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O que fazer quando tudo arde

O que fazer quando tudo arde

Ana Sá Lopes/PÚBLICO

Num mundo em ebulição, a jornalista Ana Sá Lopes conversa com protagonistas da vida pública para tentar decifrar as crises da democracia, o recuo dos direitos e a desumanidade dos novos tempos.

18 - Bianca Castro: “Há uma tendência crescente para criminalizar activistas”
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  • 18 - Bianca Castro: “Há uma tendência crescente para criminalizar activistas”

    Bianca Castro tem 25 anos e é activista climática. Recentemente, foi condenada a um ano e meio de pena suspensa por ter participado de uma acção simbólica: plantar sobreiros nos terrenos onde será construído o novo aeroporto.

    A militante ecologista afirma que “há uma tentativa crescente de silenciar activistas”, uma tendência que agora está a chegar a Portugal. Bianca diz que é urgente fazer um debate sobre a “tendência crescente de criminalizar quem está a lutar por justiça social”.

    Estudou Teatro e Física, esteve na Greenpeace e trabalha agora numa nova organização pela justiça climática, a Roots. Participou em várias conferências sobre o clima e não esconde o seu desapontamento. Admite que, “neste momento”, já pode “descrever como é que vai ser a COP31 na Turquia, porque a receita é a mesma”: “Nos primeiros dias, não acontece grande coisa, queixamo-nos de que está [a ser] muito lento; depois, os mesmos países bloqueiam as mesmas palavras, não querem que o texto tenha muitas menções a direitos, quer sejam direitos das mulheres, direitos dos povos indígenas ou direitos das crianças, portanto, é sempre um bocadinho a mesma receita. E depois, ali nos últimos dias, parece que há um push de 'tem de ser agora, tem de ser agora', e finalmente ficamos todos desiludidos.”

    Para Bianca Castro, “a diplomacia climática, tal como a conhecemos hoje em dia, está por um fio, e algo tem de mudar”.

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    Mon, 10 Aug 2026
  • 17 - Joana Marques: “Eu mostro as coisas que as pessoas efectivamente disseram”

    A humorista Joana Marques é a convidada do novo episódio de O que fazer quando tudo arde. A entrevista estava combinada há muito, mas a gravação aconteceu no meio da polémica com a actriz Mafalda Matos em que o sketch de Joana sobre “os amigos neurodivergentes” foi alvo de intensa crítica. Joana Marques diz que a ideia da sátira era o facto de Mafalda Matos se definir, “até põe na sua biografia do Instagram, autista como se fosse a sua única característica”.

    “O que eu achei engraçado, e respeito quem não acha, porque isso vai sempre acontecer, foi a ideia de ‘vou jogar às cartas com os meus amigos neurodivergentes’, uma espécie de clube e quase uma guetização das pessoas neurodivergentes”, disse Joana Marques.

    A humorista tem um dos programas mais populares, o Extremamente Desagradável, nas manhãs da Rádio Renascença. “Eu mostro o que as pessoas efectivamente disseram. Eu não transformo nada, não invento nada, depois comento aquelas afirmações. E por mais que as pessoas digam que são tiradas do contexto, eu estou de consciência tranquila quanto a isso.”

    Joana Marques fará em breve uma digressão europeia com a Bumba na Fofinha, pseudónimo da humorista Mariana Cabral. São amigas desde os 3 anos. A ideia era ser um “best of” dos espectáculos das duas, mas quando perceberam que muitos portugueses estavam disponíveis para ir a Madrid, decidiram que iriam precisar de algum material novo. Depois, haverá um espectáculo conjunto em Portugal, esse sim apenas com material novo.

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    Mon, 03 Aug 2026
  • 16 - Ouça a estreia do novo podcast diário do PÚBLICO: Hoje, com Sara de Melo Rocha

    O estreito de Ormuz tornou-se uma das principais frentes do conflito no Médio Oriente. No primeiro episódio do Hoje, olhamos para o impacto da guerra em milhares de marinheiros que ficaram retidos em navios petroleiros no Golfo Pérsico, numa crise que a ONU descreveu como sem precedentes.

    Entre eles estava Daniela Brito, uma portuguesa que trabalha em navios petroleiros há quase 20 anos e que passou vários meses encurralada em Ormuz. Ao Hoje, conta como viveu esses dias numa zona de conflito e como conseguiu sair.

    “Aviões militares que nunca paravam, os primeiros drones a aparecerem durante a noite. Esses primeiros dias em que nós vimos essas coisas deram-nos a noção de que estávamos em guerra, ou numa zona de guerra, e de que corríamos perigo real”, recorda Daniela Brito. 

    Para perceber o que está em causa nesta crise é preciso olhar para a importância estratégica do estreito, para o papel do Irão e de Omã e para as consequências de uma instabilidade que afecta uma das principais rotas de transporte de energia do mundo. 

    A jornalista Maria João Guimarães, que acompanha o Médio Oriente há vários anos no PÚBLICO, explica porque é que Ormuz é uma peça central nesta disputa.

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    Mon, 27 Jul 2026
  • 15 - João Maria Jonet: “As câmaras gastam dinheiro em coisas absurdas. Há uma festa a toda a hora”

    João Maria Jonet tem 28 anos e é vereador na Câmara de Cascais. Tornou-se militante do PSD quando tinha 22 anos e deixou de o ser para se candidatar como independente à Câmara de Cascais, onde teve apoios de peso, como António Capucho, ex-Presidente.

    Quando andou ao lado de Jorge Moreira da Silva, na candidatura à liderança do PSD, ficou com a ideia de que “o militante médio do PSD é mais à esquerda do que o dirigente médio”. Acha Montenegro e Cavaco Silva parecidos: ambos “abrem a boca e não dizem nada”: “Nisso acho que não mais ou menos iguais”.

    João Maria Jonet é muito crítico dos gastos das câmaras em “coisas absurdas”. Recentemente, uma proposta sua evitou que a Câmara de Cascais continuasse a dar “borlas fiscais” a empreendimentos de luxo. Nos últimos anos, já eram 13 milhões em taxas não cobradas. Juntamente com o voto do PS, acabaram por conseguir a abstenção do PSD e do Chega. O vereador também é contra o excesso de gastos com festas camarárias: “Há uma festa em todo o lado a toda hora”.

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    Mon, 20 Jul 2026
  • 14 - David Pontes: “É preciso ter tribunais a julgar a irresponsabilidade das redes sociais”

    David Pontes, director do PÚBLICO, fala sobre a crise do jornalismo e defende que o Estado não se pode demitir de regular as redes sociais que provocam “danos terríveis na nossa sociedade” e que atacam a democracia. A sociedade deve “exigir aos políticos que ponham cobro a isto, a gente elege-os para regular a sociedade”.

    David Pontes acha que, com os condicionalismos das tipografias, distribuição e a crise da leitura em papel, a edição em papel “não vai ficar cá para sempre” e que se irá “extinguindo aos poucos”. Mas não assume o fim do PÚBLICO em papel a curto prazo: “Temos grandes vantagens em ter uma edição impressa, mesmo que ela não represente economicamente aquilo que já representou no passado e mesmo que eu tenha uma noção de finitude em relação a ela”. 

     

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    Mon, 13 Jul 2026
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