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- 119 - 113. Heródico de Selímbra
Rogério Gimenes de Campos (UNILA) narra sua trajetória interdisciplinar nos campos da História, Filosofia e Letras Clássicas. Comenta suas pesquisas e interesses em autores não canônicos;na medicina antiga. Conversa sobre épodo curativo; a recepção dos estudos clássicos no contexto latino-americano e o platonismo andino. Depois, apresenta a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, localizada em Foz do Iguaçu, na tríplice fronteira. Explica ser um ambiente diverso, multicultural e plurilíngue. Na segunda parte deste episódio, apresenta-nos Heródico de Selímbria, diferencia as leituras de Diels e de Daniella Manetti, explica as menções a respeito de Heródico em Platão (Fedro e República) e em pseudo-Hipócrates (Epidemias).
Fri, 28 Aug 2026 - 31min - 118 - 112. Virgílio
Alexandre Hasegawa (USP) conta para os ouvintes o seu percurso até as Letras Clássicas e ao Latim. Descreve as atividades e proximidades dos grupos de pesquisa em que atua: VerVe (Verbum Vertere) e LATTIM. Em seguida, comenta sobre os projetos, traduções e coleções da Editora Mnema. Na segunda parte deste episódio, Alexandre Hasegawa apresenta a personagem Virgílio, o poeta latino do século I a.C., que escreveu durante o principado de Augusto. Hasegawa explica o percurso poético direcionado de Virgílio nos gêneros: humilde (Bucólicas); médio (Geórgicas) e elevado (Eneida). Destaca ser Virgílio o modelo para os poetas tanto contemporâneos quanto posteriores. Analisa a recepção, influência e fontes de Virgílio, poeta incontornável.
Fri, 01 May 2026 - 48min - 117 - 111. Asclépio
Mariana Figueiredo Virgolino (MAE/USP) relembra sua trajetória pessoal e acadêmica, explica como foi transitar em duas áreas no mesmo período ao cursar História e Direito, possibilitando uma visão multidisciplinar. Na segunda parte, Mariana Figueiredo apresenta a personagem Asclépio, um príncipe humano, heroicizado e posteriormente divinizado. Os principais centros de culto eram Epidauro, o centro difusor do culto; Trica; Tessália; Cós, de onde veio a família de Hipócrates; Pérgamo; Cios e Atenas. Mariana Figueiredo explica os rituais performados nos santuários, os tratamentos recomendados e as oferendas votivas. Descreve como o culto se espalhou pelo Mediterrâneo e chegou a Roma no séc. III A.E.C. Por fim, explica que a medicina racional hipocrática e a medicina religiosa não eram ramos separados, mas campos que se alimentavam mutuamente, com médicos frequentemente atuando como sacerdotes. Finaliza ressaltando o olhar holístico sobre a saúde
Fri, 27 Mar 2026 - 37min - 116 - 110. Togirix
Adriene Baron Tacla (UFF) relembra sua trajetória, temas de interesse e formação em História e nos Estudos Clássicos. Comenta sobre suas pesquisas no campo da História Digital. Analisa as Humanidades Digitais e o ensino de História; a importância do letramento digital e o uso de ferramentas em sala de aula; diferencia o digital, o nascido digital e o que foi digitalizado. Sobre inteligência artificial, destaca possibilidades do uso como ferramenta para análise epigráfica e linguística histórica; ressalta o papel crucial do historiador e alerta para os riscos de imprecisões do ponto de vista histórico e arqueológico, além da questão da autoria. Na segunda parte, Adriene Baron Tacla apresenta a personagem Togirix, rei que porta um machado. Descreve o anverso e reverso nas cunhagens da Idade do Ferro, em moedas celtas que circulavam não apenas para pagamento, mas como elemento votivo. Analisa também a personagem Vercingetorix. Explica como a documentação numismática ajuda a entender a formação de várias alianças que vão adotar uma imagem monetária para ajudar a construir uma imagem de unidade, que não existia na Idade de Ferro.
Fri, 13 Mar 2026 - 52min - 115 - 109. Alcífron
Orlando Luiz de Araújo (UFC) conta para nós sua trajetória nas Letras que começou com interesse pela Literatura Brasileira. Relembra como as aulas do professor Eleazar Magalhães Teixeira, o criador do Núcleo de Cultura Clássica no Ceará, fisgaram-no para os Estudos Clássicos. A partir do seu interesse pelo teatro e das suas pesquisas sobre tragédia grega, especialmente obra de Sófocles, Orlando Araújo explica como o diálogo entre os gêneros o conduziu para a epistolografia. Em seguida, nos apresenta a personagem Alcífron, autor das cartas de pescadores, camponeses, parasitas e hetairas. Explica a estimativa destas 122 cartas que variam de V a.C a III d.C. Destaca os principais temas: as dificuldades cotidianas, a sobrevivência no mar e no campo, a relação entre o campo e a cidade, a busca por banquetes e a exclusão social. Explica a influência da comédia nova de Menandro; traços de retórica, elegia, épica e sentenças. Destaca a relevância da obra, o estilo e a possibilidade de ser voz para um grupo. Por fim, comenta sobre seu projeto de tradução e estudos das Cartas das Cortesãs, de Alcífron, e das Cartas de Amor, de Aristêneto para contribuir com pesquisas sobre questões de sexualidade e gênero.
Fri, 23 Jan 2026 - 37min - 114 - 108. Eneias
Weberson Grizoste (UEA) conta sua trajetória nos Estudos Clássicos, a partir da religião e da literatura latina. Explica como relaciona Gonçalves Dias, considerado o Virgílio brasileiro, com a Amazônia, a língua e as literaturas nas suas práticas pedagógicas e pesquisas. Fala sobre o grupo Latinitates - Estudos clássicos e humanísticos e sobre o Laboratório de Cultura Clássica, a divulgação dos estudos clássicos e as apresentações teatrais, na praia. Em seguida, Weberson Grizoste apresenta a personagem Eneias e destaca que a definição depende da fonte. Para Virgílio, o troiano que lança as bases da gente latina na Itália; para Homero, a grande esperança troiana protegida pelos deuses; para Ovídio, o homem da religião romana destinado à divinização; e para Tito Lívio, trata-se de uma figura histórica que inicia a trajetória de Roma no Lácio. Por fim, interpreta a trajetória de Eneias, a vida e a morte como faces diferentes de uma mesma moeda. Comenta ainda sobre outras personagens que estão no caminho de Eneias: um catálogo de mortes.
Fri, 26 Dec 2025 - 41min - 113 - 107. Leônidas de Tarento
Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM) conta para nós sua trajetória nas Letras Clássicas, a partir da poesia e tradução poética. Comenta sobre o jornal "Colunas Gregas", que faz parte de um projeto de extensão sobre a Grécia antiga e temas da literatura lusófona em diálogo com o clássico. No segundo bloco deste episódio, Luiz Carlos André Mangia Silva apresenta a personagem Leônidas de Tarento, epigramatista do período helenístico. Analisa os principais temas: votivos e sepulcrais. Destaca a sensibilidade e singularidade do poeta por incluir trabalhadores simples, a infância e mulheres parturientes em seus epigramas. Por fim, demonstra relevância e atualidade deste poeta e estabelece conexões e diálogos na atual exposição da antologia grega.
Fri, 05 Dec 2025 - 48min - 112 - 106. Dido
Marly de Bari Matos (USP) compartilha sua trajetória acadêmica nos estudos clássicos, desde o contato inicial com o Latim até o trabalho de tradução das cartas de Cícero, além de sua pesquisa sobre a representação da infância na literatura latina. Comenta ainda sobre dois grupos de pesquisa: Educação e Games que integra estudantes de Letras com outras áreas da tecnologia e gamificação; tradução e estudo da literatura técnica e didática romana, incluindo o De Re Rustica. No segundo momento, Marly de Bari Matos apresenta-nos a personagem Dido, uma das maiores personagens da literatura latina dentro da Eneida. Ela é apresentada como uma refugiada que fugiu do reino de seu pai após seu irmão, Pigmalião, assassinar seu marido, Siqueu. Ela foi acolhida na costa da Líbia, onde erigiu Cartago. Eneias a encontra no Canto I, em um templo dedicado a Juno, sua protetora. Marly apresenta as transformações da personagem, ao longo do poema épico, e o desfecho. Explica a relação com outros gêneros, o elegíaco, principalmente quando trata do par amoroso.
Fri, 07 Nov 2025 - 49min - 111 - 105. Tiestes
Tereza Pereira do Carmo (UFBA) conta como chegou aos estudos clássicos por meio da leitura, da mitologia e do latim. Comenta sobre o projeto de Extensão AdMithos que integra performances com contação de mitos. Analisa o potencial da extensão e a relação com a permanência dos estudantes. Descreve que explora a cidade de Salvador com os alunos e relaciona os estudos clássicos ao contexto local. Na segunda parte deste episódio, Tereza Pereira do Carmo nos apresenta a personagem Tiestes a partir do castigo de Tântalo. Em seguida, explica as versões do mito de Tiestes através das fontes, de Homero a Higino e compara com a versão de Sêneca.
Sat, 01 Nov 2025 - 36min - 110 - 104. Hermes
André Malta (USP) conta esta experiência multifacetada nos estudos clássicos e no jornalismo. "Isto aqui não é grego", seu canal no Youtube, traz temporadas que vão desde a Ilíada, traduções e tradutores, autores greco-latinos até a literatura contemporânea. Na segunda parte deste episódio, André Malta nos apresenta a personagem Hermes, um deus multiforme, mensageiro, condutor e próximo do universo humano. Ele analisa as representações de Hermes nas principais fontes, interpreta trechos memoráveis da Ilíada e da Odisseia em que Hermes aparece. Por fim, nosso convidado indica leituras sobre o tema para os ouvintes.
Fri, 03 Oct 2025 - 26min - 109 - 103. Agostinho de Hipona
Julio Cesar Magalhães de Oliveira (USP) nos conta sobre sua trajetória acadêmica e o interesse pela História Antiga. Fala sobre o projeto "Vozes subalternas" e a intersecção entre a academia e as redes sociais com o projeto "Subalternidades Digitais". Por fim, comenta sobre o estudo da História Antiga no Brasil e a arqueologia, ao trabalhar com o contexto da vida das populações urbanas e trabalhadores. Aponta um terreno propício para estes estudos no Brasil e um interesse crescente sobre o tema entre estudantes da graduação. No segundo bloco, Julio Cesar Magalhães de Oliveira nos apresenta Agostinho de Hipona, mais conhecido como Santo Agostinho. Ele nos explica que Santo Agostinho refere-se ao que ele se tornou na posteridade e seu legado, enquanto Agostinho de Hipona remete ao homem que viveu em sua época. Descreve a trajetória de Agostinho, até o momento de sua conversão, fala sobre a atuação de Agostinho como bispo e sobre o fim de sua vida. Por fim, comenta sobre a descoberta de novas cartas e sermões e sobre o próprio esforço de Agostinho para preparar seu legado para a posteridade.
Fri, 19 Sep 2025 - 45min - 108 - 102. Hesíodo
Teodoro Rennó Assunção (UFMG) relembra sua trajetória acadêmica e conta como chegou aos Estudos Clássicos. Comenta também sobre outras publicações suas que conectam temas como cinema e futebol, demonstrando uma totalidade através da diversidade. Na segunda parte deste episódio, Teodoro Rennó Assunção nos apresenta a personagem Hesíodo e a visão de mundo proposta no conjunto desta obra poética. A Teogonia, uma cosmogonia - nascimento do mundo e dos primeiros deuses - e uma história da família de Zeus até o estabelecimento definitivo de seu poder. Os Trabalhos e os Dias, a perspectiva humana da Idade de Ferro. Comenta sobre outras obras que são atribuídas ao Hesíodo, como o Escudo de Héracles e o Catálogo de Mulheres. Por fim, realiza uma análise comparativa com diferenças e semelhanças entre os poemas de Hesíodo e de Homero.
Fri, 05 Sep 2025 - 53min - 107 - 101. Circe
Julia Myara (PUC-Rio) compartilha sua trajetória filosófica, que começa com Platão e chega a Górgias, cujo texto O Elogio de Helena a leva a refletir sobre gênero na mitologia. A partir daí, ela se aproxima de figuras como Helena, Medeia e Circe. Em seus cursos livres, conecta filosofia antiga a autoras contemporâneas como Margaret Atwood, Elena Ferrante e Silvia Federici. No segundo bloco, apresenta Circe, sua genealogia e sua relação com o phármakon. Circe é vista como uma divindade transformadora, que revela a essência dos seres. Myara interpreta Circe como símbolo da superação do narcisismo e da preservação da identidade. Mesmo poderosa, Circe permite que Odisseu parta, reconhecendo a alteridade. Ao final, Julia lê um trecho da Odisseia em que há a representação de Circe.
Fri, 22 Aug 2025 - 47min - 106 - 100. Platão
Gabriele Cornelli (UnB) é o Coordenador da Cátedra UNESCO Archai sobre as Origens Plurais do Pensamento Ocidental e idealizador deste Podcast Archai. Para celebrarmos este Episódio 100 convidamos Gabriele a relembrar sua trajetória acadêmica e falar sobre a Cátedra, um lugar em que nos sentimos acolhidas na interdisciplinaridade nos Estudos Clássicos e num espaço de diálogo plural e acolhedor. Gabriele conta também da experiência na posição de Presidente da International Plato Society (2013-2016), um projeto coletivo dos platonistas do Brasil, que permitiu trazer o simpósio platônico mundial para o Brasil (e para o Sul do mundo) pela primeira vez.
Perguntamos para ele sobre como vê os estudos de Platão no Brasil hoje. Defende que uma sociedade científica é preponderante para o avanço da ciência de forma democrática e plural, permitindo a reunião de especialistas com diferentes leituras e abordagens, evitando individualismos. Gabriele conta da experiência de ser Editor de uma das mais importantes coleções de estudos platônicos internacionais, a coleção Brill Plato Studies. Perguntamos para ele sobre sua tradução recém-publicada, o diálogo Fédon, de Platão, pela coleção Penguin Clássicos, da Companhia das Letras. Por fim, Gabriele embra sobre como surgiu a ideia do Podcast Archai. No segundo bloco, Gabriele fala de Platão. E nos apresenta como nasce o Platão filósofo, a partir da morte trágica de Sócrates, que o levou a questionar profundamente os valores da vida social, o que é verdade, o que é mentira, e o faz repensar tudo: da poesia à política. Relata sobre o local onde teria sido a Academia de Platão, em Atenas. Relaciona o espaço público e a filosofia. Comenta sobre a famosa frase de Whitehead, sobre todas a historia da filosofia ser nada mais do que uma série de notas de rodapé a Platão, e a relação que se tem, muitas vezes, com os clássicos. Discorre sobre porque Platão escreve diálogos e a capacidade literária (e filosófica) de Platão e o legado dos diálogos socráticos, como memória de Sócrates, que era uma figura central para sua geração. O diálogo é a grande ferramenta da filosofia, um dispositivo para mostrar que a filosofia se faz dialogando, sem o autor em primeira pessoa, mas como um espaço onde o pensamento acontece. Discute o chamado mundo das ideias, comenta a imagem mais famosa de Platão, o Mito da Caverna, e interpreta as metáforas em sua obra. Relaciona os principais temas: a tragédia grega; a Democracia; as soluções utópicas e as interpretações contemporâneas dos diálogos. Há neste episódio o time completo do Podcast Archai e a participação especial da atual diretoria da Sociedade Brasileira de Platonistas, que além de enviar perguntas, convida toda a audiência para o XIV Simpósio da SBP. Gabriele responde a todas as perguntas -com sua habitual generosidade- e nos ensina sobre a filosofia dialógica de Platão (e de Sócrates) por meio de um metapoético e metafilosófico diálogo neste podcast. Somos suspeitas, mas… é mesmo imperdível.
Fri, 01 Aug 2025 - 1h 07min - 105 - 99. Júlio César
Gilson Charles dos Santos (UnB) narra sua trajetória até os Estudos Clássicos, comenta os projetos dos quais participa, relembra sua atuação como professor de português como língua estrangeira e estabelece relações entre aquela experiência e sua prática atual. Na segunda parte, Charles apresenta o estrategista Júlio César, personagem de extrema importância tanto pelo que representou quanto pelo período histórico em que viveu (100–44 AEC). Ele o descreve como uma força disruptiva em um sistema de organização social que havia se expandido excessivamente, mantendo, no entanto, estruturas administrativas ainda limitadas — um grande império com a organização de uma cidade. Gilson Charles analisa as fontes antigas sobre a vida de Júlio César e discute sua influência na história ocidental após a queda de Roma e, por fim, reflete sobre os motivos que levaram a sua morte, situando-a no contexto das tensões políticas e sociais da República Romana.
Fri, 06 Jun 2025 - 36min - 104 - 98. Ovídio
Fernanda Cunha Sousa (UFJF) relembra sua trajetória nas Letras Clássicas: destaca a Extensão na Universidade ao relacioná-la ao currículo. Explica as atividades do CirceA; descreve a experiência de compor duas diretorias da SBEC e refere-se ao livro "Os Estudos Clássicos na Pandemia". No segundo bloco, Fernanda Cunha Sousa apresenta-nos a personagem Ovídio e tudo o que este poeta elegíaco, multifacetado e cosmogônico representa para ela. Destaca o legado, os gêneros, temas e principais obras compostas por Ovídio.
Fri, 23 May 2025 - 33min - 103 - 97. Geropso
Carolina Kesser (UFPel) conta sua carreira na ceramologia e destaca a importância da cerâmica enquanto cultura material arqueológica. Fala sobre os trabalhos desenvolvidos no LECA, explica as atividades realizadas no âmbito do ensino, pesquisa e extensão ao celebrar o ciclo de continuidade dos projetos. No segundo bloco deste episódio, Carolina Kesser apresenta Geropso, uma personagem de um vaso grego. Descreve o vaso e interpreta as cenas e os elementos desta representação ao analisar questões sobre identidade, gênero, etarismo, representações do corpo, a partir desta imagem.
Fri, 09 May 2025 - 46min - 102 - 96. Rainha Tiye
Priscila Scoville (UFRGS) relembra sua trajetória e o que a trouxe para os Estudos Clássicos e Egito. Conta sobre a experiência em fazer parte do LEAO e explica como o Laboratório funciona. Comenta sobre os desafios e possibilidades da pesquisa em Antiguidade Oriental no Brasil. Por fim, fala sobre a sua atuação como professora da Educação Básica, na International Schooling de Cingapura, e as conexões nesta experiência. Na segunda parte deste episódio, Priscila Scoville nos apresenta a personagem Tiye, apelidada de rainha plebeia. Explica as representações da Tiye, e como ela se tornou responsável por manter as relações diplomáticas do Egito.
Fri, 25 Apr 2025 - 38min - 101 - 95. Marcial
Robson Tadeu Cesila (USP) relembra sua trajetória acadêmica e o percurso nas Letras Clássicas. Conta como foi compor a equipe que comentou e editou traduções realizadas por Odorico Mendes de obras tão importantes da Literatura Latina. Analisa a importância das traduções como prática pedagógica e contribuição na divulgação científica.Comenta sobre as práticas letradas na Antiguidade e a história do livro. No segundo bloco deste episódio, Robson Tadeu Cesila apresenta o poeta latino Marcial e destaca a diversidade de sua obra. Explica as datas pouco precisas a partir de referências da própria obra poética do autor. Comenta sobre a recepção contemporânea da obra de Marcial e os limites do humor, ao considerar o epigrama satírico. Por fim, mostra outros poemas de Marcial e demonstra a obra dele como possibilidade de fonte para compreender a vida popular romana.
Thu, 10 Apr 2025 - 37min - 100 - 94. Lisístrata
Jane Kelly Oliveira (UEPG) descreve como começou sua trajetória na Universidade e nos Estudos Clássicos. Relembra o Giz-èn-scÉne e como ele marcou sua pesquisa e atuação docente. Comenta acerca dos desafios curriculares e resoluções transdisciplinares, por meio do diálogo entre o clássico e o moderno. No segundo bloco, Jane Kelly Oliveira nos apresenta a personagem Lisístrata, de uma peça de mesmo nome do comediógrafo Aristófanes. Lisístrata convoca e mobiliza todas as mulheres da Grécia para dar fim à Guerra do Peloponeso. Jane Kelly demonstra os debates, interpretações contemporâneas e a recepção fílmica desta protagonista.
Fri, 07 Mar 2025 - 33min - 99 - 93. Fedro, o fabulista
Ana Thereza Basílio Vieira (UFRJ) narra sua trajetória no Latim e nos Estudos Clássicos. Comenta sobre sua atuação na área de traduções, relembra sua experiência na edição da CODEX e suas pesquisas recentes sobre Plínio, o Velho. No segundo bloco, Ana Thereza Basílio Vieira apresenta-nos a personagem Fedro, o fabulista, primeiro autor dedicado às fábulas no cenário romano. Explica a obra de Fedro e analisa a estrutura da Fábula. Destaca as inovações deste autor, além de sua contribuição para o gênero. Por fim, reflete sobre a moral presente nas fábulas de Fedro, discute o tema da escravidão e compara suas obras com as fábulas de Esopo.
Fri, 29 Nov 2024 - 26min - 98 - 92. Cleópatra da Macedônia
Erica Angliker (Escola Britânica de Atenas/ Unicamp) conta para nós sua história - que começa com Física - até a Arqueologia. Aproxima as ilhas gregas e a religião; explica o programa de escavação da Escola Brasileira de Verão e fala sobre novos projetos. No segundo bloco, Erica Angliker apresenta a personagem Cleópatra da Macedônia, uma das três irmãs de Alexandre, o Grande. Comenta sobre a formação e função da Cleópatra da Macedônia, e das mulheres, para o papel político. Por fim, explica como foi o funeral da Cleópatra, fala sobre os tesouros e descreve o que foi impactante, em sua análise, a partir da cultura material e herança cultural.
Fri, 11 Oct 2024 - 34min - 97 - 91. Perseu
Camila Diogo de Souza (UFF) relembra e conta para nós como foi sua trajetória no mundo dos Estudos Clássicos, na História e Arqueologia. Comenta sobre a publicação de um Dossiê que percorre todos estes anos de pesquisa, na cidade de Argos. No segundo bloco, Camila Diogo de Souza apresenta a personagem Perseu e explica como a mitologia encontra arqueologia, ao aproximar as fontes materiais, literárias e a cidade Argos.
Fri, 06 Sep 2024 - 47min - 96 - 90. Dhuoda
Camila Ezídio (U. Porto/ UFBA) relembra o percurso na filosofia e formação da professoralidade. Explica suas pesquisas no pós-doutorado e ao comentar sobre a História da Filosofia e o estudo das mulheres-filósofas, nos fala sobre a Hildegarda de Bingen. No segundo bloco, Camila Ezídio apresenta a personagem Dhuoda, ao contextualizar historicamente e socialmente o processo de composição da obra "Liber Manualis". Em seguida, compara as semelhanças e diferenças entre "Liber Manualis", de Dhuoda com "Ética a Nicômaco", de Aristóteles e "De magistro", de Agostinho. Por fim, analisa a atualidade e temas presentes nesta obra ao destacar a figura ativa materna de Dhuoda na educação de Guilherme, seu filho.
Fri, 28 Jun 2024 - 36min - 95 - 89. Teofrasto
Edson Resende (UFRRJ) narra sua trajetória que começa na Psicologia, passa pela História e alcança a Filosofia. Conta para nós uma anedota sobre como passou de Aristóteles para Teofrasto, ao propor uma leitura de aproximações entre eles. Comenta sobre a experiência do pós-doutorado, na Universidade de Aix-Marseille. No segundo bloco deste episódio, Edson apresenta a personagem Teofrasto, sucessor imediato de Aristóteles, no Liceu. Explica sobre os estudos teofrastianos, as fontes, publicações e traduções em português. Em seguida, relembra o contexto histórico em que Teofrasto viveu e escreveu. Explica como Teofrasto esteve relacionado a Aristóteles. Faz referência sobre as obras homônimas de Aristóteles e Teofrasto, analisa a recepção e menciona o estado atual dos estudos sobre a Metafísica de Teofrasto.
Fri, 03 May 2024 - 29min - 94 - 88. Boudica
Tais Pagoto Bélo (MAE/ULB) narra sua trajetória nos Estudos Clássicos desde o curso de História até a Arqueologia. Em seguida, comenta sobre fontes materiais e Numismática Antiga. Conta ainda sobre as experiências em realizar pesquisa em países e instituições diferentes. No segundo bloco, Tais nos apresenta a personagem Boudica, rainha e guerreira da Britânia. Analisa os usos do passado, a recepção sobre a Boudica desde o Renascimento até a Época Moderna e os dias de hoje. Cita as fontes: Tácito e Dião Cássio. Explica o que a Boudica significa para os britânicos, como a sua figura está relacionada com as questões femininas e feministas, na Inglaterra.
Fri, 12 Apr 2024 - 35min - 93 - 87. Teógnis de Mégara
Rafael Brunhara (UFRGS) narra seu percurso nas Letras, relembra como foi ser encantado pelos Estudos Clássicos, poesia lírica, professoras e professores. Comenta sobre o processo e a publicação - em coautoria com a Giuliana Ragusa - do livro “Elegia Grega Arcaica: Uma Antologia”. Por fim, conta-nos sobre a atual diretoria da SBEC. Destaca a importância de reconhecer a realidade dos Estudos clássicos em todas as regiões do Brasil, observa como a extensão tem um papel preponderante e analisa as transformações das Licenciaturas. No segundo bloco deste episódio, Rafael Brunhara nos apresenta Teógnis de Mégara. Explica o contexto de composição deste poeta. Analisa a importância da poesia de Teógnis ao elucidar que foi um poeta muito lido nos círculos socráticos. Por fim, comenta sobre uma coleção de poemas chamada Teognideia e a Questão Teognídea.
Fri, 29 Mar 2024 - 34min - 92 - 86. Héracles
Cristina Franciscato (USP) relembra o ciclo percorrido até os estudos clássicos e conta sua trajetória acadêmica. Em seguida, comenta como surgiu o “Canto das Musas” - um canal com mais de 7 mil seguidores - e antecipa para nós os próximos planos. Por fim, narra sua atuação como professora durante viagens para a Grécia. No segundo bloco, Cristina Franciscato nos apresenta a personagem Héracles, a partir do nascimento deste herói. Destaca as fontes mais antigas a respeito dos 12 trabalhos de Héracles; explica as variações do mito e analisa a loucura de Héracles. Por fim, comenta a experiência de traduzir o Héracles, de Eurípides e partilha conosco a sua leitura desta tragédia.
Fri, 01 Mar 2024 - 35min - 91 - 85. Xenofonte
Lucia Sano (Unifesp) relembra sua trajetória acadêmica nas Letras Clássicas até chegar a Xenofonte. Em seguida, conta para nós como foi ser finalista em um dos prêmios mais importantes do país - Prêmio Jabuti- e como foi traduzir Xenofonte. Por fim, comenta sobre o projeto de extensão Interlúdios Clássicos. No segundo momento deste episódio, Lucia Sano nos apresenta a personagem Xenofonte, conhecido por ter sido um pupilo do Sócrates. Explica o porquê de Xenofonte ser considerado um autor menos prestigiado do que Platão e Tucídides, apesar de também ter escrito sobre Sócrates e a Guerra do Peloponeso. Por fim, ressalta ser extensa a obra de Xenofonte (14 textos) e comenta sobre os temas que figuram na Anábase; Ciropédia e Helênicas. Analisa que Xenofonte preocupa-se com as relações humanas e a aplicação prática.
Fri, 08 Sep 2023 - 31min - 89 - 84. Neera
Carolina Araújo (UFRJ) conta para nós sua trajetória até a filosofia e relembra um ponto importante em sua formação: ter sido a terceira geração orientada por mulheres. Explica como surgiu o projeto de extensão "Quantas Filósofas?". Na segunda parte deste episódio, Carolina Araújo apresenta a personagem Neaira e explica que há somente uma fonte sobre ela: um discurso forense de acusação de autoria do Apolodoro. Este texto é relevante por ser uma das fontes mais importantes sobre as leis, as regras comunitárias na Atenas democrática sobre o casamento. Carolina Araújo explica do que Neaira é acusada, comenta sobre a lei que proíbe casamento com estrangeiro e fala sobre o conceito de cidadania no feminino. Em seguida, descreve o estatuto social da cortesã e o que aconteceu com Neaira quando ela deixou de ser jovem; diferencia cortesã e concubina. Carolina Araújo finaliza e analisa a importância da leitura deste texto de maneira crítica para o estudo das mulheres na antiguidade, sobre a estrutura do casamento, ideia de cidadania e condição das mulheres. Sobre “Contra Neera”, de Apolodoro, temos uma edição em português de Portugal da Annablume Clássica, tradução da Glória Onelley. Podcast/canal no youtube da Carolina Araújo: https://www.youtube.com/@mulheresnafilosofia
Fri, 18 Aug 2023 - 39min - 88 - 83. Apolônio Díscolo
Fábio Fortes (UFJF) narra sua trajetória nos Estudos Clássicos que começou com o interesse pelo Latim. Em seguida, fala sobre o projeto "Letras Clássicas na Escola: Latim, Cultura Clássica e Ensino". Comenta sobre a importância da interface com a Educação Básica e analisa o espaço dos Estudos Clássicos nas escolas. No segundo bloco, apresenta a personagem Apolônio Díscolo: um gramático de Alexandria que viveu no séc II d.C. Ele teria escrito mais de 30 tratados gramaticais dos quais apenas 4 chegaram aos nossos dias. Conta sobre o epíteto Díscolo. Explica a gramática antiga e demonstra que a obra de Apolônio tem um caráter ao mesmo tempo descritivo e prescritivo: na medida em que o gramático/filólogo se debruça sobre a materialização de textos existentes e conhecidos em sua época, a partir desta pluralidade e diversidade de lições, textos e autores, Apolônio Díscolo propõe um modelo teórico unificante, a partir do qual, cria uma norma, sobretudo para quem está trabalhando com edições de textos grego. Comenta sobre a obra "Perì syntáxeos", uma síntese entre duas tradições de reflexão sobre a linguagem: a filológica e a lógica. Por fim, relaciona os fundamentos conceituais das gramáticas atuais com as antigas e mostra que temas como variação linguística e dialetos já estavam presentes.
Fri, 04 Aug 2023 - 29min - 87 - 82. Flautista do Banquete
Vicente Brazil (UECE) conta para nós a sua trajetória acadêmica até a filosofia antiga, comenta as pesquisas realizadas junto com a professora Maria Aparecida de Paiva Montenegro. Destaca a importância dos cursos de extensão de grego, ofertados aos sábados, pela professora Ana Maria César Pompeu e pelo professor Orlando Araújo, na UFC. Analisa os avanços a respeito do ensino de filosofia, relembra a atuação enquanto professor de filosofia na Educação Básica e a presença da filosofia nas avaliações externas. No segundo bloco deste episódio, Vicente Brazil nos apresenta a personagem Flautista, do Banquete de Platão. Explica o porquê de a flautista não ser exatamente uma instrumentista de flauta, mas de um aulo. Interpreta os dois momentos em que a flautista aparece no Banquete: primeiro sendo retirada do ambiente e depois o seu retorno, apoiando Alcibíades. Por fim, demonstra que o feminino atravessa todo o contexto da obra e analisa que há outro personagem no Banquete que também é chamado de flautista, Sócrates, que encantava apenas com as palavras.
Fri, 21 Jul 2023 - 37min - 86 - 81. Fedro
Patricia Lucchesi (UFMG/UFU) conta-nos sua trajetória que começou na área da saúde; passou pelo curso de Letras (e Grego) e alcançou a Filosofia no Mestrado e Doutorado. Em seguida, explica como surgiu o projeto cultural "Estação Filosofia" e destaca a importância da extensão e do compromisso social. Comenta sobre o recém-lançado "A Performance da Psicagogia no Fedro de Platão" e os temas centrais discutidos no livro. Na segunda parte deste episódio, Patricia Lucchesi apresenta a personagem Fedro. Salienta a dificuldade de precisar este personagem como histórico. Fedro seria do demo Myrrhinos e aparece, além do diálogo homônimo, em Protágoras; Mênon e Banquete. Patricia Lucchesi destaca os contextos em que Fedro aparece nos diálogos de Platão e relaciona o nome da personagem com o tema do diálogo. Junto de Monique Dixsaut, Patricia Lucchesi considera a alma, em Platão, uma espécie de ponto de convergência que vai unir a perspectiva epistemológica, ontológica, metafísica e política. Em seguida, relaciona a persuasão retórica e a psicagogia filosófica, no Fedro.
Fri, 07 Jul 2023 - 27min - 85 - 80. Ártemis
Juliana da Hora (UNISA) conta para nós sua trajetória interdisciplinar e como foi o caminho até a arqueologia, a partir das Letras. Em seguida, explica a relação entre os estudos do feminino e os projetos de extensão, voltados para pensar o presente. No segundo bloco, Juliana nos apresenta a personagem Ártemis. Divindade múltipla, desde a origem, está no limiar entre o selvagem e o mundo civilizado. Ártemis está relacionada às mulheres nas várias esferas de suas vidas: rito de iniciação; rito de passagem da menina para a mulher; protetora das gestantes e no momento do parto. Divindade de muitos atributos, sua representação pode ser reconhecida por meio da vestimenta; aspecto da caça, ligada a animais ou representações apotropaicas. A representação de Ártemis, na materialidade, pode ser encontrada em epigrafias, inscrições, vasos, objetos encontrados em locais de oferendas votivas, em santuários, nos elementos imagéticos, representações iconográficas e em figuras de terracota. Por fim, Juliana da Hora explica a relação entre Ártemis e Hécate.
Fri, 23 Jun 2023 - 25min - 84 - 79. Euclides
César Mathias de Alencar (UNIFAP) conta os caminhos que trilhou até chegar na filosofia. Explica a origem do grupo de pesquisa "Diálogo e Ação Humana", as atividades desse grupo e sobre os projetos de extensão. No segundo bloco deste episódio, César Mathias de Alencar nos apresenta a personagem Euclides de Mégara e o que se sabe sobre seus escritos. Explica sobre o qualificativo "socráticos menores", que parece ser depreciativo, mas decorre da quantidade de material. Analisa a possibilidade de Euclides ser um dos socráticos maiores. Conta a anedota de que Euclides, por conta do banimento de megarenses em Atenas, se vestia de mulher e entrava na cidade para ouvir Sócrates falar. Fazia de tudo para conviver com Sócrates. César comenta a relação entre a vida e a obra, a partir de testemunhos, fragmentos, fontes secundárias, textos que trazem intertextualidade e a preocupação com o âmbito anedotário. Por fim, aponta o surgimento dos diálogos socráticos, como um constante exercício de rememoração, ao transformar a oralidade da dialética socrática em texto.
Fri, 09 Jun 2023 - 28min - 83 - 78. Alcibíades
Guilherme Moerbeck (UERJ/UQAM) conta como surgiu o interesse pela História Antiga, a partir de uma interpretação aristofânica. Explica seu percurso e a dinâmica de que “a pesquisa nos escolhe”, ao falar sobre sua pesquisa em ensino de História Antiga e a fronteira com várias áreas de conhecimento: Filologia; Antropologia e Educação. Fala sobre o Didaskō - Grupo de Estudos em Ensino de História Antiga. Pondera sobre o que já avançou e precisa ser aprimorado no ensino desta disciplina no Brasil. No segundo bloco deste episódio, Moerbeck nos apresenta a personagem Alcibíades, figura intrigante da elite ateniense da segunda metade do séc. V AEC.Filho de Clínias e Dinômaca, Alcibíades foi educado por um pedagogo, na casa de Péricles. Guilherme Moerbeck explica a construção da ideia do homem excepcional e os grandes atos heróicos. Enquanto descreve esta figura ambivalente, cita as fontes históricas e literárias nas quais é possível ter acesso à história de Alcibíades. Por fim, recomenda aos interessados fontes e cuidados, no sentido de perceber a diversidade de retratos a partir da amplitude de autores que falam a respeito dessa personagem.
Fri, 26 May 2023 - 40min - 82 - 77. Protágoras
Maicon Reus Engler (UFPR) conta-nos sobre a sua história, relembra os professores e a sua trajetória até a filosofia. Fala sobre as experiências pedagógicas; comenta sobre a EAD e o ensino de filosofia. Opina sobre as atuais ferramentas de inteligência artificial para produção de textos e o que há de diferente entre a inteligência humana e artificial, destacando a sistematização de Topoi e Tropos de linguagem. No segundo bloco deste episódio, Engler nos apresenta Protágoras, um sofista que existiu de fato, além de ter sido caracterizado no homônimo diálogo de Platão. Explica as teses de Protágoras; analisa os fragmentos e a fama por dar forma ao relativismo e subjetivismo. Exemplifica a antilogia, a erística e o papel de Protágoras dentro da história da sofística. Destaca a inovação de Protágoras, ao fazer um estudo da linguagem e gramática. Comenta sobre o processo; os livros queimados e a morte de Protágoras. Por fim, demonstra a importância e relevância de se estudar a sofística e a retórica nos dias de hoje.
Fri, 12 May 2023 - 26min - 81 - 76. Mia
Gislene Vale dos Santos (UFBA) conta para nós as suas experiências e vivências na trajetória em filosofia antiga. Fala sobre ser mulher e filósofa; explica como surgiu o interesse em trabalhar com o pensamento das filósofas antigas. No segundo bloco, Gislene nos apresenta a personagem Mia, a filósofa. Filha de Teano e Pitágoras, nascida em Crotona, no séc V a.C., Mia fez parte do círculo de Pitágoras. Gislene dos Santos comenta e analisa como uma carta atribuída à Mia, endereçada a uma amiga que acabou de ser mãe, contribui para a compreensão do pensamento filosófico de Mia: filosofia, misticismo, matemática, ambiente doméstico, ambiente cósmico, pensar seu tempo e sua condição como mulher. Tudo isto aparece nesta carta: equilíbrio, trilha de formação de valores, um universo formativo. Gislene chama a atenção para o fato de que o ambiente doméstico é também filosófico. Sobre as fontes, comenta sobre a Epistolografia e um conjunto de cartas e fragmentos das autoras do circuito pitagórico. Estabelece conexões sobre o fato de haver diversas mulheres pitagóricas na tradição antiga com uma característica especial neste movimento filosófico. Finaliza destacando a importância de trabalhar com o pensamento destas autoras, nos dias de hoje.
Fri, 28 Apr 2023 - 35min - 80 - 75. Eurípides
Fernando Brandão dos Santos (UNESP-Araraquara) conta sua trajetória acadêmica e como se interessou pelo grego e teatro grego. Em seguida, comenta como foi trabalhar na confecção do Dicionário Grego-Português - no Brasil- e como este projeto evoluiu ao longo do anos. Por fim, fala sobre o nascimento e as atividades do Grupo de leituras dramáticas Giz-en-Scène. Na segunda parte deste episódio, Fernando apresenta a personagem Eurípides, um dos grandes tragediógrafos da Grécia Antiga. Demonstra como gosta de pensar a obra de Eurípides: o modo de compor a personagem; quem seria o herói trágico; como revela as paixões humanas e a tensão dramática explorada ao máximo. Analisa e mostra como se dá um dos elementos que mais encantam em Eurípides: a maneira pela qual ele registra os estados de alma das personagens. Comenta também sobre Eurípides ser considerado o menos religioso dos tragediógrafos e misógino. Finaliza com uma reflexão sobre a recepção moderna de suas obras.
Fri, 14 Apr 2023 - 28min - 79 - 74. Aquiles
Christian Werner (USP) narra as motivações e sua trajetória até o grego clássico. Em seguida, comenta sobre as suas traduções e como elas estão interligadas ao seu percurso acadêmico. Por fim, fala sobre o grupo de pesquisa e os projetos atuais. No segundo bloco deste episódio, Christian apresenta a personagem Aquiles, na tradição da guerra de Troia e no contexto da Ilíada e da Odisseia. Filho de Tétis (deusa marítima) e Peleu (herói), Aquiles é um dos grandes heróis que participa da guerra de Troia, mas que nem sempre está associado ao juramento feito em ocasião do casamento de Helena; um dos poucos grandes heróis gregos que morre (jovem) em Troia. Explica sobre o tornozelo de Aquiles. Cita passagens emblemáticas da Ilíada: as armas de Aquiles; o escudo feito por Hefesto; o grande amigo Pátroclo; a relação intensa entre os dois heróis; o luto; e da Odisseia: o diálogo entre Odisseu e Aquiles, no Hades. Werner compara como Aquiles é representado em cada poema e analisa Aquiles como um herói em busca da figura paterna. Personagens como Agamêmnon, Nestor, Fênix, Pátroclo, e até mesmo a deusa Atena, tentam ocupar este espaço. No último canto da Ilíada, Aquiles encontra a figura paterna em Príamo, o pai de Heitor. Por fim, Christian Werner tece comentários sobre a recepção.
Fri, 31 Mar 2023 - 35min - 78 - 73. Possidônio de ApameiaFri, 17 Mar 2023 - 33min
- 77 - 72. Nous
Celso de Oliveira Vieira (RUB) rememora seu caminho até os Estudos Clássicos: Letras; Literatura; Filosofia e como estas conexões refletem no seu trabalho. Em seguida, conta sobre a experiência no pós-doutorado, no exterior. Celso explica como surgiu o "Projeto Educacional Ninho" e descreve as oficinas pedagógicas e filosóficas que fazem parte deste projeto social. Na segunda parte deste episódio, Celso Vieira define e explica a noção polissêmica de Nous, o intelecto. Posteriormente, explora as peculiaridades a partir de contraposições: percepção/emoções; parte racional da alma/parte mais emotiva, em Platão; capacidade intuitiva/ conhecimento demonstrativo, em Aristóteles. Demonstra como o Nous aparece na poesia épica, em Homero, de forma imediata, como na passagem em que Menelau encontra Páris no campo de batalha ou demonstrativo, como quando Odisseu vai contar o plano para convencer Aquiles a voltar para guerra. Apresenta a diferença quando o Nous é retratado na poesia lírica e cita passagens de Teógnis. Por fim, analisa o papel de intersubjetividade do Nous na filosofia pré-socrática, a partir de um fragmento de Heráclito e argumentos de Parmênides. Diferentes contextos moldando uma percepção.
Fri, 03 Mar 2023 - 36min - 76 - 71. Manílio
Marcelo Vieira Fernandes (USP) conta como chegou aos Estudos Clássicos, a partir do interesse pela Língua Latina, relembra o tempo da faculdade e sua experiência como bolsista da Fondation Hardt. Explica as transformações do projeto PLUSP, os conteúdos e banco de questões disponíveis no Moodle. Na segunda parte deste episódio, Marcelo Fernandes nos apresenta a personagem Manílio, do séc I d.C. e sua obra Astronômicas. Dividida em cinco livros, o poema trata sobre: I. descrição do céu, fenômenos físicos e constelações ; II e III descrição das características dos signos masculinos e femininos; IV e V efeitos observados na vida humana como resultado da influência dos astros. Há um aspecto mitológico, ao estilo dos Catasterismos, de Eratóstenes, em Manílio, como pode ser observado na narrativa de Perseu e Andrômeda. Manílio pode ser visto como uma espécie de imitação/ emulação de Lucrécio e Virgílio, mas pode ser uma voz de resposta a tudo isto, a partir da convicção filosófica. Por fim, Marcelo comenta os desafios da leitura e tradução deste poema que não pode ser deixado de lado.
Fri, 30 Dec 2022 - 30min - 75 - 70. Tertuliano
Alessandro Beccari (UNESP - Assis) conta seu percurso acadêmico e o que o atraiu para o Latim e Estudos Clássicos. Explica sobre o Mestrado Profissional, voltado para a prática docente, comenta acerca da aproximação dos estudos clássicos neste programa ao mencionar a disciplina Historiografia Linguística e a correlação entre as gramáticas e a tradição gramatical que remonta à Grécia Antiga. Por fim, conta sobre o Centro de Documentação em Historiografia Linguística e as possibilidades de pesquisa. Na segunda parte deste episódio, Alessandro nos apresenta a personagem Tertuliano a partir das fontes: Jerônimo (De Viris Illustribus) e Agostinho. Comenta sobre a obra de Tertuliano, o tratado De Anima, e como ele foi polemista e apologista. Explica o movimento Montanismo, também chamado de Nova Profecia, que aparece em Contra Marcião. Destaca a formação jurídica de Tertuliano e como as formas do discurso de Tertuliano são provenientes da retórica antiga, como pode ser visto em De spectaculis, visto que há argumentação lógica e psicológica. Alessandro Beccari exemplifica isto a partir da leitura de trechos de sua tradução. Em seguida, finaliza destacando a importância deste texto hoje.
Fri, 16 Dec 2022 - 27min - 74 - 69. Apolônio de Rodes
Fernando Rodrigues Jr (USP) conta sua trajetória nas Letras Clássicas e apresenta o Grupo de Pesquisa Hellenistica, os eventos temáticos e as publicações. Comenta o que mudou no ensino de Letras Clássicas e contribuições para o futuro. Na segunda parte deste episódio, Fernando Rodrigues Jr apresenta a personagem Apolônio de Rodes, um dos principais poetas do período helenístico, e sua obra As Argonáuticas, poema épico organizado em 4 livros, focado na expedição dos argonautas. Os dois primeiros livros relatam a viagem de ida dos Argonautas da Grécia até a Cólquida; o livro 3 se passa na Cólquida e há o encontro entre Jasão e Medéia; o último é o livro do retorno. Explica que as três instâncias narrativas são marcadas por prefácios.Fernando Rodrigues Jr comenta sobre as traduções para o português d'As Argonáuticas, a relevância de estudar na contemporaneidade este texto de Apolônio e fala sobre as reminiscências, citando o exemplo da Eneida, de Virgílio que teria sido inspirada nas Argonáuticas de Apolônio. Reflete a influência de Homero a partir de aproximações e demonstra exemplos de elementos distintos. Fernando analisa que o nosso conhecimento da poesia épica antiga é fragmentado por conta da preservação lacunar dos textos. Por fim, elucida a suposta querela entre Apolônio e Calímaco.
Fri, 25 Nov 2022 - 38min - 73 - 68. Dioniso
Fernando Santoro (UFRJ) narra como foi seu primeiro contato com a Filosofia Antiga e relembra seus professores, sua trajetória e sua formação. Em seguida, conta sobre o Laboratório Ousia, o grupo de pesquisa em Filosofia Clássica e como o início se deu a partir de Aristóteles, sendo ampliado para o incontornável Platão e os estudos pré-socráticos. Comenta sobre o projeto de extensão Teatro das Ideias Vivas, que busca outras tradições antigas culturais que também trazem experiências sapienciais importantes para a contemporaneidade. No segundo bloco, Fernando Santoro evoca e nos apresenta Dioniso, a partir dos epítetos. Estrangeiro. Uma divindade paradoxal que chega e invade um território e transforma a ordem. Traz a cultura da festa, do vinho, das transformações da vida. Aquele que nasce duas vezes: a divindade da vida que se renova. Manifesta ciclos, estações, passagens. Bromios. Aquele que abala e faz tremer as estruturas. Faz com que o tirano caia. Baco. Vinha e uva: potência inebriante do vinho. Trans por excelência. Movimento e transformação. Iaco. Dioniso está presente em todos os espetáculos teatrais. Por fim, Santoro relaciona Dioniso e as religiões de matrizes africanas e discorre sobre uma tragédia intitulada Penteu, que ele escreveu, publicada na Revista Codex. Uma "recepção canibal" de um fragmento de uma tragédia perdida de Ésquilo. Evoé. https://revistas.ufrj.br/index.php/CODEX/article/view/38916
Fri, 11 Nov 2022 - 46min - 72 - 67. Hipócrates
Henrique Fortuna Cairus (UFRJ) conta como começou sua trajetória no mundo das Letras a partir do estudo de textos e da Poesia. Nunca poderia imaginar que fosse parar na área de Estudos Clássicos. Quando chegou na faculdade de Letras, se encantou tanto pelas línguas indígenas quanto pelos estudos clássicos. Mas foi a prova de Mestrado que selou o destino e foi preponderante em sua jornada. Henrique Cairus comenta ainda sobre a sinergia entre as línguas indígenas e as línguas clássicas e a pesquisa sobre "A natureza degenerante: o Brasil de Hipócrates". Relata sobre a história, os trabalhos e a dinâmica do Proaera. Analisa notadamente como estão os Estudos Clássicos no Brasil. Por fim, Henrique Cairus explica como o Grego Antigo está relacionado com sua atuação na Igreja Ortodoxa Grega. Na segunda parte deste episódio, Henrique Cairus nos apresenta o corpus hippocraticum, uma coletânea de sessenta textos. Explica a relação com a medicina e a ciência, o pensamento hipocrático sobre saúde e doença. Comenta sobre o impacto que as publicações e estudos modernos tem com a medicina contemporânea e o juramento de Hipócrates, como uma espécie de peça deontológica da medicina. Analisa a influência da medicina hipocrática para a questão da medicina no Brasil, a partir das leituras do séc. XVII. Por fim, conta uma anedota de bastidores sobre a publicação do livro best-seller. Imperdível.
Fri, 28 Oct 2022 - 37min - 71 - 66. Teodora de Bizâncio
Lyvia Vasconcelos (UFRN) conta como escolher História foi uma reflexão intuitiva e uma decisão feliz, visto que desde o primeiro momento na universidade, sempre foi algo que ela gostou de fazer. Em seguida, fala sobre o interesse pela museologia a partir de uma experiência em expedições na Turquia onde ela analisou a cultura material e relacionou com suas pesquisas anteriores sobre contextualizar objetos arqueológicos em museus. Lyvia Vasconcelos comenta sobre o contexto digital, o que significa apresentar um objeto material de uma forma virtual, como uma transferência e formas de pensar a museologia. No final da primeira parte deste episódio, Lyvia Vasconcelos reflete sobre o ensino de História Antiga e o desafio que envolve todo o sistema de ensino: repensar a forma como se ensina e aprende; vincular mediação de conhecimento em sala de aula; interação entre objeto e conhecimento. Na segunda parte deste podcast, Lyvia Vasconcelos nos apresenta a personagem Teodora de Bizâncio, uma mulher inspiradora, influente e constantemente recriada.Torna-se imperatriz de Bizâncio (527-548 d.C.) ao casar-se com o imperador Justiniano. As principais fontes sobre Teodora são o historiador bizantino Procópio de Cesareia e Miguel, o Sírio. Fontes contemporâneas ressaltam o caráter político e fontes tardias destacam o aspecto religioso. Após ressaltar a importância da Teodora nos estudos bizantinos, Lyvia Vasconcelos comenta sobre a recepção e como Teodora de Bizâncio aparece na Literatura, jogos, romances, teatro, filmes, fantasias e moda.
Fri, 14 Oct 2022 - 37min - 70 - 65. Filebo
Fernando Muniz (UFF) conta sua trajetória nas Letras Clássicas que começou com Filosofia, no auge dos "anos de chumbo". Comenta sua pesquisa sobre a questão do prazer e como isto influenciou sua Tradução de Filebo. Reflete a importância de existir uma tradução no vernáculo, por possibilitar vocabulário e formulação do problema na própria língua. Fernando Muniz explica como se deu o diálogo e a colaboração durante a tradução simultânea de Filebo, junto de George Rudebusch. Por fim, analisa como estão os estudos platônicos no Brasil. Na segunda parte deste Episódio, Fernando Muniz nos apresenta a personagem Filebo, que existe no mundo filebiano de Platão: é uma personagem inteiramente ficcional, não tem correspondente histórico. Explica que no drama filosófico tudo da personagem diz respeito à filosofia, ao considerar que encarna posições e atitudes filosóficas. O próprio nome indica uma conexão com a fruição do prazer que seria possível em uma juventude hedonista. Comenta sobre o título do Diálogo: enquanto dorme Filebo, o hedonismo radical dele está sendo substituído por um hedonismo filosófico, de Platão. Por fim, reflete sobre o sentido de ler Filebo e falar sobre Platão em nossos dias.
Fri, 30 Sep 2022 - 36min - 69 - 64. Apolo
Lidiane Carderaro (MAE-USP) conta sua trajetória acadêmica multidisciplinar que começa com o curso de Letras e o Grego Antigo. Mas foi na especialização em Estudos Clássicos (UnB) que Lidiane vivenciou por completo este campo e ampliou sua pesquisa em dois Mestrados (ao mesmo tempo!) em Estudos Clássicos e História, ao analisar a iconografia clássica e estabelecer relação com a música, paixão antiga. Em seguida, no Doutorado, Carderaro estuda Arqueologia e expande sua pesquisa para 21 personagens que têm relação com a música e esta relação é expressa na cerâmica. Ao encerrar a primeira parte deste Podcast, ela comenta também sobre os desafios metodológicos ao transitar por diferentes áreas. Na segunda parte deste Episódio, Lidiane Carderaro nos apresenta a personagem Apolo, deus de muitos epítetos. Deus da música, das batalhas e protetor dos jovens, se mostra presente temporalmente e espacialmente em todos os locais que os gregos chegaram em sua expansão, por ser o deus da instituição de novas cidades. Lidiane explica as representações iconográficas de Apolo; as cerimônias com execução instrumental e coral; os festivais; os Jogos Délios - nos quais os vencedores eram coroados com palmeiras - e os Jogos Píticos - coroados com louro - tudo em honra a Apolo. Carderaro finaliza sua fala com a relação de associação entre Apolo e as Musas e posteriormente com a relação de oposição entre Apolo e Dioniso.
Fri, 23 Sep 2022 - 28min - 68 - 63. Nefertiti
Gisela Chapot (FSBRJ) conta para os ouvintes sua trajetória, atuação no Laboratório de Egiptologia do Museu Nacional (Seshat) e como chegou aos estudos sobre Egito e Iconografia egípcia. Gisela Chapot comenta também sobre o impacto do incêndio no Museu Nacional e o trabalho feito pela equipe interdisciplinar de resgate e tratamento das coleções. Ao finalizar o primeiro bloco, Gisela Chapot descreve como foi sua experiência in loco no Projeto de Pesquisa e Conservação da Tumba de Neferhotep, missão arqueológica que atua no Vale dos Nobres, Lúxor. Na segunda parte deste episódio, a professora Gisela Chapot apresenta a personagem Nefertiti, uma mulher de grande protagonismo durante a Reforma de Amarna, mudança de capital e de indicações religiosas. Nefertiti, a grande esposa real, a mais bela, teve uma grande participação política, um templo dedicado a ela em Tebas e as filhas levaram o nome dela. Neste episódio, aprendemos sobre o papel, o protagonismo e as várias representações da Nefertiti, para além do famoso busto de Berlim.
Fri, 03 Jun 2022 - 36min - 67 - 62. Heliogábalo
Semíramis Corsi (UFSM) conta para nós sua paixão por História a partir de uma forte influência da Mãe, a começar pelo nome. Filha de Pedagoga, Semíramis cresceu ouvindo muitas histórias, reais e fantasiosas, contadas pela Mãe. Seu avô sempre a levava para passear no cemitério da cidade, aos domingos, e ele ia contanto as histórias das pessoas que estavam enterradas ali. A tudo isto soma-se o gosto pela matéria escolar "História", na 5ª série. Cursar História foi uma forma de vivenciar a paixão pela docência e pela escrita. Semíramis Corsi destaca que a paixão pela História Antiga foi um percurso menos imediato, mas seu interesse por religiosidade e a participação em um minicurso sobre magia e poder na Roma Antiga foram decisivos em sua trajetória: pesquisou desde representações da magia e poder no Império Romano a partir da poesia de Horácio; até os filósofos Apuleio e Apolônio de Tiana. Semíramis fala também sobre o Podcast Diálogos Olimpianos que começou a ser produzido em 2020, por causa do isolamento social, como um material didático para os estudantes das disciplinas em que ela lecionava. Os primeiros episódios tratam de temas do Oriente Antigo e Religiosidade. Até agora somam-se 59 episódios com textos comentados, entrevistas e materiais sobre as pesquisas também dos seus orientandos. Semíramis Corsi analisa que Podcasts são instrumentos bons para divulgar conhecimento e que atinge um público amplo. Outro assunto muito aguardado que a Semíramis Corsi também comenta é sobre o grandioso projeto do Compêndio Histórico de Mulheres da Antiguidade, que será uma importantíssima contribuição para a temática de gênero no Brasil. O Compêndio terá 02 tomos sobre personagens femininas literárias e históricas. Na segunda parte deste episódio, Semíramis Corsi nos apresenta a personagem Heliogábalo, um jovem imperador, de origem siríaca, que governou Roma de 218-222, dos 14 aos 18 anos. As principais fontes são Dião Cássio e Herodiano. A historiografia tradicional representa-o com uma imagem negativa, por falta de moderação e uma vida hedonista. A imagem hiperbólica e exagerada de Heliogábalo por estas fontes senatoriais pode ser uma construção retórica, por causa do posicionamento político desses homens com a imagem que eles fazem de Heliogábalo. Há questões de gênero envoltas nas representações textuais dele. Heliogábalo chegou ao poder a partir de uma linhagem matrilinear. Além disso, Heliogábalo é compararado a Dioniso, pela ambiguidade. As vestimentas bárbaras, tidas como femininas pelas fontes e os olhos pintados fizeram-no ser represetado com exotismo, como pode ser lido também na sátira III de Juvenal. Outro aspecto que foi visto de forma negativa pelas fontes senatoriais foram os casamentos de Heliogábalo: casou-se com 2 maridos e 3 esposas, dentre elas, uma vestal. Para Semíramis Corsi, os casamentos poderiam ser alianças políticas e o casamento com a vestal pode ser analisado como uma possibilidade de encontros culturais: ele um sacerdote de um deus sírio, ela uma sacerdotisa romana. Semíramis destaca que tem que ser cruzado o aspecto bárbaro e feminino ao mesmo tempo, além da presença forte da mãe e da avó, no cenário político. Por fim, Semíramis analisa que a intervenção na genitália, descrita em Dião Cássio, tem ligação com o culto, que envolvia intervenção real ou simbólica no corpo do iniciado. Há poucos trabalhos sobre Heliogábalo, mas depois de ouvir a Semíramis Corsi neste episódio, Heliogábalo passou de personagem esquecida pela historiografia para um dos mais interessantes jovem imperador.
Fri, 27 May 2022 - 41min - 66 - 61. Empédocles
Alexandre da Silva Costa (UFF) partilha conosco sua trajetória Polymathés que atravessa vários saberes: História, Filosofia, Teatro e Literatura. Alexandre Costa nos conta também sua travessia geográfica e linguística entre Alemanha e Brasil que entrelaça a sua formação pessoal e acadêmica. No segundo bloco deste episódio, Alexandre nos apresenta Empédocles, uma figura múltipla: poeta, filósofo e -sobretudo- um taumaturgo. Empédocles teria escrito dois poemas: "Acerca da Natureza" e "As Depurações". Alexandre Costa analisa a cosmogonia empedoclítica ao demonstrar que há uma concepção do que seja o cosmo, a descrição do cosmo e, internamente ao cosmo, a delimitação do ethos humano. E ao delimitar o ethos humano, pensar dentro da dinâmica do movimento como se destacam as questões que levam às depurações para a divinização do humano como as imagens que se tornaram fundamentais para a história do pensamento ocidental: as relações entre amor e ódio. Por fim, Alexandre Costa, ao citar versos, descreve o lugar do ser humano para Empédocles.
Fri, 29 Apr 2022 - 37min - 65 - 60. Estratônico
Fábio Vergara Cerqueira (UFPel) começou sua trajetória cursando História e escreveu seu TCC sobre música na Grécia Antiga. Logo no início de seu percurso acadêmico também demonstrou interesse sobre a questão das imagens como fontes. Fábio Vergara nos conta como se deu a aproximação no doutorado com a professora Haiga, a Arqueologia e a pesquisa. Também narra sobre como o gosto pela música perpassa sua vida particular e acadêmica. Vergara descreve as atividades do Laboratório de Estudos sobre a Cerâmica Antiga (LECA) e o curso de Introdução aos estudos sobre Cerâmica Grega Antiga. Por fim, é inspiradora a satisfação com que Fábio Vergara fala sobre Memória Social e Patrimônio Cultural, a Recepção e a Presença da Antiguidade no patrimônio cultural brasileiro. Na segunda parte deste podcast Fábio Vergara nos apresenta a personagem Estratônico, as principais fontes e a natureza destes testemunhos. Estratônico é apresentado de três formas: como aquele que ao mesmo tempo canta e toca cítara (modalidade musical mais prestigiosa da Antiguidade); solista instrumental e professor de música. A partir da trajetória e das muitas viagens de Estratônico também é possível apreender sobre a vida de músicos em seu tempo e perceber como era um ambiente competitivo. Teria sido o primeiro a ensinar no início a teoria de harmonia e a criação do diagrama, para fins didáticos, com as notas musicais.
Fri, 22 Apr 2022 - 39min - 64 - 59. Parmênides
Bruno Conte (PUC-SP) nos conta sobre sua trajetória e como abandonou Toga e Vade Mecum para se tornar filósofo.Conselheiro da Areté, um Centro de Estudos Helênicos, descreve o espaço agradável, as atividades, os grupos e a vasta produção cultural: Filosofia, Teatro, Música, Dança, História, Mitologia e Culinária. Bruno Conte comenta ainda sobre a revista Hypnos e a proposta interdisciplinar.Na segunda parte deste episódio, Bruno nos apresenta Parmênides. Nascido em 545 A.C em Eléia, filho de Pires e proveniente de uma família influente. Parmênides, além de filósofo, foi médico e legislador. Bruno explica o problemático termo “pré-socrático” como uma nomenclatura de conveniência e comenta as citações fragmentárias.Bruno, ao explicar o contexto filosófico de Parmênides, destaca que ele escreveu em versos, na forma do épico, e dialogou com a tradição nos fragmentos de caráter cosmológico. Bruno destaca que há uma consciência epistemológica e proto-distinção nomos physis em Parmênides. Por fim, menciona a teoria da percepção e a teoria de identidade sexual e como elas podem ser atribuídas a Parmênides. Para mais informações sobre o Centro de Estudos Helênicos: http://www.arete.org.br/
Fri, 15 Apr 2022 - 36min - 63 - 58. Epicuro
Maria Cecília Gomes dos Reis (UFABC) nos conta sua trajetória que perpassa a semiótica, semiologia, literatura, filosofia, artes plásticas e tradução. Nos encanta com a descrição das Iluminuras, caligrafia e pintura a lápis de cor e explica que funcionava como trânsito da vida corriqueira para elevar-se ao abstrato e o trabalho com "De Anima". Cecília narra para nós seu processo criativo e produção literária de "O Mundo segundo Laura Ni" ao nos apresentar sua concepção: a linguagem é uma matéria plástica e precisa ser manuseada pela imaginação. Na segunda parte deste podcast, Cecília nos apresenta Epicuro, filósofo grego do período helenístico que viveu de 342-270 A.C. Ele escreveu muito, mas poucos textos chegaram aos nossos dias: três cartas e um conjunto de 40 máximas. Cecília descreve o contexto histórico, a recepção, as críticas e polêmicas na Antiguidade, e o prestígio na Modernidade sobre a filosofia de Epicuro: buscar a tranquilidade da alma.
Fri, 08 Apr 2022 - 32min - 62 - 57. Elpenor
Lorena Lopes (UFRJ) nos conta sua travessia (geográfica e acadêmica) entre o Mundo Antigo, Literatura e História a partir do diálogo, recepção e atualização. No segundo bloco deste episódio, Lorena nos apresenta a personagem homérica Elpenor, descrito como nem muito corajoso na guerra nem muito seguro de entendimento. Ele morre na ilha de Circe, após beber em excesso, dormir, acordar e cair do palácio. Elpenor ganha voz quando Odisseu o encontra no Hades, célebre passagem da katabasis, a descida aos infernos, no Canto XI da Odisseia. Elpenor pede a Odisseu que seus ritos fúnebres sejam cumpridos. Odisseu narra o retorno à ilha de Circe e a tripulação finalmente sepulta o corpo de Elpenor e fixa o remo na sepultura, como fora pedido. Lorena Lopes analisa o aspecto cômico da morte de Elpenor e a relação com a bela morte, na guerra. Por fim, Lorena Lopes menciona uma releitura odisseica de Jean Giraudoux (Elpénor) em um contexto pós- primeira guerra. Nesta releitura francesa, Elpenor narra - ele mesmo - suas desventuras.
Fri, 01 Apr 2022 - 33min - 61 - 56. Quintiliano
Charlene Martins Miotti (UFJF) cursou Letras e se interessou pelos Estudos Clássicos a partir do Latim. Neste episódio, Charlene Miotti nos encanta com seus projetos: metodologia de ensino de línguas clássicas e literatura. Descreve sobre as Metodologias Ativas de Aprendizagem e como utilizou o Team Based Learning (TBL - Aprendizagem Baseada em Equipes) nas disciplinas de Estudos Fundamentais de Literatura Latina e Literatura Grega. Miotti ressalta como as práticas ativas possibilitam a aprendizagem significativa. Sobre a Literatura, destaca a importância de não fugir de trechos difíceis e falar sobre isto em sala de aula com franqueza e criticidade. Por fim, Charlene Miotti nos conta sobre sua atuação na SBEC e na Classica, patrimônio dos Estudos Clássicos no Brasil. No segundo bloco do Podcast Archai, Charlene Mitotti nos apresenta a personagem Quintiliano, sua grande obra Institutio Oratoria e explica a designação Pseudo-Quintiliano e as Declamações Maiores. Quintiliano foi um rhetor, gramático latino e professor do séc I EC (30-96 EC). Miotti mostra como as declamações são um gênero discursivo novo, híbrido que envolve literatura e retórica na mesma medida, além de incluir também a performance. Charlene reflete sobre a importância de os classicistas, falantes de Língua Portuguesa, trabalharem por uma biblioteca de fontes em acesso livre e traduzida em português.
Fri, 25 Mar 2022 - 32min - 60 - 55. Aristodemo
Alice Bitencourt Haddad (UFF) sempre gostou de Literatura. Começou cursando Psicologia, mas sentia falta do debate: foram nas disciplinas de sociologia e filosofia que ela encontrou esta possibilidade. Após um ano, fez o vestibular novamente e foi para a Filosofia. Alice nos conta sobre sua formação e destaca a importância da Literatura: ler Homero e Hesíodo para ler Platão. Alice Haddad fala sobre o grupo de pesquisa Aporia, os pesquisadores e os grupos de estudos. Em seguida, narra como os Podcasts tornaram seus dias na pandemia mais leves e como isto a estimulou a criar o Podcast Matéria Phi e posteriormente o Leitura Compartilhada. No segundo bloco deste episódio, Alice Haddad nos apresenta Aristodemo, personagem do Banquete de Platão e das Memoráveis de Xenofonte. Em Platão, Aristodemo era uma figura pequena no diálogo, não oferece discurso, mas rememora tudo para Apolodoro. Era erastés de Sócrates, o mais fervoroso. Em Xenofonte, Aristodemo é um dos diálogos das Memoráveis. Ele fala sobre Sócrates ser piedoso, útil à cidade, aos amigos e a si mesmo. Mostra que ele dialogava também para exortar seus discípulos à virtude. O Aristodemo seria o discípulo que Sócrates tentou converter à piedade. Finaliza mencionando argumentos que também aparecem em Cícero (De Natura Deorum) e Sexto Empírico (Contra os Físicos).
Podcast Leitura Compartilhada de Alice Bitencourt Haddad
https://open.spotify.com/episode/61WDOEPYLYRiVTsX10dSvw?si=IGydhXElRcClwW4Zwvyl3g&utm_source=whatsapp
Fri, 18 Mar 2022 - 34min - 59 - 54. Naqi'a
Katia Pozzer (UFRGS) nos conta neste episódio como abandonou o curso de Química e, no início do curso de História, apaixonou-se pelas aulas de História Antiga Oriental. Essa paixão a levou a uma bela trajetória, em que se destacam as aulas de língua acádica por correspondência com o professor Emanuel Bouzon, o doutorado na Universidade de Sorbonne e a criação do LEAO, o Laboratório de Estudos da Antiguidade Oriental, que congrega pesquisadores de todas das regiões do Brasil (site:www.ufrgs.br/leao; instagram: @leao.ufrgs). No segundo bloco, Katia Pozzer apresenta Naqi’a (e nos ensina, primeiramente, a pronunciar seu nome: a sílaba tônica é “qi’a”!), rainha assíria do século VI-V AEC. Esposa, nora, mãe e avó de reis – dentre os quais o mais conhecido é seu neto Assurbanipal –, foi sempre muito atuante e esteve ligada a questões de política interna. A Rainha-Mãe, como era designada, foi uma mulher de poder, que mandou construir um palácio em homenagem a seu filho, o rei Assarhadon – caso único na história da Mesopotâmia, visto se tratar de uma prerrogativa do poder masculino –, para o qual convidou todo o panteão dos deuses assírios. Não sem razão, em sua representação pictórica, Naqi’a traz à mão um espelho, instrumento não de sua vaidade feminina, mas metáfora de sua condição de ser um reflexo dos deuses na terra.
Fri, 11 Mar 2022 - 42min - 58 - 53. Paulo de Tarso
Pedro Paulo Abreu Funari (Unicamp) nos conta sua trajetória na História Antiga e como - por causa de uma pesquisa sobre o estudo do azeite na Antiguidade - foi levado às ânforas e à arqueologia romana. Comenta as mudanças e ampliações da arqueologia - enquanto área específica e interesse - além de como se desenvolve a pesquisa e o treinamento neste campo hoje no Brasil. Pedro Paulo descreve também como se deu a relação entre as áreas de história, arqueologia e estudos da religião em seu percurso acadêmico e nos faz refletir sobre como diferentes povos em diferentes momentos pensaram a espiritualidade. Ao final do primeiro bloco, Funari ainda inspira a todos os interessados em iniciar uma carreira em Arqueologia /Estudos Clássicos com excelentes conselhos. No segundo bloco, Pedro Paulo Funari nos apresenta a figura histórica de Paulo de Tarso, a partir das fontes: as cartas autênticas, as cartas pseudo-epigráficas e a narrativa romanceada do Ato dos Apóstolos. Analisa as ambiguidades e contradições de Paulo de Tarso como a metánoia (mudança de ideia / conversão), a relação com a Paz Romana, a Diáspora judaica e o aspecto de viajante e missionário. Comenta ainda sobre o perigo da utilização de temas e trechos descontextualizados, interpretados na contemporaneidade com distorções para fins destrutivos.
Fri, 04 Mar 2022 - 44min - 57 - 52. Hatshepsut
Thais Rocha da Silva (USP) nos conta como os filmes épicos “Quo Vadis”, “Cleópatra” e mais tarde “Indiana Jones” despertaram um interesse apaixonado pela Antiguidade. Relembra a importância do pai e do avô, que, ao perceberem o interesse genuíno que ela tinha pelo Egito, compraram livros e não trataram o tema como uma fase de criança. Com naturalidade e leveza, Thais nos brinda com a narrativa de sua trajetória (História, Antropologia, gênero, cultura material) e nos conta como a fase de “egiptomania” transformou-se em profissão: a de egiptóloga. Na segunda parte do Podcast, Thais Rocha nos apresenta - com muita propriedade - Hatshepsut, Rainha egípcia da XVIII Dinastia, descrevendo como ela teve um papel fundamental na consolidação do Egito (Séc XVI a.C.) e na manutenção da ordem. Comenta como ela ficou conhecida para nós como uma mulher subversiva e a primeira trans da história. Explica que não se trata de uma figura trans, mas que essa personagem marca as duas identidades, uma masculina ao assumir o de representante política, e a outra na forma de se identificar. Hatshepsut incorpora as representações visuais enquanto Faraó, representada por atributos masculinos, mas mantém em suas titulaturas e textos a indicação ao feminino.
Fri, 25 Feb 2022 - 46min - 56 - 51. Hipátia
Para Nathalia Monseff Junqueira (UFMS), o interesse pela Antiguidade esteve presente desde pequena: no gosto pela arquitetura das casas antigas - especialmente da casa da bisavó -, na paixão pela Grécia despertada nos primeiros anos de estudo, no fascínio pelo Mundo Antigo alimentado pelas notícias em recortes de jornais trazidos pelo pai. Assim, Nathalia abandonou seu interesse por outras disciplinas - como Física e Biologia - e uma possível carreira como jogadora de vôlei profissional para se dedicar ao curso de História na Unicamp. A disciplina de História Antiga, ministrado pelo Prof. Pedro Paulo Funari, despertou-lhe o fascínio pelo Egito e as páginas de Heródoto chamaram-lhe a atenção para as mulheres na Antiguidade. Suas pesquisas sobre o Egito levaram-na a Europa, de onde voltou para atuar como professora de História Antiga e Medieval da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Neste episódio, Nathalia nos fala de Hipátia, filósofa neoplatônica que viveu em Alexandria, por volta de 350 a 415 d.C., onde lecionou astronomia, matemática e filosofia. Hipátia, que participava das assembleias e era uma figura ativa no caldeirão cultural, religioso e político que era Alexandria à época, acabou sendo vítima da intolerância de um grupo de cristãos, e morreu assasinada brutalmente por eles.
Fri, 18 Feb 2022 - 43min - 55 - Mensagem de fim de anoFri, 03 Dec 2021 - 00min
- 54 - 50. Serápis
Joana Campos Clímaco (UFAM) passou por uns dilemas entre cursar Psicologia ou Relações Internacionais. Mas o gosto por estudar História na época do Terceiro Ano foi mais forte. Na UnB encantou-se com as disciplinas de História Antiga e interessou-se pela escrita e pesquisa. Joana nos conta sobre sua experiência em Brasília, São Paulo e Manaus e como a pesquisa perpassou sua vida por onde passou. Ressalta o quanto o debate teórico contemporâneo parte da Antiguidade. Na segunda parte do podcast, Joana nos apresenta - de forma fascinante - a personagem Serápis: um deus híbrido/sincrético. Ela explica como o culto teve origem na Alexandria, no contexto dos Ptolomeus e como ele incorpora elementos gregos e egípcios. Descreve a representação, as peculiaridades do culto e o deus como uma metáfora da própria Alexandria.
Fri, 26 Nov 2021 - 31min - 53 - 49. Agripina
Sarah Fernandes Lino de Azevedo (USP) cresceu em Santa Luzia, rodeada por livros e discos com narrativas bíblicas. O interesse pela História Antiga surge destas duas vivências: crescer em uma família evangélica e morar em uma cidade histórica. Na época do doutorado, Sarah criou o Messalinas - com o incentivo do professor Norberto - Grupo de Estudos sobre Gênero e Sexualidade na Antiguidade. No segundo Bloco deste episódio Sarah descreve quem foi Agripina Menor e sua descendência: filha de Agripina Maior; bisneta de Augusto; irmã de Calígula; esposa de Cláudio e mãe de Nero. Portanto, Agripina era bisneta, irmã, esposa e mãe de imperadores. Há uma vasta documentação da cultura material e literária sobre esta personagem. No entanto, os documentos mostram o olhar específico de um grupo de homens da aristocracia. Portanto, estes relatos sobre Agripina e mulheres imperiais que ocupavam a posição de poder, pelo teor das menções, mostram uma percepção negativa dos homens com relação às mulheres que tinham um papel ativo na política romana. Retratam Agripina como símbolo de desordem, deslegitimando a atuação dela. Agripina escreveu seus feitos, mas este livro de Memórias não chegou aos nossos dias. Sarah nos apresenta neste podcast Archai a importância da cooperação acadêmica, de fortalecer a pesquisa e os pesquisadores com produções coletivas e como a teoria de gênero aplicada aos estudos da Antiguidade é uma revolução epistemológica.
Fri, 19 Nov 2021 - 39min - 52 - 48. Lívio Andronico
Isabella Tardin Cardoso (Unicamp) nos conta neste Episódio sua trajetória e nos apresenta o personagem Lívio Andronico. Quando Isabella cursava Filosofia (Unicamp) escolheu as matérias de Latim. Mas por causa de um problema na matrícula do Latim 2 precisou fazer todas as disciplinas de Latim novamente: assim surgiu sua paixão. Isabella nos relata ainda sobre o Estico de Plauto e como esta obra polêmica a aproximou da Universidade de Heidelberg (Alemanha). Em seguida, nos encanta com a experiência que teve sobre Metodologia e Ensino da Língua Latina, no Brasil e na Alemanha. Por fim, Isabella explica os pressupostos da Teoria da Filologia enquanto ciência e arte. No segundo bloco, Isabella Tardin nos impressiona com a versatilidade de Lívio Andronico, produtor de vários gêneros. Ele era grego, de Tarento e teria sido levado para Roma como escravo de guerra, depois liberto. Escrevia e ensinava grego e latim. É considerado entre os romanos o primeiro poeta. Sobre a tradução da Odisseia para o latim, há 40 fragmentos e muitos estudos comparando com partes da Odisseia. Ele tenta adaptar não apenas o grego para o latim mas também alguns aspectos da mitologia e da religiosidade grega e latina. Isabella finaliza perpassando versos, fragmentos, aliterações, tragédias e comédias de Lívio Andronico.
Fri, 12 Nov 2021 - 35min - 51 - 47. Hera
Haiganuch Sarian (USP) nos conta neste episódio sua belíssima trajetória de formação como classicista que começou ainda no Secundário (Ginásio e Colegial). Aos 18 anos Haiga ingressou em Letras Clássicas (USP) e seguiu seus estudos no Mestrado em Antiguidade Clássica e Doutorado em Arqueologia (Université de Caen, França). Em seguida, na Ecole Francaise D'Athenes trabalhou em arqueologia, escavações e produção de relatórios e artigos. No Brasil, Haiga contribuiu de forma notável como liderança acadêmica na área de Estudos Clássicos: pesquisadora; formadora de novos pesquisadores; foi a Presidente Fundadora da SBEC e Editora Fundadora da Revista Classica. Na segunda parte deste podcast Archai, Haiga nos apresenta Hera e os textos mais importantes da poesia grega para a caracterização desta deusa irascível: Hino Homérico a Apolo; Hino a Delos de Calímaco. Em seguida, nos conduz - em um belo passeio - ao santuário de Hera em Delos (Herarion)e nos conta sobre as pesquisas e escavações. As oferendas, depósito votivo, podem indicar elementos para caracterizar a natureza, prática cultual e identidade da deusa. Ao cotejar a representação na estatueta de terracota com a representação na poesia, Haiga nos mostra a beleza da arqueologia e da poesia: Hera protetora do casamento e símbolo de fecundidade.
Fri, 05 Nov 2021 - 47min - 50 - 46. Eros
Jovelina Maria Ramos de Souza (UFPA), nossa próxima presidente da SBEC, nos fala neste episódio sobre Eros. Por estudar Francês, Inglês e Alemão, prestou vestibular inicialmente para Turismo. Mas foram as aulas de Filosofia - junto com amigos - e um curso como ouvinte de Filosofia da Arte ministrado pelo professor Benedito Nunes que despertou uma paixão fulminante em Jovelina por estudar Platão, filósofos e poetas. Trocou Turismo por Filosofia e desde então pesquisa filósofos e poetas gregos: o modo como Platão recepciona os poetas na escrita de seus diálogos (UFMG) e como Platão ressignifica as representações poéticas de Eros na série de elogios a Eros no Banquete (UFRN). Coordena o grupo de pesquisa POIESIS que envolve Filosofia Platônica e Poesia Grega, além da Recepção dos clássicos na filosofia e na literatura moderna e contemporânea. Embora falar de Eros possa parecer ser uma missão quase impossível, Jovelina nos fala como as representações poéticas de Eros se entrelaçam com a dimensão filosófica em Cármides, Fedro e Banquete, sempre a citar os versos de cada fonte. Explica que do período arcaico ao helenístico há no imaginário grego o efeito arrebatador de Eros sobre alma e corpo. Após explicar a etimologia, destaca os sentidos e as representações de Eros, nos possibilitando uma visão completa de como o conhecimento é impulsionado por Eros.
Fri, 29 Oct 2021 - 38min - 49 - 45. Sócrates
Roberto Bolzani Filho (USP) narra sua trajetória acadêmica que começou em casa, na Biblioteca do pai. Após ler livros de Filosofia e verbetes sobre filósofos nas famosas Enciclopédias daquele tempo, cursou Filosofia, fez pós-graduações e tornou-se professor: tudo isto na USP. Orientado por Oswaldo Porchat pesquisou o Ceticismo e Sexto Empírico; posteriormente o Ceticismo na Academia Platônica. A partir da obraAcademicade Cícero, demonstra uma ligação teórica entre estes céticos da Academia e a figura socrática. Com muita propriedade, Bolzani nos mostra neste episódio Sócrates como paradigma filosófico. Nos apresenta o espírito da filosofia socrática e platônica. Explica o problema do Sócrates histórico e o fato de ele ser personagem de três grandes fontes: Aristófanes, Platão e Xenofonte. Ressalta que é mais fácil responder quem foi o Sócrates de Platão; o Sócrates de Aristófanes e o Sócrates de Xenofonte, que não são completamente compatíveis entre si. Em seguida, destaca a Poética de Aristóteles na qual os Socratikoi Logoi aparecem como exemplo de Mímesis: não é realidade nem ficção. São imitações que visam a verossimilhança e não a verdade. Fala também sobre como as concepções de sábio e sabedoria, o ethos heróico socrático e a filosofia como estilo de vida - ligação visceral entre prática e teoria - tornam Sócrates um paradigma/modelo para a Filosofia. Sócrates influenciou várias correntes filosóficas. As chamadas famílias socráticas: Platão; Aristóteles; Cirenaicos; Megáricos; Estóicos; Epicuristas... Todos encontraram em Sócrates um núcleo inspirador. Por fim, Roberto Bolzani comenta ainda sobre livros didáticos e o ensino de Filosofia nas Escolas. Imperdível!
Fri, 22 Oct 2021 - 48min - 48 - 44. Medeia
Maria Regina Cândido (UERJ) começou sua trajetória na Engenharia, depois Matemática, mas foi uma palestra da professora Neyde Theml de História que mudou tudo. Cursar História era no começo uma questão de busca da identidade enquanto estudava a negritude. Regina iniciou o curso de História para falar de escravidão e terminou perdidamente apaixonada pelo teatro de Eurípides, Medeia, Magia e agora, Katádesmos. Regina comenta os desafios de ser negra, o apoio que recebeu da orientadora Neyde Theml e destaca que é preciso ter conhecimento para quando estiver diante de um desafio, responder à altura e enfrentá-lo. Regina conta ainda como conheceu Jean Pierre Vernant ao buscá-lo no aeroporto para um evento: o trajeto do aeroporto para a Universidade, apesar de curto, foi infinito.
Na segunda parte do podcast, Maria Regina nos traz a Medeia, uma narrativa mítica, com variantes: são muitos autores e uma vasta documentação. Embora a versão mais conhecida seja a de Eurípides, Regina nos conta outra vertente mais antiga, e ressalta que muitas podem não ter chegado aos nossos dias. Comenta ainda sobre as imagens iconográficas: Medeia, o caldeirão e o carneiro, como cura. O interesse em pesquisar ritual e magia começou com este mito. Sempre incomodou Maria Regina a simplificação do senso comum: "Medeia matou os filhos". Ela nos mostra como como a questão da Magia, os rituais estão presentes neste mito, mas que somente no original é possível perceber, daí a importância do grego. Quando Medeia pede que saiam é para que seja feito um ritual, a tentativa de transformar as crianças em divindades. E foi assim que Maria Regina encontrou Katádesmos, o não dito que aparece mais tarde em Platão. Por fim, em uma conversa muito despojada, nos traz a recepção da Medeia Romana, a relação com a imagem comprada por César e os epigramas.
Agora, com quase mais de 100 Katádesmospara traduzir, Maria Regina Cândido nos brinda neste episódio do podcast Archai, com suas histórias de vida, com Medeia e muito ânimo para os Estudos Clássicos.
Fri, 15 Oct 2021 - 51min - 47 - 43. Hécuba
Tereza Virgínia (UFMG) é professora do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Minas Gerais e diretora de tradução da Trupersa - Trupe de Tradução e Encenação de Teatro Antigo, uma experiência que resultou na publicação de três livros - Medeia, Electrae Orestes) e em diferentes encenações. Outro importante campo de sua atuação é a sua tradução “por imagens”, ou intersemiótica, das épicas de Homero para os quadrinhos.
Neste episódio, Tereza Virgínia conta como foi, na verdade, um erro de matrícula que a levou para os Estudos Clássicos e como nunca se considerou uma classicista típica. O amor pelo teatro surgiu na infância, quando assistia a espetáculos na cidade de Congonhas, no interior de Minas Gerais, e sua incursão na carreira de atriz foi breve, tendo preferido se dedicar aos estudos teatrais. Foi igualmente na infância que surgiu o fascínio pelas histórias em quadrinhos, que lia às escondidas da vigilância do irmão.
Hécuba foi uma rainha troiana, esposa de Príamo e mãe do herói Heitor, morto às mãos de Aquiles na guerra de Troia. Seu trágico destino após a tomada da cidadela troiana pelos gregos foi imortalizado nos versos da tragédiaHécuba, de Eurípides, em que Hécuba figura como protagonista e, juntamente com as demais cativas troianas, vinga o assassinato de seu filho Polidoro.
Wed, 13 Oct 2021 - 37min - 45 - 42. Estácio
Leni Ribeiro Leite é Professora do Departamento de letras clássicas e moderna da Universidade de Kentucky. Graduada em Letras pela UERJ, mestra e doutora em Letras pela UFRJ. Neste episódio, Leni nos conta o começo de sua trajetória como professora na UFES, da proposta desafiadora para lecionar na Universidade Kentucky, das experiências de lecionar nos Estados Unidos e diferenças culturais e acadêmicas. O interesse pelo latim a fez desenvolver uma metodologia local para a aprendizagem da língua, ou seja, um estudo que necessitava ser compreendido a partir da realidade do estudante.
Estácio foi um poeta da Roma antiga. Nascido por volta de 45 EC, descendente de gregos, viveu grande parte de sua vida durante a dinastia flaviana. Na juventude, Estácio se destacou na poesia, vencendo diversos concursos. Sua poesia tem fortes traços encomiásticos, ou seja, uma poesia por encomenda, geralmente com a finalidade de enaltecer ou de louvor a alguém.
Fri, 01 Oct 2021 - 49min - 44 - 41. Petrônio
Renata Garraffoni (UFPR) é professora do departamento de História. Graduada, mestra e doutora em História pela UNICAMP, neste episódio Renata fala sobre o interesse pelas sátiras romanas despertado no início de sua trajetória como pesquisadora, estimulada pelas aulas do Professor Pedro Paulo Funari. Seu primeiro contato com a personagem de hoje, Petrônio, foi através da obra Satíricon, traduzida pelo poeta curitibano Paulo Leminski.
Petrônio foi um membro da corte de Nero, que teria escrito a obra Satíricon, por volta do séc I EC. Pouco se sabe sobre este autor, nem mesmo se ele escreveu o Satiricon. Renata articula várias narrativas a respeito da misteriosa existência de Petrônio e como a obra deixada por ele ridiculariza os costumes romanos. Descrita como ficção em prosa, entretanto são encontrados da obra diversos trechos escritos em versos, o que faz com que o Satiricon seja enquadrado como uma satira menipéia, ou seja, em que existe uma liberdade de composição e uma mistura de gênero.
Instagram: @antigaseconexoes
Fri, 24 Sep 2021 - 1h 00min - 43 - 40. Isócrates
Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio (FEUSP) graduou-se em Filosofia pela USP. Durante sua trajetória no mestrado apresentou seu projeto a professora Gilda Maciel de Barros que realizava pesquisas em Filosofia Antiga e Educação. Marcos lembra, comicamente, que a professora certa vez insinuou “teu projeto é muito ruim mas você tem potencial”.
O interesse por Isócrates nasce por um completo acaso, de uma ligação recebida por uma tia que o perguntou quem era um tal Isócrates, para uma disciplina de sua especialização. Marcos, que não imaginava que disso iria iniciar uma longa jornada com esse tal Isócrates, respondeu: 'Não tia, não é Isócrates é Socrates”.
Nas aulas da disciplina do Professor Roque Spencer Maciel de Barros, Marcos tem finalmente a chance de responder à pergunta da tia sobre quem foi Isócrates. O professor, atento à pergunta, dá a ele um capítulo de livro sobre Isócrates. Inicia aí, o estudo de Marcos sobre o orador e retórico ateniense, muito conhecido por ser o “Pai da retórica”, já que foi o primeiro a escrever discursos.
Isócrates se coloca como um adversário de Platão, Aristóteles, além de outros mestres da educação. Logógrafo e Professor, Isócrates escreveu o texto intitulado: “Contra os Sofistas”, em que apresenta a superioridade de seu método pedagógico em relação ao que os outros métodos vigentes.
Fri, 17 Sep 2021 - 33min - 42 - 39. Górgias
Maria Aparecida de Paiva Montenegro (UFC) inicia sua vida acadêmica no curso de Psicologia, no entanto, nos primeiros períodos do curso, um arrebatamento pela Filosofia a toma, a ponto de mudar sua trajetória. Filha de professor universitário, seu pai aconselha a finalizar o curso de Psicologia para depois percorrer outros caminhos pela pós-graduação. Inicia o mestrado em Psicologia Clínica pela PUC - Campinas (1990), posteriormente ingressa no doutorado em Filosofia pela UNICAMP (1999), estágio pós-doutoral em Filosofia Antiga na University of Notre Dame (2003-2004) e pós-doutorado em Filosofia na Università degli Studi di Milano (2011).
Nos estudos de Cida, a linguagem na Psicanálise desempenha um papel fundamental, inclusive na persuasão. Tratar a relação analista/paciente a conduziu num aprofundamento em suas pesquisas, que segundo suas próprias palavras: “se atentou para esse aspecto singular das experiências humanas”, ponto crucial que a motivou a se dedicar à personagem Górgias.
Cida fala de Górgias, originário de Leontinos, colônia grega na Sicília. Nascido em 480 a.c, séc V. oriundo de uma família abastada. Górgias obteve vasta popularidade por seu estilo de oratória. Era embaixador na sua cidade e fez diversas visitas a Atenas, para pedir ajuda contra Siracusa, dado que o povo de Siracusa queria invadir Leontinos. Bem sucedido em sua missão, Górgias logo depois teria vivido em Atenas e influenciado figuras como Alcibíades e Crítias.
Atualmente, Cida é professora da Universidade Federal do Ceará, onde trabalha desde 2001. Nessa instituição, foi chefe do Departamento de Filosofia (2003-2006), coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Filosofia (2006-2008).
Fri, 10 Sep 2021 - 39min - 41 - 38. Símaco
Carlos Augusto Ribeiro Machado (University of St Andrews) nos conta sobre sua trajetória acadêmica que se inicia cursando Administração de empresas a noite na UFRJ, pra acalmar os ânimos da família, e História na parte da manhã na UFF. A paixão por história prevaleceu fazendo com que Administração de Empresas fosse jogada para escanteio. No mestrado em História Econômica na USP, estudou a aristocracia senatorial romana no Baixo Império período que estimulou seu interesse por história material e arqueologia no doutorado em História Antiga na Universidade de Oxford (2006), experimentou um pouco da tradicional vida num college. Tempos depois, fez um curso sobre Arqueologia de Roma na British School at Rome. Símaco, personagem não muito conhecida entre estudiosos do mundo clássico, sempre esteve presente nos estudos de Carlos. Quinto Aurelio Símaco foi um senador romano que viveu no final do séc IV. No desenrolar da ascensão política e econômica da Igreja católica, Símaco não só assiste, bem como participa intensamente dessa conjuntura, como prefeito de Roma inclusive, num cenário enigmático e cheio de peripécias, nossa personagem, um pagão pragmático, afirma que “mais de um caminho pode nos levar à verdade”, sua obra tive papel muito importante na preservação da cultura clássica.
Twitter: @amianomarcelino
Fri, 03 Sep 2021 - 34min - 40 - 37. Zeus
Lilian de Angelo Laky (USP) se graduou em História pela PUC-SP com pós graduação em Arqueologia pela USP. Sonhara em ser arqueóloga na adolescência, mas pelos caminhos contingentes da vida acabou caindo na graduação em História, que felizmente a possibilitou de retomar o sonho antigo da arqueologia. Durante a graduação realizou estágio no MAE-USP, onde teve a possibilidade de conhecer a Professora Maria Beatriz Florenzano, que iria acompanhar (como orientadora) toda sua trajetória como pesquisadora. No decorrer de sua pesquisa de doutorado, em 2014, realizou estágio de pesquisa na Universidade de Thessaloniki, na Grécia, sob supervisão da Professora Aliki Moustaka, e na Escola Britânica de Atenas, da qual foi membro, com a bolsa BEPE/FAPESP de doutorado. Em 2018 ganhou o Prêmio Tese Destaque USP - melhor tese da grande área ciências humanas. Podemos encontrar a pesquisa de Lilian em seu mais recente livro: "Zeus e a cidade na Grécia Antiga, moedas e santuários, política e identidade, nas épocas arcaicas e clássica", publicado pela editora Odysseus.
Fri, 27 Aug 2021 - 41min - 39 - 36. Plauto
Carol Martins da Rocha (UFJF) estudou na UNICAMP meio por acaso, queria fazer psicologia, mas acabou nas Letras. E seguiu toda a Pós-Graduação na UNICAMP, se apaixonando pelo latim nas aulas de Paulo Vasconcellos. Tem se dedicado bastante ao tema do gênero, um pouco por acaso também: escolheu uma peça de Plauto da qual não havia tradução para o português no Brasil na qual as questões da sexualidade e do gênero são preponderantes. A temática de gênero nos últimos anos tem sido um dos temas muito discutidos e ajuda na busca de uma desconstrução deste ideal elitizado e europeizado de Grécia e Roma. Carol fala de Plauto, um comediógrafo antigo de cuja biografia qual não sabemos muito. Produziu 21 comédias, que fizeram muito sucesso em vida. As comédias de Plauto tem sempre cidadãos comuns como personagens e não pessoas famosas na cidade. A recepção do texto de Plauto tem uma longa história e um pouco mais recentemente é que se trouxe mais este aspecto da representação mais à tona: após uma abordagem mais textual no séc. XIX, os estudos se concentraram no fato de serem textos que foram escritos para serem representados. Esta característica do texto é muito importante no momento de sua tradução para as línguas modernas: o texto tem o ritmo da representação teatral? A escolha de traduzir um texto originalmente em versos para prosa é parte desta discussão. De toda forma, traduzir a comédia é um pouco ingrato, porque a piada envelhece rápido.
Fri, 20 Aug 2021 - 36min - 38 - 35. Erasmo, de Rotterdam
Elaine Cristine Sartorelli (USP) teve uma trajetória não linear, sempre quis estudar línguas e literatura, estudou russo por muitos anos, ficou em Moscou por um ano e na volta decidiu estudar um autor do século XVI, Miguel Servet, queimado vivo junto com o livro dele, e para isso iniciou a estudar latim na USP. Está apaixonada pela literatura e pela retórica do século XVI, que foi um momento de ruptura com o aristotelismo escolástico, realizada pela filologia e a retórica.A maior paixão de Elaine é o Palmeiras! O futebol é a identidade e o centro da agenda da vida dela, porque o futebol é uma metáfora da vida. Erasmo e sua trajetória tem muito a ver com o nascimento da imprensa. Os autores da Antiguidade que não editou, e editou muitos, ele acabou mesmo assim propagandeando. Escreveu um livro "Contra os bárbaros" como uma primeira defesa dos estudos clássicos e humanísticos. Traduziu Plutarco, Aristóteles, Luciano; foi o primeiro a colocar o texto grego em colunas; e tudo isso em um mundo em que, graças às imprensa, o conhecimento voltou a circular mais rápida e livremente. Escreveu diálogos filosóficos, sátiras, manuais, epístolas, parábolas etc. Erasmo foi sempre o grande campeão da língua latina como lingua viva e franca porque acreditava poder unir a Europa por meio de uma civilização que unisse o melhor da tradição cristã com aquela greco-romana. É um grande socrático do século XVI que combate os sofista de seu tempo. Acredita que o discurso é o espelho revelador do coração de quem fala.
Fri, 13 Aug 2021 - 42min - 37 - 34. Tucídides
Sandra Rocha (UnB) sempre trabalhou e estudou e a ideia foi sempre a de ser professora de português. Mas acabou se apaixonando pelo grego por causa da professora Maria da Glória Nogueira. Com 25 anos foi ser professora auxiliar na Universidade de Brasília. Que coragem essa menina! Ficou logo encantada com os eixos e as extensões, e a luz de Brasília. E a Universidade, como o lago ao fundo.
Já na UnB como professora auxiliar. Acabou fazendo mestrado já sendo professora e sem licença. Sandra conta de seu doutorado na Universidade de Londres e da fundação do grupo Rhetor. E de Tucídides, historiador ateniense do século V aEC. A família era originária da Trácia e provavelmente parente de Simon, outra personagem importante para o fortalecimento de Atenas. Admirador de Péricles, Tucídides escreve a história da guerra entre Atenas e Esparta enquanto participa ativamente e sofre uma derrota em Anfípolis. É exilado e fica 20 anos em exílio, onde se diz que teria começar a escrever sua história. Tucídides demostra ter um interesse para além da narração histórica, tanto do lado da retórica como das ciências politicas. Não acaso a arte se apropriou de Tucídides e o encenou. Ler Tucídides é encontrar um texto multifacetado e riquíssimo, que não pode ser fechado na única vertente da historiografia.Fri, 06 Aug 2021 - 42min - 36 - Bônus do episódio 33Fri, 02 Jul 2021 - 02min
- 35 - 33. Píndaro
Robert de Brose (UFC)leu uma reportagem sobre a pesquisa dos manuscritos do Mar Morto e da literatura cristã primitiva e, fascinado, decidiu estudar grego. Escreveu para a FUVESP, em 1998, e recebeu em casa o manual do ano anterior. Tempos em que não havia ainda a internet. Saiu lá do interior do RS para São Paulo para fazer grego. Sempre gostou mais de latim, mas o grego parecia mais arcano, mais erudito. O grego foi uma língua difícil no começo, demorou mais de um ano para gostar mesmo da língua e de sua sonoridade. Trabalhou ao mesmo tempo como tradutor e legendador, e fez toda a graduação noturna, trabalhando. Robert diz que não existem clássicos sem tradução e a tradução floresce na diversidade e que sempre gostou de traduzir e de pensar a tradução. E nos fala de Píndaro, a relação dele com nossa personagem nasceu como um casamento arranjado mas acabou se tornando verdadeira paixão. Não temos informações biográficas de Píndaro que não tenham sido retiradas dos próprios poemas. Nasce por volta de 518, no começo das Guerras Médicas, era filho de um auleta, que ensinou a ele como tocar o instrumento. Píndaro tem algo inimitável em suas metáforas e sua combatividade. Sua poesia é tida como difícil já na Antiguidade, mas sua obscuridade surge em uma recepção muita específica da obra dele: a crítica dos gramáticos e lexicógrafos. Na recepção dos poetas, esta mesma dificuldade se torna sofisticação poética, sendo assim altamente elogiada. Robert recomenda começar a ler Píndaro pela Primeira Olímpica, onde sua genialidade é muito conspícua.
Robert mantém um blogo sobre tradução: http://versosemreverso.blogspot.comFri, 25 Jun 2021 - 46min - 34 - 32. Episódio Especial Ao Vivo - Parte 2
Segunda parte do episódio especial do Podcast Archai, transmitido pelo Youtube no dia 19 de maio de 2021, no interior da programação do XVIII Seminário Internacional Archai - Novas Agendas para os Estudos Clássicos: raça e ecologia.
Participação:
Beatriz de Paoli (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Fernanda Pio (Universidade de Brasília)
Flávia Amaral (University of Toronto)
Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília)
Moderação: Renata Cazarini de Freitas (Universidade Federal
Fluminense)
A gravação em vídeo está disponível aqui:
https://youtu.be/j0f27OrWTTc
Fri, 18 Jun 2021 - 1h 00min - 33 - 31. Afrodite
Giuliana Ragusa (USP) se interessou inicialmente por literatura brasileira. Mas o pai, físico, gostava de ler obras em grego e latim. Assim, apesar de andar por outras literaturas em sua graduação, "no meio do caminho havia o grego" e as aulas de Paula Correa, na USP. Ao estudo de Afrodite chega por Safo e seu Hino a Afrodite, que combina dois mundo de grande interesse: do mito e do erotismo visto pelo lado feminino. A trajetória dela mostra que a vida tem desvios e que nem todas as escolhas são fechamentos de portas. Afrodite, mais do que a deusa do amor, é a deusa do mundo do sexo, tanto como elemento de procriação da espécie, mas não se restringe ao sexo hetero-erótico. Éros, que nada tem a ver com nosso amor romântico, tem mais a ver com a dimensão física, com uma durabilidade breve. É mais desejo do que amor, propriamente. Este é o mundo de Afrodite, que não por acaso é a mais bela, única entre os deuses que é chamada de aurea, dourada. A iconografia de Afrodite ativa o olhar constantemente de quem contempla suas imagens e indica como funciona o poder do desejo, de éros. A sedução também, como exercício da persuasão, é parte do território de Afrodite. Assim como o engano, que é parte da persuasão erótica. Afrodite está muito presente no casamento, tanto nos rituais como na vida cotidiana.
Sat, 12 Jun 2021 - 48min - 32 - 30. Episódio Especial Ao Vivo - Parte 1
Primeira parte do episódio especial do Podcast Archai, transmitido pelo Youtube no dia 19 de maio de 2021, no interior da programação do XVIII Seminário Internacional Archai - Novas Agendas para os Estudos Clássicos: raça e ecologia.
Participação:
Beatriz de Paoli (Universidade Federal do Rio de Janeiro)
Fernanda Pio (Universidade de Brasília)
Flávia Amaral (University of Toronto)
Gabriele Cornelli (Universidade de Brasília)
Moderação: Renata Cazarini de Freitas (Universidade Federal
Fluminense)
A gravação em vídeo está disponível aqui:
https://youtu.be/j0f27OrWTTc
Fri, 04 Jun 2021 - 53min - 31 - 29. Proclo
Antonio Vargas (Universidade Hebraica de Jerusalém) nasceu como estudante de filosofia alemã na UnB, mas na Alemanha encontrou o platonismo e a filosofia grega e fez seu mestrado e doutorado na Universidade de Humboldt. O encontro com Proclo mudou os rumos da carreira acadêmica dele. Proclo nasceu em 412 EC em Constantinopla e o nome dele quer dizer "longe de casa". No final da vida vira o chefe da Academia platônica em Atenas. Foi um neoplatônico muito sistemático e muito influente até o século XIX. O interesse pela filosofia brasileira nasceu na graduação: por meio de Júlio Cabreira conheceu Vicente Ferreira da Silva, um filósofo muito original apesar de muito influenciado por Heidegger. Mais recentemente a leitura de Gilberto Freire lhe mostrou como muitas perguntas filosóficas minha era ligada à sociologia do Brasil.
O site pessoal de Antonio Vargas é https://antoniofilosofo.comFri, 28 May 2021 - 38min - 30 - Um convite especialTue, 18 May 2021 - 00min
- 29 - 28. Políbio
Breno Sebastiani (USP) fala de sua formação de historiador e de como virou professor de Grego na FFLCH/USP. Homero e Platão foram os primeiros autores que ele quis ler e entender no original. Por isso, acabou cursando mais disciplinas de grego do que disciplinas da história. Foi o professor Murari quem disse a ele pela primeira vez que o trabalho dele era mais do letras do que de história. A hermenêutica histórico-literária é a abordagem que ele utiliza como classicista e com ela atravessa as disciplinas e os temas. E de Políbio, historiador do segundo século aEC, nascido em Megalopoli, na encruzilhada geo-política do mundo mediterrâneo, entre romanos e macedônios. Herdeiro político de uma família influente, lá pelos 30 anos de idade Políbio é levado para Roma como refém. Lá fica por sete anos e tem acesso à biblioteca do rei Perseu e à vida romana. Em sua obra os romanos são chamados de "bárbaros de Ocidente", mas a relação com eles era mais complexa, de amor e ódio. Em Roma decide escrever a história do período, porque nenhum povo jamais fez o que os romanos fizeram: articular todos os povos da bacia mediterrânea em volta de um poder único. Políbio, como olho de águia que era, conseguiu enxergar o primeiro projeto de globalização.
Para encontrar o Breno, aqui vai a árvores dos links dele: https://linktr.ee/brenosebastianiFri, 14 May 2021 - 45min - 28 - 27. Sexto Empírico
Rodrigo Brito (UFRRJ) escolheu estudar filosofia na UERJ porque não existia trote. No nono andar da UERJ aprendeu muito de política e uma relação despojada com a filosofia. Luis Bica e Marcelo Araujo tiveram muita influencia na formação dele e acabou estudando Sexto Empírico desde então. Virou aquele texto filosófico em que ele se achou, como uma bóia na qual se agarrou desde o TCC. O resto do percurso dele parece uma anedota wittgestainiana: desde pintar parede até vender cachaça na Lapa. Até fazer um projeto para o Mestrado na PUC-Rio para estudar o ceticismo sextiano. Rodrigo fala de tradução como de um trabalho invisível e duro e do ceticismo estudado coletivamente por um grupo de pesquisadores no Brasil que se reune entorno da revista Skepsis e do GT-Ceticismo na ANPOF. E de Sexto Empíric,um filósofo do qual sabemos muito pouco, que trabalhou certamente com uma boa biblioteca, o que restringe as cidades onde deve ter produzido: Roma, Pergamo, Atenas ou Alexandria, com toda probabilidade. Era médico, mas não sabemos se escreveu uma obra médica. Fonte importante para os texto pré-socráticos e pós-socráticos, Sexto é a melhor fonte ao lado de Plutarco e Cicero para reconstruirmos o pensamento dos estóicos.
Fri, 07 May 2021 - 35min - 27 - 26. Propércio
Zélia Cardoso (USP) teve contato com o latim em 1942, com 7 anos. Um ano de guerra, terrível como este que estamos vivendo. As igrejas começaram a rezar pela paz e Zélia, que morava nas Perdizes, perto do Carmelo, ia toda tarde rezar os 48 epítetos da ladainha de Nossa Senhora em latim, que acabava com regina pacis, rainha da paz. Foi a primeira aluna a se matricular e receber o titulo de doutor em Letras clássicas na USP, em 1976, e lá ficou por mais de 40 anos dando aula de latim. O resto é uma parte fundamental da história das letras clássicas no Brasil. Zélia nos fala de Propércio e de suas 96 Elegias. Poeta elogiado de época de Augusto, não sabemos muito da vida dele, mas participa da celebre revolução cultural augustana com sua poesia de amor. A pergunta que Zélia se faz é porque ele escreve elegias? A história da elegia vai explicar um pouco isso e de como a elegia vira poesia de amor em época alexandrina e depois em Roma, onde se veste de uma roupagem nova, passando a ter uma coloração autobiográfica. A maioria das elegias é dedicada a Cíntia e ele próprio, seu eu poético escravizado, vitima desse amor. O amor é uma doença incurável, uma loucura que afasta as pessoas da razão, um sofrimento. Mas é também guerra que pode levar ao sadomasoquismo, ao desejo de morte. De Cíntia Propércio dá o melhor retrato físico de toda poesia latina: fala da altura, dos cabelos, dos seios, das graças ocultas que tem sob as vestes.
Propércio. Cynthia monobiblos 1,1-8
Cynthia prima suis miserum me cepit ocellis
contactum nullis ante cupidinibus.
Tum mihi constantis deiecit lumina fastus
et caput impositis pressit Amor pedibus
donec me docuit castas odisse puellas 5
improbus et nullo uiuere consilio.
Et mihi iam toto furor hic non deficit anno
cum tamen aduersos cogor habere deos.
Foi Cíntia, com seu fascínio, a primeira a cativar-me,
desditoso, anteriormente não tocado por paixões.
Amor abateu-me o brilho de minha altivez constante
e comprimiu-me a cabeça, pondo sobre ela os pés,
enquanto ele me ensinava a detestar moças castas,
e a viver sem bons costumes, sem nenhuma sensatez.
A loucura não cessou, durante este ano inteiro,
mas sou forçado a julgar os deuses como adversos.Fri, 30 Apr 2021 - 47min - 26 - 25. Diógenes, o cão
Olimar Flores Jr. (UFMG) conta que a leitura de Luciano, para a qual foi introduzido pelo Jacyntho Lins Brandão, marcou a passagem dele para a filosofia na pós-graduação, antes na UFMG e depois em Paris, onde foi orientado por Marie-Odile Goulet-Cazé, uma das maiores referências nos estudos sobre o cinismo. E nos conta um pouco de Diógenes de Sinope, que não morava em um tonel, como somos acostumados a pensar, e sim em uma ânfora: não foi a primeiro a fazer isso, os pobres moravam dentro de uma ânfora porque não tinham onde morar, como ele quando chegou em Atenas. Olimar lembra ainda que nunca houve uma escola cínica propriamente, algo como uma Academia de Platão, por exemplo. Conta das várias hipóteses sobre o fato de Diógenes ser chamado de cão, ainda que os cínicos nunca chamaram a si mesmos de cães. Olimar nos lembra que Uma das grandes características da filosofia cínica é que a vida do filósofo é o próprio texto da doutrina: no modo de viver há a composição de uma certa filosofia, o discurso filosófico é de alguma forma uma performance.
Fri, 23 Apr 2021 - 48min - 25 - 24. Damascio
Luca Pitteloud (UFABC) é suiço e estudou filosofia na Universidade de Friburgo. Não sabe bem porque estudou filosofia, quiçá porque no ensino médio não soube escolher entre formação literária e científica, e a filosofia pareceu cobrir ambas. A filosofia antiga se impôs a ele ao conhecer o carisma do Dominic O'Meara. Veio ao Brasil como pós-doutorando na Cátedra UNESCO Archai da UnB e agora é professor de filosofia antiga na UFABC. Damáscio, de Damasco foi o último diádoco da Academia de Platão, um filósofo neoplatônico, um organizador muito eficiente e ativo. Começa como estudioso de retórica, mas logo se dá conta que é a filosofia platônica o que mais lhe interessa. Isidoro foi o grande mestre de Damascio, que escreve uma vida de seu mestre. Damáscio foge de Atenas após o fechamento da Academia pelo imperador Justiniano, junto com Isidoro, Simplício e outros colegas acadêmicos: foram acolhidos pelo imperador persa, na atual Turquia.
Fri, 16 Apr 2021 - 39min - 24 - 23. Sêneca
Renata Cazarini de Freitas (UFF) foi egressa do já mítico Curso de Especialização da Cátedra UNESCO Archai em 2012. Depois de entrar na filosofia na USP, abandona e dedicar-se a uma carreira de 20 anos no jornalismo, chegando à BBC em Londres, Reuters e acaba como Diretora de Redação Agência Estado do grupo Estadão. Aos 40 anos decide fazer Letras para mudar de ares, do jornalismo para a editoria de livros. Na metade da graduação largou o cargo de jornalista e se dedicou à pesquisa, mestrado e doutorado em 2019 na USP. Na Universidade como classicista achou um espaço fértil, com cineclube, blog e muitas aulas. O encontro com Sêneca se deu na sala de aula na USP, como cinéfilas ficou apaixonada com os textos teatrais da Antiguidade. Sêneca é uma das pessoas mais polêmica da época imperial. De origem hispânica, de familia abastada, é exilado na época de Cláudio, mas foi tutor de seu enteado, Nero. Uma mudança de sorte muito curiosa. Emprestava dinheiro a juros, algo nunca muito bem visto, mas as más línguas dizem que foi o homem mais rico do mundo. E ao mesmo tempo, um adepto do Estoicismo, do qual até hoje é quiçá o maior divulgador. É um dos primeiros a escrever filosofia em latim, ainda que seja algo mais de divulgação do que original. Seneca é também escritor de poesia trágica. Uma de suas personagens mais emblemáticas foi Medeia.
Blog de Renata: http://palcoclassico.blogspot.com/
Instagram de Renata: @teatronuncaenfadoFri, 09 Apr 2021 - 44min - 23 - 22. Jesus, de Nazaré
André Leonardo Chevitarese (UFRJ) fala de sua formação inicial em física, com um especial interesse na astronomia. Mas logo percebeu que o que buscava sobre o Universo não eram questões matemáticas, e sim sobre o ser humano. No início dos anos 80 os professores de História moderna não pensavam muito isso, mas foi com as aulas de historia antiga de Neyde Theml que conseguiu discutir as questões que lhe interessava, e assim virou historiador do mundo antigo. Foi em colaboração com Gabriele Cornelli que se voltou em algum momento para a história da religião. Sua bagagem acadêmica, nas encruzilhadas entre história, arqueologia e antropologia, permitiu jogar um olhar interdisciplinar sólido sobre a história do Cristianismo primitivo. O Jesus histórico é um produto da ciência, não existe antes do século 18. Em uma geração o camponês analfabeto que fala aramaico vira, na literatura cristã, um homem educado, de lingua grega. A pesquisa hoje se pergunta: que tipo de judeu era Jesus e porque o movimento dele deu certo e os outros não. Sem spoiler aqui, é para ouvir mesmo. Mas gostamos especialmente do que fala no final sobre Jesus e as mulheres.
Sigam André Chevitarese
no Instagram: @andrechevitarese
e no Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCEI8IE2v5Ykxci5ChME1p6g
Fri, 02 Apr 2021 - 58min - 22 - 21. Diceópolis
Ana Maria César Pompeu (UFCE) começou sua carreira acadêmica interessada em linguística e foi estudar em São Paulo em uma época em que os centros de referências para os estudos clássicos estavam lá. A Sociedade Brasileiras de Estudos Clássicos é parte desta trajetória e de repente Ana Maria acaba sendo escolhida como Presidenta da SBEC e bem no meio desta pandemia. Os Acarnenses de Aristófanes, uma das comédias mais antigas, traz esta personagem, Diceópolis, que significa cidade justa. A cidade justa é a própria comédia, que vivencia a impossibilidade da trégua e da paz. A comédia é o vinho da festa em lugar do sangue da tragédia, Dionisio renascido e salvador. Ana Maria se identifica com Diceópolis por ser do interior e ser contra o comércio como única via. A tradução matuta de Ana Maria é original e ela a define como etno-ética.
Fri, 26 Mar 2021 - 40min - 21 - 20. Cícero
Isadora Prévide Bernardo é assessora parlamentar, graduada em Letras e Doutora em Filosofia pela USP. Sacoleja nas ondas da República desde muito cedo, como tradutora de Cícero, e procura trazer os estudos clássicos para o cotidiano parlamentar. Uma questão adormecida na pesquisa dela é a da sociabilidade e da violência, da oikeiosis sempre presente na obra de Cicero. O estudo de Cicero começou com um encantamento pelo De Amizade e pelas aulas de Paulo Martins e João Ângelo Oliva. Cicero fez filosofia e escreveu retórica ao mesmo tempo em que atuava politicamente em uma República romana ruindo. Sua grande questão é pensar Roma e faz isso de maneira muito eclética. Uma de suas maiores contribuições é certamente a de ser autor de uma vocabulário filosófico em lingua latina.
Isadora mantem uma conta de Instagram: @isa_prevideFri, 19 Mar 2021 - 39min - 20 - 19. Ájax
Agatha Pitombo Bacelar (UnB) fala de quando mudou de inglês para grego na UFRJ sem avisar a família, de sua paixão pelo teatro e do encontro com Homero. De sua trajetória de formação nacional e internacional e de como quando na UnB e gostou muito do campus e da Colina, onde mora hoje. E de Ájax, um herói que se destaca como guerreiro, e recebe na Ilíada de Homero o apelido de torre e de muralha dos aqueus. Ájax está presente em diversos autores, como Homero, Pindaro, Sófocles e Heródoto. Em cada autor a personagem assume diferentes cores e matizes.
Fri, 12 Mar 2021 - 30min - 19 - 18. Bhartrhari
Adriano Aprigliano (USP) começa de longe: de algum lugar do Sub-continente indiano, de seu encontro com o sânscrito, que era uma janela na grade horária de aulas na USP. O interesse logo foi para a história das ideias linguísticas e a tradição gramatical indiana. Viveu a tensão de um classicista que estuda a tradição oriental, mas como acadêmico mais estético do que ético. E de Bhartrhari filósofo indiano brâmane do IV-V século, sob a dinastia Gupta. Dizem que gostava muito de mulheres e das coisas boa da vida e viveu a era de ouro do desenvolvimento das artes e da ciência no mundo indiano. Ele apresenta uma nova gramática, reapresentando no âmbito da filosofia da linguagem a célebre tradição da descrição das forma linguísticas indiana. O brahman sem começo nem fim é a primeira palavra de Bhartrhari, na tradição de um pensamento upanishadico como representação metafisica de conceitos religiosos. E da relação, ou melhor da falta dela, do bramanismo com a cultura greco-romana. Para saber mais: Aprigliano, A. Da palavra [Vākyapadīya]. São Paulo: Unesp, 2012. brahman
Fri, 05 Mar 2021 - 50min - 18 - Rádio Archai - LançamentoTue, 02 Feb 2021 - 00min
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