público e uma noção de que Portugal não precisa de ser a última fronteira. Prova disso é o facto de não ter renovado o contrato com a estação de televisão, ter apostado na sua carreira lá fora e ser agora uma das atrizes da série “Devils”, em exibição na HBO Max. Neste episódio do podcast Um Género de Conversa, as anfitriãs Paula Cosme Pinto e de Patrícia Reis fazem uma viagem pela vida da artista.
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Tue, 24 May 2022 - 3 - Joana Martins: o pós-parto é tudo menos um filme cor de rosa
Exaustão, culpa, crise identitária, vergonha, medo, angústia, solidão. Estas não são as palavras que compõem a narrativa romanceada que habitualmente ouvimos sobre o pós-parto, mas fazem parte da realidade da maioria das mulheres que passam por ele. Quem o diz é a pediatra Joana Martins, a convidada desta semana de Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto, numa conversa realista sobre os primeiros meses da maternidade.
Foi a pensar precisamente na falta de diálogo transparente sobre este período tão difícil da vida de quem acaba de dar à luz que Joana Martins lançou o livro “O Quarto Trimestre”: ao contrário do tradicional enfoque no bebé, a pediatra escreveu um guia dedicado aos primeiros três meses da vida da mulher no papel de mãe. Desde a grande luta que pode ser a amamentação ao inevitável fosso hormonal, passando pela retoma da vida sexual e até mesmo pela pressão estética imposta pela sociedade às mulheres depois de uma gravidez, neste episódio fala-se do lado pouco cor de rosa do pós-parto e dos meses que lhe sucedem.
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Tue, 17 May 2022 - 2 - Santas ou galdérias? A sexóloga Tânia Graça responde
Tânia Graça é sexóloga, dedica-se em exclusivo à sexualidade das mulheres e tem por mote a frase “libertem as vulvas”. É ela a convidada de Patrícia Reis e Paula Cosme Pinto neste episódio de estreia do podcast Um Género de Conversa. Sob o tema “Santas ou Galdérias?”, são 50 minutos de conversa sobre sexo, prazer, consentimento, autonomia, estereótipos e liberdade sexual. “Seres dona do teu corpo e usufruíres dele da forma que tu quiseres e sentires é um passo essencial para o teu empoderamento no todo. Não és dona da tua vida sem seres dona do veículo através do qual vives”, diz Tânia Graça. “Por favor, vejam as vossas vulvas. É o primeiro passo para as libertarem”.
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Tue, 10 May 2022 - 1 - Um Género de Conversa | Teaser
Este podcast é sobre mulheres. Não é vedado aos homens mas, insistimos, é sobre as mulheres. Uma hora de conversa entre mulheres, sobre mulheres, para mulheres. Os homens que calharem a ouvir são capazes de beneficiar com isso. Pelo menos elas acham que sim. Uma é a Patrícia Reis, a outra a Paula Cosme Pinto, e são elas as anfitriãs deste lugar de fala feminino.
O primeiro episódio fica disponível no dia 10 de maio em todas as plataformas de podcasts.
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Thu, 05 May 2022
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